Eliane Prolik no MON

12/ago

O Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba, PR, inaugurou nas salas 1 e 2, a exposição “Da matéria do mundo”, da artista Eliane Prolik. A mostra apresenta a instalação “Atravessamento” e três núcleos de esculturas. Com curadoria de Ronaldo Brito, e Denise Bandeira como assistente de curadoria, a exposição se apropria de materiais industriais que possibilitam o desencadeamento de formas abertas e comunicantes relacionadas ao sentido fluido e emblemático da vida contemporânea. A instalação “Atravessamento”, de 160 metros quadrados de eletrocalhas, envolve e captura o espectador com seu engenho, rumor e desvios. A natureza escultórica de sua obra responde à presença física e à experiência ampliada da percepção do corpo em movimento em interações e tensões junto ao lugar, a arquitetura e a cidade.

 

Para Brito, “Da Matéria do Mundo” diz respeito não somente à aparência do mundo contemporâneo, seu aspecto anônimo e industrial, mas à essência de sua forma: o modo aberto, serial e repetitivo como se organiza, no limite do aleatório, estranho com certeza às noções tradicionais de harmonia e equilíbrio. Metafórica e concretamente, as esculturas de Eliane Prolik convidam a um verdadeiro embate físico que pode muito bem vir a se transformar em disponibilidade lúdica”, analisa. A diretora cultural do MON, Estela Sandrini, ressalta que, “muitos dos trabalhos apresentados nesta exposição foram criados para as salas do MON, a fim de estreitar as relações entre a obra, a arquitetura do espaço e a experiência sensorial do espectador”.

 

 

Sobre a artista

 

Curitibana, a artista é graduada em Pintura e possui especialização em História da Arte do Séc. XX pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Desde o final dos anos 1980 trabalha com escultura, objeto e instalação. Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, como 25ª e 19ª Bienal Internacional de São Paulo (2002 e 1987), I Bienal do Mercosul (1997), Bienal Brasil Século XX (1994), Panorama da Arte Brasileira (1995 e 1991), “O Estado da Arte – 40 anos de Arte Contemporânea no Paraná 1970-2010” (2010) e “PR/BR – Produção da imagem simbólica do Paraná na cultura visual brasileira” (2013), Museu Oscar Niemeyer. Entre suas exposições individuais destacam-se “Projeto Octógono”, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2004) e “Capulus”, Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2003). Recebeu premiações no Salão Nacional e Salão Paranaense. Integra os coletivos de arte “Bicicleta”, “Moto Contínuo” e “Escultura Pública”, além de projetos institucionais no contexto paranaense.

 

 

Da Matéria do Mundo por Ronaldo Brito

 

Da Matéria do Mundo diz respeito não somente à aparência do mundo contemporâneo, seu aspecto anônimo e industrial, mas à essência de sua Forma: o modo aberto, serial e repetitivo como se organiza, no limite do aleatório, estranho com certeza às noções tradicionais de harmonia e equilíbrio. No entanto, insistimos em pedir à arte que nos ofereça preciosos objetos únicos, fechados em si mesmos, seguindo o padrão convencional. Há décadas o Minimalismo norte-americano e a Arte Povera italiana investiram contra semelhante conformismo, em favor de uma arte realmente contemporânea, em contato efetivo com o mundo da vida atual. O trabalho de Eliane Prolik aceitou, decidido, o desafio. Ao longo dos anos, a artista foi cultivando uma empatia sutil e sincera com os materiais comuns do nosso cotidiano urbano, foi apurando uma hipersensibilidade em relação a eles, que acabou por torná-los corpo e alma de sua poética.

 

À falta de um conceito ideal, vamos chamar Núcleos Escultóricos a essas peças de metal regulares, com uma configuração aberta, que se modificam necessariamente segundo as exigências de cada ambiente. Soltas no espaço amplo e generoso do Museu Oscar Niemeyer, elas devem ao mesmo tempo tensioná-lo e atravessá-lo, como dita aliás o título de um dos trabalhos da exposição. Em meio à sensação crescente de opacidade, sensação que parece dominar o denso e populoso século XXI, cabe à arte revelar transparências, abrir espaços, fazer brilhar a luz ali onde se tende a ver apenas impasses e muros intransponíveis. Metafórica e concretamente, as esculturas de Eliane Prolik convidam a um verdadeiro embate físico que pode muito bem vir a se transformar em disponibilidade lúdica.

 

 

Até 16 de novembro.

Rodrigo Edelstein em projeto autoral

O GRIS Escritório de Arte, Pinheiros, São Paulo, SP, em parceria com o designer Rodrigo Edelstein, expõe o projeto “Conversa Forjada”, composto por 12 trabalhos sobre papel e 8 peças de design. Com curadoria de Paulo Azeco, esta é a primeira exposição individual da galeria, com sua recente inclusão no circuito cultural paulistano, com uma ação dirigida à busca de novos caminhos de disseminação de arte.

 

Como designer de mobiliário, o trabalho de Rodrigo Edelstein é marcado pelo uso de aço, com peças de estilo industrial e acento brutalista. Em “Conversa Forjada”, sua pesquisa se estabelece no universo das artes plásticas, com um trabalho autoral sobre papel de algodão, utilizando aquarela, nanquim, e caneta BIC. O artista imagina um diálogo seco e curto entre duas pessoas por meio de palavras e símbolos, como assertivamente descreve o filósofo francês Gilles Lipovetsky a respeito da sociedade “hipermoderna”. Porém, o diálogo aqui também é estético, encontra a herança concreta brasileira, e carrega forte interação com seu design e seus materiais do uso cotidiano.

 

O projeto será montado junto a uma retrospectiva de peças do designer, com itens de acervo e objetos de inspiração, no intuito de possibilitar ao expectador uma visita ao universo do artista e a melhor interpretação de seu pensamento criativo.

 

 

 

De 16 de agosto a 20 de setembro.

Arthur Arnold na Galeria Movimento

08/ago

Arthur Arnold, artista conhecido pela sua arte como protesto, abre a mostra “Estado de Sítio”, na Galeria Movimento, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ, com obras inéditas. O artista já teve seu trabalho premiado no III Concurso de Arte Contemporânea do Itamaraty, foi indicado ao Novíssimos – IBEU 2011 e fará residência no Red Bull Station, em São Paulo, além de ter participado de exposições coletivas na Alemanha, onde estudou, na Bauhaus Universität.

 

Utilizar a arte como protesto é um movimento que não é de hoje. Em 1928, o “Abapuru”, de Tarsila do Amaral, inspirou o Manifesto Antropofágico, escrito no mesmo ano por Oswald de Andrade e que guiou e foi guiado por muitos artistas da época que tinham um envolvimento político e propunham uma revolta a favor de uma maior independência brasileira. Em 1965, com a obra “Não há vagas”, Rubens Gerchman abordou o tema do desemprego no país e, no ano seguinte, através da instalação “Objeto Popular”, Pedro Geraldo Escosteguy, criticou a política do momento.

 

Muitos artistas, até hoje, se manifestam através da arte. Sebastião Salgado e as fotos de Serra Pelada, que denunciam a exploração dos mineradores e Os Gêmeos, que criticam a ação policial nos protestos, são dois exemplos. Com o tema totalmente em voga, Arthur Arnold, conhecido pela sua pintura que aborda questões e situações que vivencia, com uma dose de humor, sarcasmo e até perversidade, onde observações e preocupações são transformadas em narrativas, abre sua exposição individual denominada “Estado de Sítio”, na Galeria Movimento.

 

São dez telas que, segundo o artista, retratam imagens de protesto, violência, desigualdade, discriminação, mutações simbólicas, opressão e criminalidade. Trata-se de uma mostra de pintura e sobre pintura (óleo e acrílica sobre tela), de um artista que vive e trabalha no mesmo contexto de suas imagens. Para a curadora que assina a mostra, Paula Borgui, Arnold nos apresenta uma produção que explora com intensidade tanto as camadas políticas como pictóricas da arte. São trabalhos que incitam o espectador a refletir e que atraem através de sua excelência formal (composição, cor e gesto), para então incitar a uma meditação conceitual e brutal do que é visto dentro e fora da galeria de arte.

 

 

Sobre o artista:

 

Arthur Arnold estudou pintura no Parque Lage, com João Magalhães, e é Bacharel em escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG – Belo Horizonte, MG. Estudou um ano na Bauhaus Universität – Weimar, Alemanha, foi indicado ao Novíssimos, prêmio do IBEU, em 2012, e teve sua obra premiada no III Concurso de Arte Contemporânea do Itamaraty, Brasília, DF, 2013. O artista também foi convidado para participar de residência artística no Red Bull Station, em São Paulo, que promete abrigar, além de exposições, residências de artistas plásticos e estúdio de música, e os mais badalados happenings da cidade. O artista já participou de duas exposições individuais no Rio de Janeiro (Galeria Movimento e Centro Cultural Cândido Mendes) e outras duas em Belo Horizonte (Galeria de Arte Beatriz Abi-Acl e no BDMG Cultural). Entre as coletivas estão  a Abre Alas 8 – A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, 2012;  Spuren suchen –  Neues Museum Weimar – Weimar, Alemanha, 2007;  Art on the Edge –  Kunsthalle Weimar – Weimar, Alemanha – 2007.

 

 

De 12 a 31 de agosto.

Diálogos, mostra de artistas representados

Com o objetivo de mostrar ao público as produções mais recentes de seus principais artistas representados, Filipe Masini, à frente da Galeria Athena Contemporânea, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, Rio de janeiro, RJ, abre, dia 12 de agosto, a exposição “Diálogos”. A coletiva apresenta 12 trabalhos de artistas que vem chamando a atenção no cenário da arte contemporânea como o irreverente Alexandre Mury e suas produções, Yuri Firmeza, Joana Cesar e seu dialeto, Eduardo Masini, André Griffo e o artista urbano Zezão, um dos expoentes da urban art brasileira, distribuídos nas técnicas de fotografia, pintura, escultura e instalação.

 

 

De 12 de agosto a 05 de setembro.

Marcos Chaves – Academia

07/ago

A Galeria Nara Roesler, instala filial em Ipanema, Rio de janeiro, RJ. E, para marcar a abertura do novo espaço no Rio, o carioca Marcos Chaves concebeu duas instalações que homenageiam a sua cidade natal. A primeira – inspirada nas academias de ginástica construídas ao ar livre, criadas de forma espontânea e gerenciadas em modelo de cooperativa – traz esculturas construídas com cimento, tubos de ferros, madeira e tirantes.

 

Batizada de “Academia” – terminologia utilizada em todo o mundo para definir as instituições dedicadas à cultura e ao pensamento, mas que no Brasil é mais comumente usada para designar ginásios de educação física -, a obra reverencia os habitantes que, com criatividade e senso de coletividade, usufruem da paisagem e da vida ao livre da cidade, dividindo de maneira saudável o bem estar físico. Na abertura da mostra, sediada no térreo da casa, o artista apresentará uma performance¸ em que personagens cariocas farão séries de treino físico com os objetos da instalação.

 

“As duas instituições mais respeitadas no Rio de Janeiro são as escolas e as academias… de samba e de ginástica, respectivamente”, brinca o artista.
O artista também apresenta a série inédita de fotografias “Sugar Loafer”, uma espécie de crônica concebida a partir de cenas cotidianas da cidade que dividem sempre um “personagem” em comum: o Pão de Açúcar. Como um flâneur contemporâneo, aparelhado com uma câmera e uma bicicleta, o artista capturou em seus percursos imagens bem humoradas, ora surreais, ora com rigor geométrico, de situações tipicamente cariocas.

 

 

De 07 de agosto a 07 de setembro.

Série inédita de Gabriel Wickbold

A Galeria Lume, Itaim Bibi, São Paulo, SP, abre a exposição Sans Tache (Sem Marcas), do fotógrafo Gabriel Wickbold e curadoria de Diógenes Moura. A série inédita com 15 fotografias questiona o Homem e sua relação com o envelhecimento, com o intuito de criticar a estética “super manipulada” ditada pela mídia em fotografias que não transmitem a real aparência dos personagens.

 

Inspirado na luz lateral e sombria de Caravaggio e na arte barroca renascentista, Gabriel Wickbold fotografa diversas pessoas que “emprestam” seus corpos para este ensaio, cujo resultado nos deixa com a sensação de estarem embalsamados, submersos ou, em outros momentos em estado de levitação. Livres de toda e qualquer marca ou mancha em suas peles, por meio de tratamento de imagem, as fotografias são impressas e submetidas à “grilagem”. A partir de então, os excrementos e movimentos frenéticos dos insetos passam a agir nos retratos, dando uma aparência de papel envelhecido e revelando a questão corpo/tempo/marcas. Cada foto recebe essa ação à sua maneira, assim como na vida o tempo age de forma distinta para cada um. Em algumas imagens, o corpo se apresenta como em posição fetal, sem formas claras. Em outro momento, em pé, quase como um espelho em tamanho real. Um casal, como Adão e Eva, mostrando que o tempo passou até para quem foi o início da “criação divina”. Em outra fotografia, o menino de cabelo ruivo parece Peter Pan em vôo livre – como na “Terra do Nunca”, onde não se envelhece jamais.

 

Os novos trabalhos de Gabriel Wickbold criticam a estética artificial e distorcida em relação aos corpos exibidos em revistas ou pela Internet que não apresentam manchas ou rugas, como se envelhecer fosse feio, como se fosse errado ou negativo ter os sinais da passagem do tempo impressos na pele das pessoas retratadas. Sobre o questionamento, Diógenes Moura comenta: “Todos nós queremos ser belos, adorados, inesquecíveis, material de consumo. Gabriel Wickbold pensou uma série para entregá-la à passagem do tempo. Sugere, como resultado final para “corpos perfeitos” o destino que só o tempo será capaz de desvendar. Possibilita que sua fotografia corroída invente um outro corpo – dessa vez nada renascentista – diante do espelho/simulacro que enfrentamos diariamente em nossa fragilidade cotidiana”.

 

Nesta série, a intervenção dos grilos se dá ao comerem o papel onde a imagem de um corpo, em tamanho real, aparece de forma sutil. Metaforicamente, o corpo nada mais é do que o homem sendo comido pelo bicho. O fim que todos nós teremos. “Sans Tache trata da relação humana com as marcas das quais nós mesmos queremos fugir, ao invés de acreditar que elas são parte do nosso aprendizado e da forma mais pura do homem, que é ser feito de carne e osso (…)”, nas palavras do fotógrafo.

 

 

De 14 de agosto a 20 de setembro.

Sergio Gonçalves apresenta “Outros Olhares”

06/ago

A Sergio Gonçalves Galeria, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra de fotografias “Outros Olhares”, na qual serão expostas 23 obras de seis artistas com diferentes pontos de vista: Carlos Vergara, Carmo Dalla Vecchia, EneGoes, Fabio Cançado, Renan Cepeda e Valdir Cruz.

 

Carmo Dalla Vecchia vai apresentar fotos de suas andanças em que retrata tanto o lixo deixado pelos cariocas nas praias quanto o simpático e solitário sitiante na janela de sua casa no interior do país. Já Carlos Vergara vai expor três obras dos anos 1970 retratando o Cacique de Ramos em seu auge, em pleno Carnaval carioca, que fizeram parte da sala especial dedicada ao artista na Bienal de São Paulo em 2010. Renan Cepeda apresentará a inédita série feita pelo artista este ano em viagem pela Toscana, na Itália. O olhar particular da natureza de Valdir Cruz, radicado em Nova York, traz três trabalhos que retratam a exuberância de nossas paisagens. Já o fotógrafo paulista EneGóes, em sua primeira exposição no Rio de Janeiro, mostra sua visão do cotidiano em que cada momento se torna especial sob as lentes do artista, além do mineiro Fábio Cançado e seus elementos velados que estabelecem um diálogo misterioso com o espectador.

 

 

De 09 a 30 de agosto.

Lançamento no Centro de Arte Hélio Oiticica

Será lançado, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Centro, Rio de Janeiro, RJ, o livro “Nós, o outro, o distante na arte contemporânea brasileira”, da crítica de arte e pesquisadora Marisa Flórido Cesar, publicação selecionada no Edital Pro Artes Visuais 2012, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro. O livro aborda questões de fundamental importância para a reflexão sobre a arte e o mundo contemporâneo, a partir do contexto brasileiro. Seu tema certamente preencherá uma lacuna existente nos estudos e reflexões sobre a história da arte contemporânea brasileira.  O texto atualiza a tese de doutorado da autora, realizada sob orientação da Prof. Dra. Glória Ferreira e defendida em 2006 na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro -EBA/UFRJ.

 

No livro, encontram-se reunidas e analisadas práticas artísticas que, desde o final dos anos 90, eclodiram de norte a sul do Brasil. Ao cruzar espaço urbano e ciberespaço, comunicando-se pelas redes eletrônicas, expandia-se uma produção que se fazia muitas vezes fora do espaço expositivo convencional: das ruas das cidades aos espaços gerenciados por artistas. Operando em rede, em projetos coletivos ou individuais, os artistas buscaram redesenhar a geografia das artes colocando as periferias em contato, descentralizando seu circuito, criando outros paralelos.

 

Na contaminação entre arte, política, pensamento e afeto, indagando o esgotamento de seus repertórios, ensaiando meios de rearticular os domínios da estética, da ética e da política, eles enfrentavam as fraturas do mundo, a fluidez e o conflito das fronteiras, as esquivas de seus horizontes – não sem equívocos e ambiguidades de fundo; não sem receberem críticas contundentes e aclamadas celebrações. Mas se sentiram urgência em ir às ruas foi antes para ir ao encontro desse outro a quem a arte se endereça, para rever os modos desse endereçamento e as projeções de sua alteridade. Para interrogar esse nós obscuro e indistinto, para entender a frágil trama que liga as diferenças, o complexo aprendizado das vizinhanças. Nós, o outro e a distância que os intermediava perdem desenhos precisos e encaram seus estranhamentos: do outro distante e próximo, de uma dimensão do comum problemática e difícil, talvez impossível, talvez impensada. Pois algo se passa nos limites do que conhecíamos como homem e mundo: é preciso reinventá-los. Como fazê-lo? Eis a difícil, exaustiva e incessante interrogação. A humanidade é também a incógnita destes tempos em que se debatem fundamentalismos e dúvidas, eleições e desastres.

 

Essa produção possui diversas faces e frentes: são intervenções na paisagem, ou nos circuitos condicionados das sinalizações urbanas e na publicidade, questionando a familiaridade do mundo. São inserções nas mídias (como jornal, televisão, internet), utilizando-se tanto de um link, uma esquina, um outdoor ou a página de um periódico. São interferências nas pequenas táticas do habitat , a instauração de situações rápidas e perturbadoras, pequenos ruídos na entropia urbana, que afetam, ainda que momentaneamente, as práticas e os hábitos culturais de grupos sociais distintos que dominam ou se deslocam por determinado território.

 

Por vezes, os artistas adotam como tarefa dar visibilidade àqueles condenados à inexistência estética e política, buscando ajudá-los a fazer sua aparição como nos fazer responder a essa aparição. Em outras, se torna um mediador social que ativa temporariamente o convívio, ou um etnógrafo de microestratégias de territorialização. Ou, então, é um agenciador de campos de experiências e saberes antes especializados. Como um vírus na web, eles invadem sistemas codificados, desregulam o funcionamento e o controle dos espaços e dos tempos, tentam reconfigurar os modos e as relações entre o sentir, o agir e o pensar. Sob os nomes de intervenção urbana, arte participativa, colaborativa, documentário expandido, coletivos de arte, artistas em residências, entre outros, tais práticas, que ocorrem hoje no mundo contemporâneo, estão no foco de um debate teórico iniciado em meados da década de 1990.

Além de atualizar e aprofundar o debate ainda em aberto, o livro traz ainda um repertório de imagens cedidas pelos artistas, constituindo importante fonte de consulta e referência da arte brasileira contemporânea deste milênio.

 

 

Quando: 06 de julho –  das 16h às 18h – Mesa redonda com a participação da autora e os curadores e críticos de arte Fernando Cocchiarale e Marcelo Campos e das 18 às 19h: Noite de autógrafos

Milton Machado no CCBB-Rio

05/ago

No ano em que comemora 25 anos de atividade, o Centro Cultural Banco do Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, homenageia o artista brasileiro Milton Machado com a realização da primeira retrospectiva de sua obra, marcando 45 anos de trabalho. A exposição “Cabeça” reunirá mais de 100 trabalhos – entre desenhos, pinturas, fotografias, vídeos e esculturas – produzidos entre 1969 e 2014, muitos deles inéditos.

 

Durante a exposição será lançado o livro-catálogo “Cabeça”, que contemplará parte significativa da obra de Milton Machado, com imagens de seus principais trabalhos, acompanhadas e comentadas por uma seleção de textos críticos e analíticos, históricos e inéditos. Serão realizadas, também, visitas guiadas pelo artista e três debates com convidados. O CCBB-Rio é um dos centros culturais mais visitados do mundo (em 2011 teve a exposição com mais público do mundo) e raramente oferece um destaque dessa proporção a um artista brasileiro.

 

Milton Machado pertence a uma geração de artistas atuantes a partir dos anos 1970, cujas produções são fortemente marcadas pela investigação conceitual e pela experimentação. Sua produção, iniciada naquela década e continuada ao longo dos anos em paralelo à exploração de outros gêneros e meios, acaba por constituir uma “teoria” do fazer artístico, conjugando a universalidade conceitual e a singularidade do discurso autoral, a dimensão política e a poética. Sua formação multidisciplinar – de arquiteto, com mestrado em planejamento urbano e doutorado em artes visuais, longos anos de dedicação ao estudo e à prática amadora da música, sua atividade de escritor, palestrante e pesquisador – resulta em um trabalho com múltiplas facetas e de grande complexidade.

 

Com um trabalho caracterizado pela organização de elementos em séries, fazendo com que os espaços de exposição tendam a ter o caráter de instalações, o artista exibe nesta mostra importantes obras, como a escultura “Módulo de Destruição”, em nova versão (1990-2010-2014), que será instalada na rotunda.

 

Outro destaque da mostra é a série de desenhos “Conspiração Arquitetura”, com temas relacionados à arquitetura e ao urbanismo, exposta pela primeira vez na Galeria Sergio Milliet, Funarte, Rio de Janeiro, em 1981. A maior parte dos trabalhos da série pertence à Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM-RJ e raramente é mostrada ao público.

 

 

A exposição

 

A mostra “Cabeça” dará a oportunidade ao público de conhecer – pelos olhos do próprio artista, que assina a curadoria e o projeto expográfico – uma seleção de obras pertencentes a diferentes coleções, agora reunidas.

 

A exposição ocupará as quatro salas do segundo andar do CCBB e a rotunda, onde serão instaladas as esculturas “Módulo de Destruição” (um cubo em perfis metálicos, com 380 cm de lado, em nova versão) e Nômade (2010), ambos elementos do trabalho-em-progresso “História do Futuro”, iniciado em 1978. Inédito no Rio de Janeiro, foi mostrado pela primeira em Gibellina, na Itália, em 1990, e, no Brasil, na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010. Também na rotunda, será instalada uma nova versão das esculturas “Heavy Metal”, de 1986, e “HI-FI”, de 1987 (19ª Bienal de São Paulo), um empilhamento de seis mapotecas de aço sobre estruturas tubulares.

 

A primeira sala incluirá desenhos dos anos 1970 e 1980, desenhos da série “Conspiração Arquitetura” – tais como “Cidade Fictícia Invadida Por um Mar de Ignorância Real”, “Cidade Real em Chamas” e “Hotel Tropical na Baía de Guanabara” – além de desenhos recentes, produzidos nos últimos 3 anos, e a instalação “21 Formas de Amnésia”, de 1989, um dos trabalhos mais relevantes da produção do artista.

 

A segunda sala reunirá esculturas, pinturas, objetos e desenhos de diferentes épocas. Dentre os destaques, a escultura “Semáforo”, exposta na 19ª Bienal de São Paulo, em 1987.

 

Na terceira sala serão mostrados fotografias e vídeos, de diversas épocas. Entre as mais recentes, as inéditas “Michelangelo com Faróis” (Nova York, 2010) e “Two Weddings” (San Francisco, 2012), produzidas especialmente para a exposição no CCBB.

 

A quarta sala receberá “História do Futuro”, com desenhos,  fotografias, estudos preliminares, o livro de mesmo título e o vídeo produzido para a 29ª Bienal de São Paulo.

 

 

Sobre o artista

 

Carioca, 67 anos, é arquiteto pela FAU / UFRJ, 970), mestre em Planejamento Urbano pelo IPPUR / UFRJ (1985) e doutor em Artes Visuais pelo Goldsmiths College University of London (2000). Realizou 26 exposições individuais, participou de coletivas relevantes, no Brasil e no exterior, tais como o Panorama, no MAM São Paulo (em que recebeu o prêmio de desenho em 1991); as 10ª, 19ª e 29ª edições da Bienal de São Paulo; a 7ª Bienal do Mercosul; Europalia, em Bruxelas; Imagine Brazil, em Oslo e Lyon, entre dezenas de outras. Tem trabalhos em coleções emblemáticas de arte brasileira e latino-americana, tais como Gilberto Chateaubriand/MAM-RJ, João Sattamini/MAC-Niterói, MALI/Lima-Peru, ESCALA/Colchester-UK e Daros Latinamerica/Zurique-Suíça. Tem textos publicados em livros, revistas, jornais e na internet. É professor associado do Departamento de História e Teoria da Arte e do PPGAV-Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes EBA / UFRJ. Dedica-se ao estudo e à prática amadora da música, é escritor, poeta, palestrante e pesquisador. Milton Machado é representado pela Galeria Nara Roesler.

 

 

De 05 de agosto a 29 de setembro.

Primeira individual de Camila Alvite

A Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, abre a exposição “Recorte”, da artista plástica Camila Alvite, curadoria de Bianca Boeckel, com 14 pinturas que traçam um panorama de sua produção. A individual é composta pelas séries “Piscinas”, “Clarabóias” e “Bichos”, e apresenta imagens elaboradas por meio de recortes de ângulos, pontos de vista nos quais explora a luz, ou a falta dela, recriando imagens de elementos, da natureza e de ambientes.

 

Em “Piscinas”, a artista recria na tela a perspectiva através de um item reconhecido, no espaço aberto ao infinito. Em “Clarabóias”, o processo de criação do espaço se dá inversamente às “Piscinas” – a perspectiva é marcada pela luz, dentro de um ambiente fechado. Já na série “Bichos”, tudo se torna deslumbramento estético. O enquadramento feito pela artista nesta primeira fase de sua obra dava destaque e protagonismo a formas e objetos – os recortes confundem, as formas se misturam e cabe ao olhar a definição das formas originais.

 

Nesta mostra, o objeto retratado se torna ideia, sentimento, presença. Uma lembrança trazida de seu conceito original, mas que não se encaixa naturalmente ao novo universo da pintura. Em geral, o fundo das telas possui um tom acinzentado, buscando uma relação com aquele lugar da memória que não é exatamente vívido, com aquilo que procuramos dentro de nós, para só depois ser transmitido. “Os objetos pintados trazem consigo recordações e sentimentos: uma cadeira vazia, solidão; um telefone, esperança. comenta Camila Alvite.

 

Com inspiração extraída tanto de sua imaginação como de sua fundamentada observação das formas, Camila Alvite se utiliza de luz e cor, elementos que ora sobressaem, ora se fundem a um plano secundário cinza, o qual nos remete à inexatidão da memória. Nas palavras de Bianca Boeckel: “Lembranças e versões são trazidas aos olhos e, ao buscar nossas próprias definições, não mais nos limitamos.”.

 

 

De 12 de agosto a 09 de setembro.