Chico Fortunato na Galeria Patricia Costa

11/jul

Mostra individual até 24 de agosto reúne trabalhos recentes de Chico Fortunato na Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, com curadoria de Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho

“Com seus novos dípticos, desenhos-colagens, madeiras e “pinturas-espaciais”, Chico Fortunato amplia seu vocabulário mostrando, com liberdade costumeira, sua predileção por certos elementos e cores. Não clama pelo espetáculo banal, quer essência”, assim define Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, que assina a curadoria da individual do artista, “Construtos”, com obras inéditas produzidas entre 2021 e 2024 na Galeria Patricia Costa, a partir do dia 25 de julho.

Pintor e designer de móveis, ele revela através do seu traço, preciso e ao mesmo tempo delicado, a preferência pelas figuras geométricas, dominando o espaço com linhas que articulam cores com peculiar leveza. Da produção mais recente, um dos destaques são os desenhos-colagens, suporte nunca antes explorado por Chico Fortunato em sua longa trajetória artística.

“Os dípticos começaram em 2018. Logo depois de uma exposição em 2017 e entre algumas viagens, veio a pandemia com toda força, época em que produzi as madeiras. Em 2021, concluí uma série de trabalhos que lembravam pinturas anteriores, mas traziam novos elementos. Então, em 2023, comecei a trabalhar os desenhos-colagens. Fiz uma série deles, que estão sendo mostrados pela primeira vez agora nesta individual. Eles partem do desenho e as linhas obedecem às mesmas regras da pintura. São muitas vezes polípticos e mostram as contradições tão presentes no nosso cotidiano. Este ano retornei para a pintura, que tanto adoro, aparecendo com mais cores, embora partindo do mesmo princípio”, diz o artista.

“Construtos” nas palavras do curador Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, Presidente do Conselho do Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR/RJ

A atual exposição de Chico Fortunato reúne um conjunto de obras que proporciona uma imersão em seu sofisticado, particular e refinado processo criativo. Nos últimos anos suas preocupações enquanto pintor se circunscrevem ao aprofundamento de uma poética de caráter geométrico, ainda que já tenha flertado com elementos figurativos da paisagem. Sua pesquisa formal exige silêncio, destreza, rigor e transcendência. Em claro diálogo com a Arquitetura, o Urbanismo e o Design, ele revela um inconsciente matemático como se buscasse, na gênese natural das linhas e dos planos, um idioma universal. Questões como os limítrofes da tela são introduzidas sutilmente em sua regra dos cálculos do perímetro. Cores e geometrias não se sobrepõem ou se subordinam, não são aleatórias ou casuais. Seus dípticos são junções de partes autônomas, as telas conectam-se como se fossem espaços previamente imantados. São espaços que se vinculam e se afastam, seja pelas oposições ou complementariedades das cores escolhidas, não óbvias, seja pelo proposital desalinho das flutuações de linhas resultantes de seu processo pictórico. Os trabalhos de colagens, em formatos pequenos, traduzem a experiência e a habilidade contínua de manusear planos. Distintamente, aqui são as linhas que demarcam os recortes iniciais da colagem; linhas por origem, definidoras de ângulos e polígonos. Na apresentação da série recente em madeiras maciças de descarte, Chico reitera o uso de material conhecido, e já anteriormente explorado, introduzindo novas dinâmicas. Ao invés de recortes, torções de planos e ilusões nas perspectivas, ele brinca com tons de cores, ora em superfícies contínuas, ora escavadas. A aplicação da tinta revela suaves nuances, onde apenas o olhar atento e a correta incidência de luz conseguem discernir sutilezas. As harmonias propostas escondem planos e figuras que parecem caminhar para fora dos limites da obra. O matemático e psicólogo americano George Kelly, ao elaborar sua Teoria dos Construtos Pessoais (1955), pontuou que os sistemas cognitivos dos indivíduos são influenciados pela maneira como eles vivenciam suas próprias experiências. Chico Fortunato não propõe orientar o olhar do espectador para uma única direção, quer produzir estímulos e inquietudes. Sua ambição é a interação, sem que os limites do tempo sirvam de restrição para uma apreensão de fato. Almeja saber do outro que impacto cada obra revela no seu mais íntimo contato. Inquire por desejar contribuir com a visão alheia – talvez estando mais próximo desse ente externo – aprimorando simultaneamente, e generosamente, seus diálogos, suas próprias sensações, seu construto particular. Rio de Janeiro, julho de 2024

Sobre o artista

Chico Fortunato iniciou seus estudos em 78 na Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro (EAV). De 1982 a 1987, fez parte do grupo de Paulo Garcez, tendo participado, ainda na década de 1980 (em 1983), do I Salão Nacional, ganhando o prêmio, no mesmo ano, no VII Salão Carioca. Realizou exposições no eixo Rio-São Paulo, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte, em 1985. De 1992 a 1999 residiu na Holanda; fez individuais na Galerie Domplein, em Utrecht, na Galerie Cacco Zanchi, Aalst, e na Galerie Debret, Paris. Também participou de coletivas no Porto, Londres, Amsterdam, Soest e Stuttgart (Prêmio Syrlin). Em 1999, no Rio, firmou parceria com o Estúdio Guanabara, realizando três exposições individuais, entre 2000 e 2004: “Acrílicos”, “Transparências” e “Torções”. Em 2004, expôs no MAM-RJ, na mostra “Últimas Aquisições”, da Coleção Gilberto Chateaubriand. Em 2010, expôs no Centro de Arte Helio Oiticica; em 2012, no Rio de Janeiro, fez individual no Gustavo Rebello Arte, e lançou livro pela Contracapa Editora. Em março de 2016, entra para o acervo do Museu de Arte do Rio (MAR), e integra a exposição “Ao amor do público I” – Doações na ArtRio (2012-2015) e MinC/Funarte. Em 2017, realizou individual na Múltiplo Espaço Arte e, em 2024, participou de exposição coletiva na Múltiplo.

Representando Arthur Barrio

09/jul

A Baró Galeria anuncia a representação do artista luso-brasileiro Artur Barrio. Conhecido pela sua prática radical e inovadora, Artur Barrio tem constantemente ultrapassado os limites da expressão artística através dos seus trabalhos provocativos e envolventes, desafiando e muitas vezes rejeitando linguagens artísticas padronizadas.

Sobre o artista

Artur Barrio ou Artur Alipio Barrio de Sousa Lopes é um artista plástico luso-brasileiro que vive no Rio de Janeiro desde 1955. Antes de se mudar para o Brasil, chegou a morar por um ano em Luanda, na Angola. Nascido em 01 de fevereiro de 1945, Porto, Portugal, começou a se dedicar à pintura em 1965 e, a partir de 1967, frequentou a Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Nesse período, realiza os cadernos livres, com registros e anotações que se afastam das linguagens tradicionais. Em 1969, começa a criar as “Situações”: trabalhos de grande impacto, realizados com materiais orgânicos como lixo, papel higiênico, detritos humanos e carne putrefata (como as “Trouxas Ensangüentadas”), com os quais realiza intervenções no espaço urbano. No mesmo ano, escreve um manifesto no qual contesta as categorias tradicionais da arte e sua relação com o mercado, e a situação social e política na América Latina. Na mostra “Do Corpo à Terra”, em 1970, espalha as “Trouxas Ensangüentadas” em um rio em Belo Horizonte. Barrio documenta essas situações com o uso de fotografia, cadernos de artista e filmes Super-8. Cria também instalações e esculturas, nas quais emprega objetos cotidianos. Realiza constantes viagens, e reside também na África e na Europa – em Portugal, França e Holanda. Desde a metade da década de 1990, ocorreramm diversas publicações de sua obra.

Pontos de convergências

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, convida para a abertura, no dia 10 de julho, da exposição “Visita ao acervo #4 – Diálogos”, com curadoria de Cecília Fortes, que selecionou obras dos artistas Abraham Palatnik, Bruna Snaiderman, Cristina Salgado, Eduardo Frota, Lenora de Barros, Liana Nigri, Livia Flores, Nuno Ramos, Paulo Vivacqua, Renato Bezerra de Mello, Rodrigo Braga e Ronaldo do Rego Macedo, criando aproximações por temas, técnicas e materiais usados, formas, ou ainda “uma narrativa surreal imaginária”.

Esta é a quarta edição do programa que apresenta as obras do acervo de Anita Schwartz Galeria de Arte a partir de um recorte curatorial e permanecerá em cartaz até 24 de agosto. Cecília Fortes explica que nesta exposição “a proposta foi identificar pontos de convergência entre trabalhos, criando diálogos diversificados. Conexões que ocorrem de forma orgânica, estabelecendo conversas diretas em alguns casos e relações inusitadas, em outros”.

A curadora exemplifica: “Contornos do corpo feminino e suas camadas físicas e metafóricas, observados em planos positivo e negativo no ato escultórico”, conectam as obras “Presas em frestas, da série Vazante”, de Liana Nigri, em bronze e granito em liga, e “Mulher em dobras 1 (Vênus)”, de Cristina Salgado, produzida em 2022, com tapete e parafusos.

“A materialidade da tinta a óleo, que ganha corpo e se transforma em elemento marcante de composição”, estão nas pinturas “O céu como cicatriz, Tapetes”, de Nuno Ramos, em óleo e pigmento sobre papel, e “Sem título”, de Ronaldo do Rego Macedo, em óleo sobre tela.

“Esferas laminadas que preenchem o espaço expositivo com seus volumes repletos de ausências e ilusões óticas colocam em relação as criações de Bruna Snaiderman – “Sem título”, da série “Presença através da ausência”, em metacrilato e vinil, – e Eduardo Frota – “Esfera (com anel)”, em compensado industrial.

“Ondas sonoras derivadas da escultura “Sem título”, de Paulo Vivacqua – composta por alto-falantes, vidro, espelho e mesa de madeira, – se propagam pelo ar e reverberam na obra “W-H/112”, de Abraham Palatnik, em acrílica sobre madeira.

“Seguindo uma narrativa surreal imaginária, a relação das mãos que tocam pinturas de círculos brancos e pretos sobre pedra, no plano bidimensional na obra “Direita para esquerda, esquerda para direita”, de Rodrigo Braga, em impressão fine art sobre papel de algodão, mergulham nas formas e acessam a matéria expondo a sua tridimensionalidade em “Mão dupla 1”, de Lenora de Barros, da série “Performance escultura para mãos”, impressão em jato de tinta.

“O uso da geometria como elemento de abstração estabelece a relação entre as obras de Livia Flores – “Xu (06)” e “Xu (08) Plot”, em colagem sobre tela, – com os “Cadernos de confinamento 1 e 2”, de Renato Bezerra de Mello, desenho em tinta nanquim sobre folha de papel Canson.

Celebrando quatro décadas

08/jul

A galeria Simões de Assis completou 40 anos! Uma história iniciada em Curitiba, em 03 de julho de 1984, por Waldir Simões de Assis Filho. Desde a sua abertura, artistas como Volpi, Tomie Ohtake, Barsotti, Ianelli, Juarez Machado, Rubens Gerchman, Manabu Mabe, Jorge Guinle, Cícero Dias, entre outros, estiveram presentes em mostras na galeria.

Ao longo dos anos o time de artistas foi expandindo com importantes nomes como: Abraham Palatnik, Antônio Dias, Gonçalo Ivo, Ascânio MMM, José Bechara, Elizabeth Jobim, Angelo Venosa entre outros.

A Simões de Assis dirige o seu olhar para a arte moderna e contemporânea, especialmente, para a produção latino-americana, trazendo expoentes da arte cinética e concreta internacional como Cruz-Diez, Sotto e Antonio Asis.

A Simões de Assis, administrada pelas duas gerações da família desde 2011, propõe uma revisão constante da produção artística do passado a partir de reflexões da arte contemporânea, e promove o diálogo transgeracional entre os artistas.

A galeria se especializou na preservação e difusão do espólio de importantes artistas como Carmelo Arden Quin, Cícero Dias, Emanoel Araujo, Ione Saldanha, Miguel Bakun e Niobe Xandó, contando com a parceria de famílias e fundações responsáveis.

Carlos Dias na Choque Cultural

03/jul

O multiartista Carlos Dias apresenta o happening “Desenho Cego” na Choque Cultural, sábado, dia 06 de julho, das 11 às 17hs, Alameda Sarutaiá, 206, Jardim Paulista, São Paulo, SP. Em 2024, comemorando duas décadas de parceria, Carlos Dias foi convidado para uma participação especial na exposição 2024 – Coletiva Choque 20 Anos! Além de pinturas inéditas, Carlos Dias apresentará um evento performático que tem desenvolvido nos últimos anos: o Desenho Cego – onde música e pintura se encontram em simbiose criativa.

DESENHO CEGO: ao som ambiente produzido também ao vivo pelo músico Kaue Garcia @lugardepala, Dias e Midi @midiyumi farão desenhos e pinturas com os olhos vendados.

Carlinhos Dias foi dos primeiros artistas a se apresentar na Choque em 2005, na emblemática exposição “Catalixo” – que mapeava as novas linguagens urbanas que estavam transformando a paisagem paulistana (e também o cenário artístico da cidade). Na época, Carlos Dias era um ativo participante do núcleo de artistas dedicados às imagens impressas (cartazes, flyers, sticker art e graphic design-art). Carlos Dias também experimentava outras linguagens (música, animação e se apresentava em shows com suas bandas). A partir de então, o artista passou a se dedicar com mais intensidade à pintura, mídia com a qual se projetou definitivamente nos círculos de colecionadores nacionais e internacionais.

Sua participação no ambiente artístico sempre foi múltipla e não-convencional – seja nos ambientes alternativos ou regulares, em museus, galerias, no rádio, na TV ou no showbizz. Carlos Dias participou de importantes exposições nacionais e internacionais promovidas pela Choque: coletivas na Inglaterra, França e Estados Unidos, como Ruas de São Paulo em Londres em 2007, Choque em Basel 2008, São Paulo Streets em Los Angeles em 2008, Dentro e Fora no MASP em 2009 e a exposição individual um Passo Ao Seu Alcance no Paço das Artes em 2012.

Fauna e flora por Fabi Cunha

Exibição individual de Fabi Cunha apresenta recorte com obras inéditas, sob curadoria de Jozias Benedicto na Galeria de Arte Ibeu, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A partir do dia 17 de julho, no centro das atenções e do espaço expositivo da Galeria de Arte Ibeu, estará a instalação “ALTAR”, que intitula a individual da artista carioca Fabi Cunha e tem trabalhos selecionados pelo curador Jozias Benedicto. Até 09 de agosto.

Para a criação desta obra, a artista utilizou um altar antigo que foi herdado de sua avó: na composição concebida por ela, foi ornado com pinturas e recebeu plantas naturais em seu interior. A individual ocupará a galeria até o dia 08 de agosto, onde apresenta cerca de 25 telas das séries “Santos” e “Impressões da Mata Atlântica”, algumas de 2024 e outras de 20 anos atrás – quase todas mostradas ao público pela primeira vez. O corpo do trabalho de Fabi Cunha é baseado em sua pesquisa sobre a fauna e flora do lugar onde vive, em plena reserva biológica, que serve de material criatório e é onde a artista mantém o seu ateliê.

“Enquanto examino as obras que a artista Fabi Cunha traz para “ALTAR”, sua exposição individual na Galeria Ibeu, fico imaginando o espaço – casa, ateliê da artista – onde as obras foram concebidas e executadas com esmero: incrustado na Mata Atlântica, montanhas ao fundo, o cheiro da chuva sobre a relva, sobre as folhas secas, “os verdes depois das chuvas”, passarinhos cantando solitários ou em bandos, animais de médio porte que encaram em desafio os invasores, nós, os ditos civilizados. Penso em poetas como Adélia Prado que, na simplicidade cotidiana de Divinópolis, Minas Gerais, encontra rotas para o sagrado, para a transcendência, e leio como Fabiana descreve seu processo criativo: “sua inspiração é a natureza, onde a artista se conecta com o divino e encontra paz interior”. Mais do que uma fé em ritos formais de religiões institucionalizadas, a artista navega em pensamento e sensibilidade e encontra a sua conexão com o divino através da natureza e da arte. São pinturas em sua maioria de grandes tamanhos, e mostram flores, árvores, folhagens, borboletas, passarinhos e também santos, criaturas que fazem a intermediação entre o humano e o sagrado. São figuras em meio a abstrações muito coloridas, “massas de cor e raios de luz, que apontam para um progressivo desprendimento da forma”, inspiradas na luxuriante paisagem que a circunda. Como o irmão do poeta no estágio de ser árvore, o olho da artista “aprendeu melhor o azul”.

Assim como a natureza invade as pinturas de Fabiana, sua obra deixa o bidimensional e invade o espaço com objetos/instalações feitos a partir de madeiras e resíduos coletados na Mata Atlântica. Um deles, o Altar, sintetiza a pesquisa da artista e dá nome à mostra, uma obra em progresso, uma instalação viva, ao centro do espaço expositivo, que desafia os visitantes a não serem apenas espectadores e sim participantes: a permanência da vida das plantas no Altar depende dos visitantes que façam um pequeno gesto, regando-as com os borrifadores que a artista deixa à sua disposição. Sim, todos podemos fazer pequenos gestos e com estes pequenos gestos contribuirmos muito para a vida, para a sobrevivência da humanidade e do planeta”.

Trecho extraído do texto curatorial de Jozias Benedicto, que também é escritor e artista visual.

Sobre a artista

Fabi Cunha é uma artista intuitiva e autodidata que busca a sua inspiração na Natureza, onde se conecta com a sua base de pesquisa e encontra o mote para os seus trabalhos. Entre as individuais em 2018, merecem destaque: “Impressões da Mata Atlântica”, no Washington Park Hotel; “LukLux Design”, Nautilus Hotel, em Miami e Valencia College, em Orlando. No mesmo ano, a artista foi convidada para pintar um mural permanente no Washington Park Hotel, em South Beach, Miami. Já em 2019 participou da ExpoNY, em Nova Iorque, e no Brasil, no evento Gamboa de Portos Abertos, e da coletiva Sua Majestade Arte, na Casa da Princesa Isabel, em Petrópolis; neste mesmo ano, em novembro, ainda realizou individual na Galeria Metara, no Rio de Janeiro. Em 2022, apresentou “Reconexão”, com pinturas, esculturas e obras instalativas, somando cerca de 50 trabalhos, no Centro Cultural Correios RJ.

A paisagem tropical de Duda Moraes

Nascida em 1985, a artista carioca Duda Moraes, mostra seu trabalho atual, que traz as cores da Mata Atlântica e a vibração do Rio de Janeiro, referência e marca em sua pintura, e o processo de amadurecimento vivido após sete anos radicada em Bordeaux, na França. A exposição “Entre force et fragilité, e a continuação do gesto”, que inaugura no dia 10 de julho, na Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, propõe uma imersão pelo caminho percorrido pela artista, e começa por um grande painel na parede central do espaço térreo da galeria, composto por seis pinturas em cores fortes e vibrantes, cada uma medindo 1,95 metros de altura por 1,30 metros de largura, com a paisagem tropical, uma característica marcante de seu trabalho. Na parede lateral direita, três telas menores trazem o olhar carioca da artista sobre as delicadas flores primaveris da cidade francesa. Na parede oposta, está uma grande peça medindo 3,60 metros de altura por 2,60 metros de largura, uma composição de tecidos nobres de descarte de empresas francesas de estofamento, em que Duda Moraes mantém o olhar e o gesto da pintura usando tesoura e máquina de costura. “Não pinto flores. São elas que me dão vontade de pintar”, afirma a artista. “Tem as questões do feminino, a ambiguidade entre força e fragilidade, e exploro muito o gesto, as formas, o equilíbrio das cores”. Duda Moraes estará presente na abertura da exposição. O texto crítico que acompanha a mostra é de Élise Girardot, com tradução do texto em português de Madeleine Deschamps.

Graduada em desenho industrial pela PUC Rio em 2010, Duda Moraes trabalhou por cinco anos na criação de estampas para a indústria têxtil e grandes marcas de moda, no escritório de Ana Laet. Criada em ambiente artístico – sua mãe, a artista Gabriela Machado, a levava para onde ia, ateliê, exposições – Duda Moraes realizou o que realmente desejava fazer após ter frequentado um curso com Charles Watson. Fez exposições em Belo Horizonte e no Rio, cidade em que vivia intensamente, seja no contato com a natureza, ou nas rodas de capoeira e de samba, onde cantava. No final de 2016, entretanto, um acontecimento iria levá-la para outro universo, muito distinto: a paixão fulminante por um mestre de capoeira a fez se mudar para Bordeaux, onde casou e teve seu primeiro filho, nascido antes da pandemia.

“Entre force et fragilité, e a continuação do gesto” apresenta este percurso vivido por Duda Moraes, que atravessou a mudança de país e continente, com uma cultura muito diferente da sua, e de status social, com o casamento e a maternidade, e a pandemia no meio. “Quero mostrar no Rio esta minha passagem, a maturação deste tempo em que estou na França, sete anos, um número marcante, como um primeiro ciclo”, diz a artista.

 

Cerâmicas na Galeria Mercedes Viegas

02/jul

A artista Jacqueline Belotti inaugura no dia 06 de julho, exposição individual “E DE TODAS AS COISAS UM”, com cerâmicas e porcelanas na Galeria Mercedes Viegas, Horto, Rio de Janeiro, RJ, com curadoria de Paula Terra-Neale. Integrando elementos díspares e construindo peças que contenham acontecimentos, informações e objetos de universos multifacetados, Jacqueline Belotti vai moldando, manualmente suas obras, sempre agregadas a um caráter experimental. Paula Terra-Neale, que faz a curadoria, selecionou 15 cerâmicas e porcelanas de produção recente. A argila, nas mãos da artista, se torna um meio para transmitir histórias, emoções e visões únicas, ecoando o poder da criação que celebra. Da argila bruta ao objeto final, a magia do processo artístico dá nova vida e significado à matéria, que pode assumir a forma de folhagens, rosas, orquídeas, entre outras flores – inventadas ou não – mãos, cabeças, pássaros, asas, peixes, conchas, vegetação marinha, misturados a cacos de cerâmica diversos.

Inspiração em Bordalo Pinheiro e Heráclito

Segundo a artista, a obra de Bordalo Pinheiro sempre foi uma fonte inesgotável de inspiração para o seu trabalho: “Sua capacidade de combinar técnicas tradicionais com uma abordagem inovadora e crítica ressoa profundamente com minha própria prática artística”. Mas é do conceito de “harmonia dos contrários”, do filósofo Heráclito, que vem a inspiração para dar forma às suas cerâmicas, que parecem afirmar que os opostos não são apenas necessários para a existência de tudo, mas também a harmonia e a unidade emergem da tensão entre eles. A artista incorpora ao seu processo de criação a visão de que a realidade é caracterizada pela mudança constante e pelo fluxo, tudo está em constante transformação e os opostos são interdependentes. A “harmonia dos contrários” sugere que a tensão e contraste entre os opostos cria um equilíbrio dinâmico. Assim como para Heráclito, essa tensão e contraste são fundamentais para a ordem e a estrutura das suas obras únicas, sempre se transformando mas mantendo a harmonia através do conflito contínuo entre todas as partes da obra. Cada peça de Jaqueline é uma expressão desse espírito.

A palavra da curadora

“Jacqueline Belotti nos apresenta sua mais recente série de trabalhos: são vasos biomórficos de cerâmica em argila e porcelana esmaltados, produzidos desde 2020. O senso de urgência, de iminência da tragédia e de potência de vida transpiram deles. São peças únicas e elaboradas com experimentalidade técnica e sofisticação intelectual. Apresentam um deslocamento delicado e conflituoso entre as pequenas partes; os pequenos dramas equilibrados na totalidade da peça única, o vaso. As formas de cada uma das partes individuais, que podem ser associadas às da flora e da fauna, incluindo as dos corpos feminilizados, são aqui amalgamadas num todo fluído, e contínuo como que na tradição barroca e do rococó, mas com um toque de surrealidade. O fogo da queima unindo pigmentos e pedra num ardor sensual e erótico. A artista cria seu próprio diálogo e exploração com a cerâmica, não apenas com o material em si, mas na possibilidade de trabalhar nele as questões da arte, as questões subjetivas, e empreender uma reflexão crítica sobre processos históricos, num mesmo mergulho”.

Sobre a artista

Jacqueline Belotti vive e trabalha no Rio de Janeiro. Atua por múltiplos meios e procedimentos em exposições individuais e coletivas. Participou de diversas exposições coletivas e individuais no Brasil, Portugal e Inglaterra. Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, 2014 e o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, 2013, da Fundação Nacional de Artes, Ministério da Cultura/BR. Pesquisadora e PhD em Artes Visuais. Lecionou na Universidade Federal do Espírito Santo.

Até 09 de Agosto.

Exposição Coletiva Diadorim

01/jul

A NONADA SP, Praça da Bandeira, Centro, São Paulo, SP, exibe até 21 de agosto a mostra  coletiva “DIADORIM”, sob curadoria de Guilherme Teixeira reunindo 17 artistas em torno de 19 obras que exploram temas como corpo, inadequação, pertencimento e gênero, utilizando diversas técnicas e suportes, incluindo pintura, escultura, fotografia, desenho, objetos, videoarte, performance e instalações, atualizando questões conceituais do clássico “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa, obra da qual a galeria retirou seu nome e conceito. A exibição permanecerá em cartaz até 31 de agosto.

Diadorim, um personagem que se veste como homem para acompanhar os cangaceiros e proteger-se, traz à tona discussões contemporâneas sobre construção de gênero e performance social. Esta narrativa literária oferece um ponto de partida para a reflexão sobre identidades de gênero e seus desdobramentos na sociedade atual.

Guilherme Teixeira, o curador, é reconhecido por seu trabalho que atravessa temas de identidade, sexualidade e pertencimento. A seleção de um grupo diversificado de artistas possibilitou a exibição de suas próprias perspectivas e experiências para o evento. Esta abordagem pluralista permite uma ampla gama de interpretações e provocações sobre as temáticas abordadas. Andre Barion, Andy Villela, Ana Matheus Abbade, Ana Raylander Martís dos Anjos, Amorí, Bruno Magliari, Rafaela Kennedy, Santarosa, Juno, Ode, Diambe, Daniel Mello, Domingos de Barros Octaviano, Linga Acácio, Flow Kontouriotis, Wisrah C. V. da Celestino e Nati Canto trazem uma diversidade de estilos e abordagens. A pluralidade de técnicas e temas reflete o compromisso da NONADA em proporcionar um espaço para a diversidade artística e cultural.

NONADA, cujo nome deriva de um neologismo criado por João Guimarães Rosa, tem como missão preencher lacunas na cena artística contemporânea, promovendo um espaço inclusivo e de experimentação. Seus fundadores, João Paulo, Ludwig, Luiz e Paulo, destacam que a NONADA é um espaço híbrido que acolhe, expõe e dialoga, oferecendo uma plataforma para trabalhos de alta qualidade que abordam temas políticos, identitários e de gênero, entre outros.

Rocket na Alma da Rua I

A Galeria Alma da Rua I, Vila Madalena, São Paulo, SP,  inaugurou a exposição “Antigos Agoras” do artista Rocket. A mostra fica em cartaz até 31 de julho, oferecendo ao público uma perspectiva única sobre a evolução da arte urbana e as influências que moldaram o trabalho do grafiteiro.

“Antigos Agoras”, sob curadoria de Tito Bertolucci e Lara Pap,  propõe uma reflexão sobre cenas e ideias que evocam memórias e experiências passadas, muitas vezes despercebidas no cotidiano. Este conceito dialoga com a história da arte urbana, que sempre buscou capturar e refletir as dinâmicas sociais e culturais das cidades. A técnica de Rocket, que utiliza humanoides como elemento central, propõe uma nova interpretação da figura humana e suas interações com o espaço e as cidades. Seu estilo se alinha à tradição da arte de rua, que historicamente tem sido uma forma potente de expressão e resistência cultural.

A exposição na Galeria Alma da Rua I oferece uma oportunidade valiosa para explorar a trajetória do grafite e sua influência na cultura contemporânea. A galeria, conhecida por seu apoio à arte urbana e seus criadores, reafirma seu compromisso com a promoção e valorização deste movimento cultural.

Sobre o artista

Rocket, nascido no bairro Jardim São Pedro, no extremo leste de São Paulo, iniciou sua prática no grafite em 2006. Suas primeiras influências vieram do movimento Hip-Hop, dos amigos e da rebeldia típica da adolescência. Integrante da crew de grafite OTM, Rocket desenvolveu um estilo distintivo que se concentra na criação de personagens humanoides, caracterizados por traços respingados, cores vibrantes e anatomias não convencionais.