Gosto de vermelho.

01/abr

O jovem escultor Leo Stockinger, radicado há duas décadas na Austrália, retorna ao Brasil para realizar exposição ndividual de esculturas em mármore e madeira na Galeria Stockinger, Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS. Portando extensa vida profissional curricular com exibições no exterior, notadamente me museus e galerias australianas, nesta ocasião o artista participa da promoção oficial paralela da Bienal do Mercosul com apresentação de suas obras no catálogo editado especialmente para o evento que traz a categorizada assinatura do crítico de arte Jacob Klintowitz. Leo Stockinger – neto do consagrado escultor Xico Stockinger – exibe sua recente produção artistica carregada de forte e tensa empostação dramática com predomínio vermelho que obedece à oportuna titulação de  “vísceras, corpo e existência”.

Em exibição até 28 de abril.

A existência e as vísceras da existência.

A escultura de Leo Stockinger.

Superação. Experimento. Emoções. Ilusões? Talvez ilusões da alma. Ou loucas ilusões. O mistério. O renascimento. Êxtase. O pigmento se torna carne. E a carne se torna um signo. E o signo se torna forma e símbolo. E isso nos devolve o mito primevo. Alvorecer. Pois se trata disso. O artista Léo Stockinger dialoga com o primordial e nos oferece, para nós que transitamos em transe por suas esculturas, a emoção de assistirmos o nascimento da vida. O vislumbre da jornada, a intimidade do mito.

Jacob Klintowitz

Coletiva A Coisa dRag.

Reunindo artistas emergentes e consolidados no circuito de arte brasileira, a mostra apresenta obras relacionadas ao fenômeno drag e seus elementos de transgressão. No dia 04 de abril, no Centro Cultural da UFMG, inaugura-se a exposição coletiva a Coisa dRag, Belo Horizonte, MG, reunindo produções de 34 artistas brasileires, sob curadoria de Sandro Ka e assistência curatorial de Elis Rockenbach.

A mostra é resultado de um amplo mapeamento realizado em 2024, integrado à pesquisa A dragficação como fenômeno cultural e problemática na produção artística contemporânea (PRPq/UFMG), desenvolvida na Escola de Belas Artes da UFMG. A partir desse levantamento, o conjunto exposto revela um recorte da produção de artistas atuantes em diversas partes do país.

Participam da exposição: Adriano Basilio, Amorim, André Venzon, Augusto Fonseca, Avilmar Maia, Caio Mateus, Camila Moreira, Carambola, Carolina Sanz, Cassandra Calabouço, Cavi Brandão, Cynthia Loeb, Dods Martinelli, Efe Godoy, Lili Bertas, Elis Rockenbach, Sarita Themônia, Glau Glau, Hugo Houayek, Ítalo Carajá, Karine Mageste, Lai Borges, Lia Menna Barreto, Lorenzo Muratorio, Maria Carolina, Rafa Bqueer, Renato Morcatti, Rodrigo Mogiz, Sandro Ka, Tatiana Blass, Téti Waldraff, Thix, Tolentino Ferraz e Victor Borém.

Até 16 de maio.

Páginas de um sonho global.

Brazilism é a primeira individual do renomado artista camaronês Pascale Marthine Tayou em São Paulo – e sua segunda exposição com A Gentil Carioca, em colaboração com a Galleria Continua. Com obras inéditas, a mostra mergulha na prática multifacetada do artista, criando um diálogo vibrante entre culturas e contextos. Além disso, marca o retorno do artista à cidade desde sua participação na 25ª Bienal de São Paulo, em 2002.

Nascido em 1966, em Nkongsamba, Camarões, Pascale Marthine Tayou vive e trabalha entre Ghent, Bélgica, e Yaoundé, Camarões. Reconhecido por sua abordagem inovadora e dinâmica, seu trabalho constrói pontes entre civilizações e explora as interseções ambíguas entre o homem e a natureza. Sua prática, marcada pela fluidez entre diferentes meios, reflete sobre mobilidade, trocas culturais e as complexidades da identidade. Esta exposição dá continuidade à sua investigação sobre suas raízes africanas e as dinâmicas do mundo globalizado.

Com uma trajetória marcada por participações em importantes eventos internacionais, como a Documenta de Kassel, Bienal de Veneza, Bienal Internacional de São Paulo e a Trienal de Turim, Pascale Marthine Tayou também realizou exposições individuais em renomadas instituições, incluindo a Serpentine Gallery (Londres, 2015), o Bozar (Bruxelas, 2015) e o Musée de l’Homme (Paris, 2015).

A palavra do artista.

“O Brasil é a ilustração perfeita do “mundo inteiro”. Um país que é a soma total das paixões humanas, uma exposição para folhear as páginas de um sonho global. Brazilism é um convite para passear aqui e em outros lugares, um passeio por um campo de flores entremeado de suaves espinhos”.

Um lugar para a cabeça.

31/mar

A Fortes D’Aloia & Gabriel, Barra Funda, São Paulo, SP, apresenta na Sala 2, Um lugar para a cabeça, exposição individual de Gokula Stoffel. A mostra reúne obras produzidas no último ano e marca a expansão das investigações da artista sobre a matéria pictórica e sua abordagem fragmentária da figuração. Texto crítico por Ariana Nuala. Em cartaz até 17 de maio.

Em uma prática exploratória guiada pelo processo, Stoffel abraça o acaso e os acidentes como co-criadores de suas pinturas e esculturas. Seja desdobrando uma mancha de tinta para representar um braço ou desvendando traços humanos em uma imagem de paisagem, a artista se interessa pelas distorções e perturbações da forma e da ambientação. Os gestos turbulentos e espiralados compõem superfícies cintilantes, nas quais criaturas emergem de uma atmosfera liquefeita, como em Salso Reino (2025) e Morcego (2025). Uma gama de vibrações ópticas aparece como consequência da incorporação de acabamentos metálicos e tintas iridescentes no repertório material da artista, criando efeitos de luz brilhante que se manifestam em diferentes mídias. Em obras como a  pintura Espirro (2025) e a escultura Umbigo-Espiral (2024), elementos díspares são articulados por meio de procedimentos colagísticos. Embora a primeira seja abstrata e a segunda represente um corpo desconstruído, ambas são organizadas em espirais, um motivo e coordenada espacial recorrentes na obra da artista. O caráter mutável dos ambientes naturais permeiam as abstrações e imagens de Stoffel, despertando correntes sinestésicas por meio da cor, textura ou escala. Memória Olfativa (2025), uma das maiores pinturas da exposição, alude a esse cruzamento de impressões sensoriais, evocando o olfato junto à fisicalidade concreta que estrutura a composição. Metamorfoses e percepções alteradas criam um terreno de contornos fluidos e limites difusos onde a vida humana, animal e vegetal se fundem, escapando constantemente da identificação e de posições estáticas.

 

Abordagens pictóricas de Pélagie Gbaguidi.

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem orgulho de apresentar “Manifestação”, a primeira exposição individual de Pélagie Gbaguidi, na Sala 1 do Galpão, em São Paulo. A artista beninense, nascida em Dakar e radicada em Bruxelas, exibe pinturas inéditas produzidas durante a sua residência no Pivô Salvador, de janeiro a fevereiro de 2025, além de obras que fundamentam a estrutura conceitual de seu corpo de trabalho mais recente. Até 17 de maio.

A pesquisa de Gbaguidi se concentra em narrativas ancestrais e táticas contemporâneas para reformular histórias sob uma perspectiva decolonial. Em suas pinturas e desenhos, ela traduz a natureza sedimentar do tempo histórico em composições de camadas densas, justaposições de cor e forma, pigmentos e traços gestuais. Ao retratar silhuetas humanas fragmentadas e distorcidas junto a padrões abstratos, a artista busca entrelaçar abordagens pictóricas a sistemas simbólicos. Por meio dessa coreografia visual, a artista incorpora o repertório do conhecimento, filosofia e existência africanos. A pintura Mango tree (2025), por exemplo, faz referência a uma imensa árvore em frente ao prédio do Pivô, em Salvador. Inicialmente atraída por sua escala monumental e folhagem exuberante, Gbaguidi depois soube que a árvore marcava o local de um cemitério, onde estão enterradas algumas das pessoas que participaram da Revolta dos Malês em 1835, considerada a maior revolta de escravizados da história do Brasil. O episódio violento marcou um esforço comum empreendido por pessoas retiradas à força de seus territórios nativos como Benin, Togo e Nigéria, entre outros. O encontro entre um conflito antigo e as suas manifestações no âmbito contemporâneo serve como metáfora para sua obra como um todo, assim como para sua posição como griot contemporânea, uma contadora de histórias da África Ocidental, e um arquivo de narrativas orais e tradições ancestrais. Equipando-se com esse conjunto complexo de estruturas estéticas e metodologias conceituais, a prática de Gbaguidi se entrelaça com o contexto brasileiro e sua constituição afro-indígena.

A mostra é acompanhada por uma conversa por escrito entre Gbaguidi e o artista e pesquisador Karamujinho.

Conceito de limite da resistência.

28/mar

Mecânica dos meios contínuos, individual de Marcius Galan, na Galeria Luisa Strina, Jardins, São Paulo, SP, apresenta um conjunto de obras, a maioria inéditas, que explora o conceito de limite da resistência. São objetos e instalações que, aparentando estar à beira do colapso, continuam a cumprir seus movimentos e funções específicas. O título refere-se a uma área da física dedicada à formulação matemática dos fenômenos relacionados ao movimento e à deformação dos corpos sob a ação de agentes externos.

Como programa público, uma conversa entre o artista, a curadora e pesquisadora Heloisa Espada, que assina o texto da exposição, e o colecionador e pesquisador Fábio Faisal acontecerá no encerramento da mostra, em 10 de maio, às 11h.

A extensa e diversa produção de Marcius Galan assimila conceitos e linguagens do cotidiano para reelaborar o espaço, tema central de sua obra. Seus trabalhos integram as coleções de MAM-SP, MAM-RJ, MASP, Pinacoteca de São Paulo, MAC-USP, Museum of Fine Arts Houston, Phoenix Art Museum e Inhotim. Participou de exposições em instituições como Palais de Tokyo, Wexner Center, Guggenheim Bilbao, Museu Serralves, Americas Society, Bienal de São Paulo, Bienal do Mercosul e Bienal das Américas. Foi vencedor do Prêmio PIPA em 2012 e fez residência na Gasworks Londres; e do prêmio Iberê Camargo em 2004, com residência na School of the Art Institute of Chicago.

Quanto mais escura é a noite, mais vigorosa é a luz dos vaga-lumes

A primeira obra da mostra é Cinema (2025), que ocupa a sala principal da galeria, completamente às escuras. Um sistema de luz suspenso do teto simula o voo de dois vaga-lumes. Esses pequenos focos luminosos emitem sinais em um código de comunicação que só pode existir na ausência de luz. Além de explorar a percepção cinética, na qual o cérebro humano interpreta as piscadas de luz como movimento, Cinema presta homenagem a Pier Paolo Pasolini (1922-1975). O cineasta italiano, em carta a um amigo, comparou o desaparecimento dos vaga-lumes à extinção da resistência ao fascismo na Itália. Segundo ele, a luz da propaganda fascista era tão intensa e uniforme que apagava nuances, a poesia e a própria resistência política.

Anti-horário (2025) foi filmado no deserto e registra um pequeno galho seco que, movido pelo vento, desenha um círculo perfeito na areia. A direção do vento muda constantemente, alterando o sentido do desenho. O som desempenha um papel essencial na obra: cada mudança de direção é pontuada por um ruído, reforçando a percepção da instabilidade do movimento.

Infinito (1999), único trabalho pertencente a uma produção anterior do artista, é um tubo de vidro moldado na forma do símbolo do infinito, cujo ciclo contínuo é interrompido por um volume de cera que obstrui sua passagem, rompendo a ideia de continuidade.

A resistência dos materiais

Na Sala 2, os trabalhos lidam com a materialidade de maneira distinta. São obras feitas com pedras, carvão e ferro, nas quais há a intenção de confrontar o peso e a resistência destes materiais.

Memória geológica (2025) consiste em duas pedras cortadas por uma linha de aço que se atraem para um ponto comum. A interação entre os vértices das linhas sugere uma força magnética que parece cortar as rochas, que, por sua vez, resistem ao movimento, criando uma tensão entre atração e oposição. Apesar da aparente dinâmica, a obra permanece estática.

De forma semelhante, Força resultante (2025) apresenta uma haste de madeira em uma posição aparentemente impossível, desafiando a gravidade. Uma linha de ferro sugere a manutenção desse equilíbrio ao se aproximar de um prego na parede, sem tocá-lo. A obra captura o instante de instabilidade entre a iminência da queda e um ponto de segurança.

Baixa resolução (2025) é uma grande composição de parede feita com cubos de madeira e carvão. As áreas chamuscadas evocam tanto a vista aérea de uma região devastada por queimadas quanto explosões pixeladas de videogames antigos, congelando um momento de destruição em linguagem básica que remete aos primórdios da representação virtual.

Por fim, Orbital (2025) é uma grande composição de placas pintadas com tinta automotiva preta sobre as quais são dispostas pedras minerais. Esses elementos determinam as órbitas de objetos cortantes que riscam a superfície industrial dos módulos. O atrito entre os materiais desenha padrões geométricos similares aos traços de um compasso, criando um contraste entre a delicadeza das linhas e a agressividade do movimento que as inscreve na superfície.

Ao longo da exposição, cada obra aborda o conceito de resistência, explorando a instabilidade dos materiais, a tensão entre equilíbrio e colapso, e a dinâmica entre permanência e efemeridade. Assim como na mecânica dos meios contínuos, os trabalhos investigam a relação entre forças externas e suas consequências sobre corpos físicos, levantando questões sobre fragilidade, persistência e transformação.

Ilusão e Inclusão.

27/mar

 

Exposição destaca a participação ativa do espectador e a evolução da Op-Art para a Arte Cinética.

A Galeria Espaço Arte MM, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura a exposição Op-Art – Ilusão e Inclusão, sob curadoria de Denise Mattar, no dia 29 de março. A mostra reúne artistas pioneiros e contemporâneos que exploram a relação entre forma, cor e movimento, proporcionando ao público uma experiência sensorial que ultrapassa a contemplação passiva.

A Op-Art surgiu na Europa na década de 1950 como herdeira do Concretismo, mas rompeu com sua rigidez estática ao propor uma nova forma de interação entre arte e espectador. Caracterizada pela repetição de formas geométricas simples, contrastes de cor e ambiguidades entre fundo e figura, essa vertente cria ilusões de movimento e profundidade, desafiando a percepção visual.

A exposição apresenta obras que dialogam com essa tradição e sua evolução para a Arte Cinética, na qual o movimento virtual torna-se real, seja por meio de mecanismos ou pela interação direta do público. Reunindo nomes fundamentais da Op-Art e da Arte Cinética, como Julio Le Parc, Jesús Rafael Soto, Carlos Cruz-Diez, Victor Vasarely, Yaacov Agam, Dario Perez-Flores e Abraham Palatnik, além de artistas que continuam expandindo essa linguagem, como Yutaka Toyota, Yuli Geszti e José Margulis, a mostra evidencia a força e a atualidade desse movimento artístico.

A Op-Art consolidou-se internacionalmente por meio de exposições como Le Mouvement (Galeria Denise René, 1955), The Responsive Eye (MoMA, 1965) e pela atuação do GRAV (Groupe de Recherche d’Art Visuel), que buscava integrar arte e público. Op-Art – Ilusão e Inclusão reafirma essa trajetória e destaca sua influência contínua em diversas áreas, como Design, Moda e Arquitetura. Com essa exposição, a Galeria Espaço Arte MM reafirma seu compromisso com a promoção da arte contemporânea e convida o público a vivenciar a arte de maneira ativa e imersiva.

Em cartaz até 26 de abril.

Celebrações em torno de Pedro Moraleida.

Organizada pela curadora e crítica de arte Lisette Lagnado, a mostra que homenageia Pedro Moraleida Bernardes ocupará dois endereços – até 21 de junho – da nova Almeida & Dale, São Paulo, SP, como parte das celebrações pelos 25 anos da morte do artista mineiro, que partiu precocemente aos 22 anos de idade. Intitulada Nossa Senhora do Desejo, a exposição propõe diálogos entre sua obra, artistas que o influenciaram e uma nova geração que compartilha de sua inquietação e irreverência.

A produção intensa de Pedro Moraleida, marcada pela desobediência, escatologia e crítica social, segue sendo revisitada e reinterpretada ao longo do tempo. Graças ao empenho de seus pais, Luiz Bernardes e Nilcéa Moraleida, junto a professores e artistas, seu acervo sempre esteve acessível a pesquisadores, estimulando novos estudos sobre a obra. Desde setembro de 2024, a Academia Mineira de Letras (AML), em parceria com o Instituto Pedro Moraleida Bernardes (iPMB), o Viaduto das Artes e o Grupo Oficina Multimedia, tem promovido seminários e exposições em Belo Horizonte, ampliando a reflexão sobre o seu legado. Em 2019, o Instituto Tomie Ohtake realizou a primeira retrospectiva do artista fora de sua cidade natal, com curadoria de Paulo Miyada.

Embora frequentemente associada, de maneira simplista, ao neoexpressionismo alemão, a prolífica obra do artista – que abrange desenhos, pinturas, textos e experimentos sonoros – vai muito além dessa influência. Pedro Moraleida teve acolhida entusiasmada por parte de curadores brasileiros e estrangeiros, e, segundo Lisette Lagnado, “ainda há muito a ser explorado sobre as fontes que o inspiraram”.

Nossa Senhora do Desejo mergulha em temas recorrentes em sua produção, como capitalismo, patriarcado, saúde mental, guerra planetária, direito à vida e vida artificial. Dentre os vários nexos iluminados pela mostra, destaca-se aquele que o aproxima do poeta francês Antonin Artaud: a opção por “uma existência que se recusa a anestesiar as emoções”. Como sintetiza a curadora, “…ambos examinam uma sociedade abusiva e tóxica, vociferando contra o pecado católico e a perversão acumulativa da burguesia”.

Num movimento tentacular, outros elos vão se desenhando, como a sintonia entre sua força insubmissa e a arte de Jaider Esbell e Arthur Bispo do Rosario (em registros flagrados pela lente do mestre da cor Walter Firmo), que brota da violência institucional e a transmuta poeticamente em “energia de combate”. O caráter iconoclasta e a mordacidade política conectam a produção de Pedro Moraleida à de Leon Ferrari, figura fundamental do conceitualismo latino-americano, presente na exposição com a série “Releituras da Bíblia”. Figuras como Jean-Michel Basquiat e José Leonilson, usualmente lembradas como influências para Pedro Moraleida, também fazem parte dessa constelação de referências evidenciadas pela exposição. Além dessas relações de caráter mais histórico, há na seleção proposta por Lisette Lagnado a presença importante de duas artistas que conheceram Pedro Moraleida, a mineira Cinthia Marcelle e a hispano-brasileira Sara Ramo – da mesma geração surgida no final do século passado, elas prestaram uma assessoria especial no processo de pesquisa e concepção da mostra. O conjunto inclui ainda produções recentes que ecoam a mesma inquietude, como as da paulistana Lia D Castro e do suíço-carioca Guerreiro Do Divino Amor, cuja instalação “Civilizações Super Superiores” foi originalmente apresentada no Pavilhão da Suíça da 60ª edição da Bienal de Veneza.

A expografia dos dois espaços é assinada pelo arquiteto e urbanista Tiago Guimarães, formado pela Universidade Federal do Ceará e atuante em São Paulo desde 2005. Além dos nomes já citados, completam a mostra obras de Castiel Vitorino Brasileiro, desali, Flávio de Carvalho, ⁠ Francisco de Almeida, Lia D Castro, ⁠Linga Acácio, Trojany, ⁠Marta Neves, Regina Parra – artista que apresenta uma performance na abertura da exposição – e ⁠Thiago Martins de Melo. O poeta floresta participa da publicação que será lançada durante a exposição com uma seleção de sete poemas extraídos de seu livro rio pequeno (ed. Fósforo, 2022).

Artistas participantes.

Antonin Artaud, Castiel Vitorino Brasileiro, Cinthia Marcelle, desali, Flávio de Carvalho, floresta, Francisco de Almeida, Guerreiro do Divino Amor, Jaider Esbell, Jean-Michel Basquiat, José Leonilson, León Ferrari, Lia D Castro, Linga Acácio e Trojany, Marta Neves, Pedro Moraleida, Regina Parra, Sara Ramo, Thiago Martins de Melo, Walter Firmo.

Classificação indicativa: mão recomendado para menores de 18 anos. Esta exposição contém imagens com teor sexual, sexo explícito e nudez. Acesso mediante a presença do responsável ou acompanhante com autorização por escrito.

De Isaac Julien para Lina Bo Bardi.

26/mar

A Nara Roesler São Paulo apresenta até 24 de maio, a exposição “Isaac Julien – Lina Bo Bardi – A Marvellous Entanglement – Photographs & Collages” exibindo 20 obras, 16 delas totalmente inéditas – derivadas do filme “Lina Bo Bardi – A Marvellous Entanglement” (2019), ni qual Lina Bo Bardi (1914-1992) é representada por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. O texto crítico é de Solange Farkas, fundadora da Associação Cultural Videobrasil, em 1991, e curadora de diversas bienais e exposições.

As novas colagens do cineasta e artista britânico Sir Isaac Julien (1960), apresentadas pela primeira vez, se destacam pelo uso singular das cores, evocando diversos motivos poéticos e ecológicos na obra de Lina Bo Bardi.

A mostra na Nara Roesler ocorre simultaneamente à exibição inédita no Brasil, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), da videoinstalação, com nove telas, do filme “Lina Bo Bardi – A Marvellous Entanglement”, de Isaac Julien, no novo anexo do museu, no edifício Pietro Maria Bardi.

Desse modo, o público poderá ter contato com cenas complementares do mesmo trabalho de Isaac Julien. Tanto no filme como nas fotografias e colagens, Lina Bo Bardi é representada em diferentes estágios de sua vida por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. No filme, as atrizes lêem textos adaptados dos escritos da arquiteta ítalo-brasileilra, envolvendo os espectadores em uma narrativa que se baseia em uma citação de Lina Bo Bardi – “O tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado no qual, a qualquer momento, fins podem ser escolhidos e soluções inventadas, sem começo nem fim”.

 

Diálogos com Calder.

A Central em parceria com Eliana Finkelstein apresenta, a partir do dia 29 de março, a exposição coletiva “Sopra a ave-do-paraíso, voa longe a viúva negra” no primeiro andar e no mezanino do Instituto dos Arquitetos do Brasil de São Paulo (IABsp) e, em exibição até 17 de maio..

Convidada por Eliana e Fernanda Resstom, fundadora e diretora da Central, Galciani Neves realiza a curadoria da mostra que articula obras de mais de 20 artistas que tecem diálogos, relações e elucubrações acerca da Viúva Negra (1948), de Alexander Calder (1898-1976). O móbile, doado pelo artista ao IABsp, é parte da coleção do Instituto e, assim como o edifício, é tombado como patrimônio cultural pelo IPHAN.

“A história de uma obra de arte acumula os registros sobre as vezes que ela foi exibida; os textos sobre ela escritos; as experiências e acontecimentos que sua aparição e circulação geraram. Essas vibrações, por vezes, colocam a obra em uma espécie de presente expandido no tempo, sempre atualizando-a e incansavelmente nos surpreendendo. Admitindo que todas essas possíveis e incontáveis experiências diante de uma obra são contribuições à sua reflexão, essa mostra articula, com esta perspectiva, as obras como uma espécie de sopro que junto com o público e com a efervescência do centro de São Paulo movem a Viúva Negra, animando-lhe de tempos e sensações do agora e lhe dando as tantas “formas fugidias”, como nos disse Sartre sobre Calder” conta a curadora.

Em comum e de muitas maneiras, os trabalhos contemporâneos que integram a exposição são produzidos por meio de materiais e processos que dialogam com formas não-humanas e são, assim, modos de pensar o mundo e seus habitantes.

“Responder pela palavra que dá título à obra, pelas intencionalidades que vislumbrava o artista e pela linguagem que experimentou nos pareceu uma estratégia para lidar com a onipresença e com a movência desse trabalho no espaço do IABsp, como modos de ler o trabalho à luz do nosso tempo e também para perceber como artistas contemporâneos se engajam em questões vizinhas, gerando, assim, afinidades poéticas com o móbile do artista estadunidense.” conclui Galciani Neves.

Alexander Calder, Alice Shintani, Aycoobo, Bozó Bacamarte, Carmela Gross, Carmézia Emiliano, Cleiber Bane e Cleudon Sales Txana Tuin – MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), Darks Miranda, Davi de Jesus do Nascimento, Diambe, Erika Malzoni, Gilvan Samico, Heloisa Hariadne, Kimi Nii, Liuba Wolf, Mariana Rocha, Mayawari Mehinako, Melissa Stabile de Mello, Nilda Neves, Niobe Xandó, Rayana Rayo, Selva de Carvalho, Véio.