Em memória de artistas plásticos brasileiros

18/ago

Grandes representantes da arte visual brasileira da segunda metade do século XX já partiram

deixando saudades, mas perpetuam-se na história através de suas criações. A exposição “Era

só saudade dos que partiram”, no Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São

Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, homenageia alguns dos

artistas que fazem parte da trajetória artística do artista plástico Emanoel Araújo, fundador e

Diretor Curador da instituição.

 

A mostra é composta por aproximadamente 40 obras, entre pinturas, gravuras, esculturas e

fotografias, que revelam a diversidade de personalidades marcantes que partiram nos últimos

anos, como Antônio Henrique Amaral, Antonio Maluf, Arcangelo Ianelli, Edival Ramosa, Gilvan

Samico, Hércules Barsotti, Ivens Machado, Odetto Guersoni, Marcelo Grassmann, Maria Lidia

Magliani, Mestre Didi, Sonia Castro, Tomie Ohtake e Otávio Araújo, recém-falecido, aos 89

anos, no último dia 25 de junho de 2015.

 

Emanoel Araújo comenta: “Esta exposição é uma homenagem à memória dos artistas plásticos

brasileiros, falecidos em diferentes momentos, deixando lembranças das suas humanidades e

de suas criações.”

 

Alguns destes artistas fazem parte do Acervo do Museu Afro Brasil, como: Maria Lidia Magliani

(1946 – 2012), artista irreverente e marcante com suas pinceladas e cores; Mestre Didi (1917 –

2013) um “sacerdote-artista”, que foi um dos fundadores de uma linguagem afro-brasileira

com sua obra escultórica; Arcangelo Ianelli (1922 – 2009) que com cores fortes e uma

particular geometria, o acompanhou por toda sua vida em suas pinturas e esculturas; Edival

Ramosa (1940 – 2015), autor de pinturas, objetos, esculturas e jóias que se manteve fiel as

suas escolhas formais e cromáticas por toda sua carreira, unindo materiais naturais e

industriais e Otávio Araújo (1926 – 2015), que produziu gravuras, desenhos e pinturas

sensuais, aglutinadoras de uma poesia de mistérios e imagens e evocadoras de uma magia

atemporal.

 

 

De 18 de agosto a 18 de outubro.

Conversa entre artista e curadora

14/ago


Neste sábado, dia 15 de agosto, às 16h, o MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, realiza uma conversa gratuita com a artista Iole de Freitas e a curadora Ligia Canongia na exposição “O peso de cada um”. A mostra, que pode ser vista até o dia 13 de setembro, ocupa o Espaço Monumental do Museu com uma instalação inédita, feita especialmente para o local, composta por três esculturas de grandes dimensões, duas suspensas e uma no chão, em aço inox espelhado e fosco, que pesam no total quase quatro toneladas. A exposição traz ainda trabalhos em vidro com impressão fotográfica sobre película, da série “Escrito na água”, de 1996/1999, pertencentes ao acervo da artista e da Coleção Gilberto Chateaubriand/ MAM Rio.

Francisco Dalcol apresenta Antônio Augusto Bueno na Galeria Mamute

12/ago

A Galeria Mamute, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, divulga e convida para a abertura da

exposição “Antes era só o vão”, do artista Antônio Augusto Bueno. A mostra com curadoria de

Francisco Dalcol apresenta um conjunto de trabalhos abrangendo pinturas, instalação, vídeo

com participação de Bebeto Alves, Eduardo Montelli e Luís Filipe Bueno e, gravuras em metal

impressas por Marcelo Lunardi.

 

 

A palavra do curador

 

Antes era só o vão

 

Os trabalhos de Antônio Augusto Bueno parecem atravessados por algo que não lhes

pertence, mas ao mesmo tempo os constitui. Esse aparente desacerto vem de uma indisciplina

do artista, no sentido de uma postura interessada na liberdade de experimentar no trânsito

entre linguagens, sem se prender a uma ou outra, intercambiando constantemente técnicas e

procedimentos.

 

Nas obras que integram a nova série “Antes era só o vão”(1), pintura é também gravura, assim

como escultura é desenho, e gravura é pintura. Os inversos também, pois um está sempre no

outro, formando zonas de indefinição. E ao se contaminarem, trazem como recompensa a

descoberta, com todas as aberturas e possibilidades que os momentos de incerteza ensejam.

 

A montagem da exposição na Mamute busca tirar força desses rebatimentos, do ir e vir que se

estabelece entre as obras e as diferentes modalidades artísticas que as compõem, propondo

ao espectador, a partir da disposição dos trabalhos, algumas relações visuais; umas mais

imediatas, outras menos explicitadas.

 

A instalação na entrada da galeria ocupa o pequeno espaço vago ao lado da escada. Se antes

era só um vão, há agora ali a tentativa de transformar esse não lugar em uma situação.

Realizado especialmente para esta mostra, o trabalho é composto por gravetos que Antônio

Augusto recolhe e estrutura em forma de armações, filiando-se a uma série de outras obras de

viés escultórico que tem realizado ao longo de sua produção. É como se ele desenhasse o

objeto no espaço, vendo nos galhos as linhas do desenho, mas também as manchas, quando

reunidos como espécie de grandes maços e ramalhetes.

 

As salas expositivas do andar de cima apresentam as novas pinturas e gravuras da série “Antes

era só o vão”. Nas telas em grande formato, as manchas carregam um aspecto de vestígios

ancestrais, como marcas de um tempo passado. Também lembram os troncos das árvores do

quintal do Jabutipê, o ateliê na antiga casa que Antônio Augusto mantém em uma rua ainda

silenciosa no Centro Histórico de Porto Alegre. Remetem ainda às paredes rachadas,

descascadas e fraturadas que permanecem em pé no casarão em ruínas próximo ao Jabutipê

onde foi gravado o vídeo do qual vem o título desta exposição.* De algum modo, essa

visualidade do entorno cotidiano do artista está impregnada nessas pinturas.

 

Mas nada seria assim sem a bem-vinda intromissão da gravura. Nessas pinturas, está plasmado

um processo alongado e pausado, fruto de um procedimento experimental. Sobre a massa de

pigmentos e tinta acrílica, o artista sobrepõe betume em algumas áreas. Esse material, muitas

vezes usado nos processos de gravura, vira tinta também, compondo novas manchas. As

camadas acumuladas são frequentemente raspadas, em um gesto de adição e subtração de

matéria, e também cavoucadas, como nos procedimentos de incisão da gravura. É um

processo não imediato, que leva dias, como o tempo de espera que muitas vezes a gravura

demanda. E nesse transcorrer, que permite um olhar mais vagaroso e, por isso, reflexivo, as

dúvidas advindas sempre dão a ver possibilidades a serem testadas e encaminhadas.

 

Pode-se pensar nesse sentido as gravuras da série. Pela primeira vez, Antônio Augusto

apresenta em público um conjunto representativo de trabalhos gráficos, essa modalidade

artística de tanta tradição e relevância histórica na arte gaúcha. Novamente, interessa ao

artista a margem experimental, aqui oferecida pela gravura em metal e pelo tempo próprio a

seu processo. Isso começa nos modos com que explora o desenho sobre as matrizes, passa

pela alquimia de ácidos e outros materiais aplicados nas placas como se ele as estivesse

pintando, e chega à etapa de impressão, cujas primeiras provas sempre levam o artista a

refazer o percurso do processo em busca de novos efeitos. Assim, a imagem final fixada sobre

o papel é antecedida por uma série de testes e experimentos. O que se obtém são resultados

sobrepostos e acumulados. Ao fim, continua sendo gravura, mas também desenho e pintura. E

ainda escultura. Se na instalação os gravetos se articulam como linhas no espaço, na gravura se

dá o oposto, com as linhas do desenho se tramando como se fossem elas os gravetos.

 

Em um olhar atento, é possível perceber que, ao longo da série “Antes era só o vão”,

evidencia-se um aspecto central que perpassa a totalidade da obra de Antônio Augusto de um

modo tão pessoal: o gosto pela artesania e pelo vagar que lhe é inerente, opções que, ao

serem assumidas pelo artista, ganham certo caráter político em tempos tão apressados e

automatizados como os nossos. Tempos esses dos quais apartar-se conscientemente significa

não só um ato de resistência, mas um gesto autêntico e singular de se colocar no mundo.

 

Francisco Dalcol

(1) “Antes era só o vão” é um trecho do texto de Luís Filipe Bueno que integra o vídeo

apresentado na exposição.

 

 

Sobre o artista

 

Antônio Augusto Bueno é Bacharel em Desenho (2004) e Escultura (2008), pelo Instituto de

Artes da UFRGS. Desde 1998 vem realizando exposições individuais, dentre elas “Cabeças –

armadilhas para um significado” no Museu do Trabalho / POA; “Anotador de Faces” Galeria

Municipal de Arte em Florianópolis, “Uma Maneira de Pensar” no MALG, Pelotas/RS, “As

desórbitas do avesso” na Arte&Fato galeria, POA/RS, “Gravetos Armados” no MAC RS,  Galeria

Iberê Camargo,  Porão do Paço Municipal, POA/RS, “Desenhos” no Estudio Dezenove, Rio de

Janeiro/RJ, “Um outro outono” MARGS.  Desde 1996 participa de exposições coletivas como

“Do Atelier ao cubo branco”, “A bela morte” e “O Cânone Pobre” no MARGS, POA/ RS, “Idades

Contemporâneas”, ”Entre A-Z” e “Da matéria sensível” no MAC-RS em POA/RS, “Desvenda” no

Museu da República, Brasília/DF, ArtLive 2011 na CATM Chelsea, Nova York/EUA. Participou de

salões, dentre eles o Salão do Jovem Artista no MARGS, POA/RS, Salão da Câmara, POA/RS e o

Salão Nacional de Cerâmica no Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR. Em 2015 lançou o livro

Jabutipê, em 2012  o livro “O último homem na lua” com exposição no MAC-RS e Ilustrou o

livro “Arame falado” editado pela editora 7 letras do Rio de Janeiro/RJ . Em 2007 recebeu o

Prêmio Açorianos na categoria Melhor Exposição Coletiva com o Grupo Passos Perdidos e em

2008, o Prêmio Açorianos na Categoria Cerâmica com o Bando do Barro, além de ser indicado

na categoria Artista Revelação. No ano de 2009 foi indicado na categoria Desenho, pela

exposição “Tempo sobre Papel”, em 2012 foi indicado na categoria Escultura pela exposição

“Gravetos Armados” e em 2013 foi indicado em cinco diferentes categorias. Em 2013 recebeu

menção honrosa no 2° `Prêmio IEAVi pela exposição “Circulando linhas”. Tem trabalhos em

acervos do MARGS, MACRS, UFRGS, Fundação Franklin Cascaes e Fundação Kingler Filho.

Participou em 2000, da criação do Atelier João Alfredo 512, onde trabalhou até 2007. Em 2007

e 2008 integrou o grupo do Atelier Subterrânea. Desde 2008 realiza seus trabalhos, ministra

aulas e coordena o espaço expositivo do Jabutipê, situado no centro histórico de Porto Alegre.

É artista representado pela galeria Mamute.

 

 

Sobre o curador

 

Francisco Dalcol é doutorando em História, Teoria e Crítica pelo Programa de Pós-Graduação

em Artes Visuais (PPGAV) do Instituto de Artes da UFRGS. Mestre pelo Programa de Pós-

Graduação em Artes Visuais (PPGART), da UFSM, na linha de pesquisa Arte e Cultura, com

ênfase em história, teoria e crítica (2013). Graduado em Comunicação Social, com habilitação

em Jornalismo, pela Universidade Federal de Santa Maria (2003), com especialização em

Comunicação e Projetos de Mídia, ênfase em arte, cultura, internet e cibercultura, pelo Centro

Universitário Franciscano – Unifra (2008). Também trabalha como jornalista (repórter e editor)

no jornal Zero Hora – Grupo RBS, sendo setorista de artes visuais. Tem experiência na área de

Comunicação, com ênfase em Jornalismo, Editoração, Jornalismo Cultural e Jornalismo Digital,

e também na de Artes e Cultura, atuando principalmente nos seguintes temas: história, crítica

e discursos sobre a arte e a produção cultural.

 

 

Até 09 de outubro.

Das ruas para as telas

07/ago

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta a mostra “Movimentos”, do artista visual André De Castro. A exposição traz retratos e referências de jovens que participaram de manifestações democráticas no Brasil, em 2013, e também na Turquia, Grécia e Estados Unidos, formando um painel com 35 telas em serigrafia. No dia da abertura, haverá o lançamento de um catálogo bilíngue produzido pela Aeroplano Editora e Pratt Press.

 

O painel que compõe a mostra, iniciado em 2013 e em constante expansão, está sendo concluído nas exposições do Brasil com telas inéditas. A escolha da técnica não foi por acaso. O silkscreen, também conhecido como serigrafia, é associado a movimentos políticos históricos e a mitificação de personalidades, como Che Guevara, Marilyn Monroe e o presidente Barack Obama, por exemplo. A exposição na CAIXA Cultural traz ainda um texto inédito, bilíngue, do historiador Daniel Aarão Reis.

 

Para reunir as imagens e referências de cada jovem, André De Castro manteve contato com os manifestantes pelo mesmo meio que eles utilizaram para organizar as passeatas na época: a internet.

 

“Busquei contato por hashtags, em grupos do Facebook e no Twitter. A grande maioria dos participantes é de jovens que estão sempre conectados, e assim que os identifiquei, conversei sobre o projeto e ​pedi a cada retratado que enviasse uma foto de rosto e respondesse a uma série de perguntas relacionadas ao movimento político de seu país e sua identidade”, conta André, que não pretende, com seu trabalho, enaltecer heróis ou representantes dos movimentos, mas usar a técnica da serigrafia para valorizar o conjunto formado por indivíduos únicos. ​

 

A individual já foi exibida em Miami, durante a Art Basel; e em Nova York, na BKLYN Fair e na Opus Galery; e foi vista por cerca de 30 mil pessoas em Brasília e Belo Horizonte. Este ano, para dedicar-se à exposição “Movimentos”, no Brasil, o artista transferiu seu estúdio para a antiga fábrica da Behring, no Rio de Janeiro.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido no Brasil, o artista visual André De Castro vive e trabalha ​​entre o Rio de Janeiro e Nova York​. Em 2011, mudou-se para NY para cursar o Master of Fine Arts (MFA), no Pratt Institute e, desde 2013, mantém seu estúdio no bairro do Brooklyn e trabalha como diretor de arte na Saatchi and Saatchi.

 

Em 2009, André publicou seu primeiro livro “Funk – que batida é essa”, um conjunto de ilustrações que retratam o funk carioca, fruto do projeto de graduação na PUC, RJ. O artista venceu, em 2013, o prêmio ​Never Stop Never Settle, ​promovido pelo Pratt Institute e Hennessy US​ com o projeto “Movimentos”.

 

 

De 12 de agosto a 12 de setembro.

Christian Boltanski na Baró : Heartbeats

05/ago

A Baró Galeria, Jardins, São Paulo, SP, exibe “ Heartbeats”, primeira exposição do artista

francês Christian Boltanski em uma galeria na América Latina. A mostra, é composta por uma

instalação imersiva que ocupa o térreo do espaço da galeria. A instalação é uma adaptação da

obra “work in progress” Les Archives du Coeur (Os Arquivos do Coração) que, desde 2005, vem

percorrendo diversas instituições de arte coletando batimentos cardíacos de audiências ao

redor do mundo. O trabalho – uma espécie de registro existencial universal, segundo o próprio

artista – vai ganhando forma a medida que esses registros públicos vão sendo adicionados ao

arquivo permanente do artista, instalado na remota ilha japonesa Teshima.

 

Em “Heartbeats”, o processo se inverte: em vez de coletar as batidas dos visitantes, Boltanski

compartilha suas próprias. Por meio de amplificadores, os sons ressoam pelo ambiente

convidando o público para um mergulho no coração do artista. O órgão, comumente associado

ao símbolo da vida, se apresenta aqui como elo comum ao mesmo tempo que compõe a

singularidade de todos os seres. Arquivos e diretórios fazem parte do fascínio do artista desde

os anos 1960. Para Boltanski, eles representam grandes paradoxos: se por um lado são uma

forma potente e preciosa de reconquistar as perdas, por outro são passíveis de limitações e

inverdades. A partir deles, seus trabalhos lançam reflexões acerca da morte, da passagem do

tempo e da luta pela conservação das “pequenas memórias emocionais”. Para ele, essas

últimas confrontam aquelas registradas em livros de história por serem as grandes

colecionadoras das particularidades das experiências humanas.

 

 

Sobre o artista

 

Christian Boltanski nasceu em 1944, em Paris e atualmente vive e trabalha em Malakoff, na

França. Escultor, fotógrafo, pintor e cineasta, é considerado hoje um dos mais consagrados

artistas contemporâneos. O francês foi vencedor de diversos prêmios incluindo o Kaiser Ring,

Goslar, em 2001, o Praemium Imperiale Award pela Japan Art Association, em 2007, e mais

recentemente o Generalitat Valenciana’s International Julio González Prize, este ano.

Participou das principais mostras de arte do mundo como a Documenta (1972, 1977 e 1987) e

a Bienal de Veneza (1980, 1993, 1995 e 2011) e teve grandes retrospectivas e individuais nas

mais renomadas instituições de arte incluindo o Centre Georges Pompidou, em Paris, os

museus de arte contemporânea de Chicago e de Los Angeles, o Park Avenue Armory, em Nova

Iorque e Serpentine e Whitechapel Gallery, em Londres. Boltanski também tem trabalhado

com projetos de teatro incluindo Théâtre du Châtelet, em Paris, e o Ruhr Triennale, na

Alemanha.

 

 

Sobre a galeria

 

A Baró Galeria abriu suas portas em 2010 e desde então se estabeleceu como referência em

arte internacional no circuito brasileiro. Dirigida por Maria Baró (espanhola de nascimento), a

galeria busca aprofundar o diálogo entre artistas, curadores, colecionadores e instituições

culturais através, principalmente, de trabalhos site-specific. Em sua nova fase, a galeria volta

sua atenção para grandes artistas que despontaram entre os anos 1970 e 1980, como o filipino

David Medalla, o mexicano e ex-integrante do grupo Fluxus, Felipe Ehrenberg, o brasileiro

Almandrade, o chinês Song Dong e agora o francês Christian Boltanski.

 

 

Até 12 de setembro.

Silvia Cintra + Box4 mostra Iole de Freitas

Em comemoração aos 70 anos da artista e paralela à exposição “O peso de cada um” no MAM-

RJ, abre nesta quinta, o6 de agosto, a segunda individual de Iole de Freitas na galeria Silvia

Cintra + Box4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. A  mostra vai até 03 de setembro.

 

 

Sobre a artista

 

Iole de Freitas nasceu em Belo Horizonte, 1945. Uma das mais importantes escultoras

brasileiras, Iole de Freitas faz intervenções espaciais em grandes prédios, sendo seu destaque

na Documenta Kassel de 2007 no prédio Fridericianum Museum. As esculturas são criadas com

arame, tela, aço, cobre e policarbonato modulares. Suas obras pertencem aos acervos do

MAM/Rio de Janeiro, MAM/São Paulo, MAC/Niterói, Pinacoteca do Estado de São Paulo,

Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte,

Museu de Arte Contemporânea, Porto Alegre, e várias fundações e museus do exterior. Entre

as diversas exposições individuais e coletivas em todo o mundo destacam-se: 9ª Bienal de Paris

(1975); 15ª Bienal Internacional de São Paulo (1981); exposição itinerante “Cartographies”

(1993), na Biblioteca Luis Ángel Aranjo (Bogotá, Colômbia), no Museo de Artes Visuales

Alejandro Otero (Caracas, Venezuela), na National Gallery (Ottawa, Canadá), no Bronx

Museum (Nova York, EUA) e na La Caixa (Madri, Espanha); Bienal Brasil Século XX (São Paulo,

1994); a individual “O corpo da escultura: a obra de Iole de Freitas”, curada por Paulo

Venancio Filho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Paço Imperial do Rio de Janeiro

(1997); Projeto de instalações permanentes do Museu do Açude, no Rio de Janeiro (1999);

individual no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2000), “Iole de Freitas”, no Museu

Vale (Vila Velha, 2004), e “Iole de Freitas”, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro,

2005), todas com curadoria de Sônia Salzstein; 5ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2005). Em

2007 Iole foi convidada para realizar um projeto específico para a Documenta 12, de Kassel,

Alemanha, e em 2008 apresentou seu trabalho na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

Em 2009-2010 expôs na Casa França-Brasil (Rio de Janeiro) e na Pinacoteca do Estado (São

Paulo), e participou da mostra “O Desejo da Forma” na Akademie der Kunst, em Berlim,

Alemanha. Na Art Rio 2012 recebeu destaque no Solo Projects com a curadoria de Pablo Leon

de La Barra.

Damián Ortega na Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Paisagem”, a nova exposição de Damián Ortega. O artista mexicano emprega o isopor em dois novos trabalhos de grande escala. As instalações são um desenvolvimento do seu recente trabalho junto de escultores do carnaval carioca, no MAM do Rio de Janeiro. De um lado, o material de caráter efêmero se solidifica numa alusão à arquitetura modernista de São Paulo. De outro, ele se transforma numa paisagem abstrata onde sobras e desperdício desempenham papel central e revelam a ênfase dada ao processo.

 

Na obra “Abertura”, instalada no alto do saguão da galeria, Ortega recria em isopor e gesso uma secção do teto do terraço do Edifício Bretagne. Esse prédio, construído em 1959 e projetado por João Artacho Jurado, é considerado um marco da arquitetura paulistana. Os característicos círculos vazados do seu teto, que no prédio modernista permitem a passagem de luz e chuva, ecoam o desejo do artista de criar canais que conectem interior e exterior, como se sua obra fosse um exercício de abrir janelas.

 

Essa relação é explorada também em “Paisagem”, a instalação que dá nome à mostra. Ortega furou um cubo de isopor de 2,5 m a partir de seu centro, deixando que todo o pó do material se espalhasse pelo térreo da galeria. A “casca” do cubo permanece no espaço e age como a memória de sua forma, agora fragmentada em inúmeras partículas. Há aí uma certa ironia em fazer uma paisagem nevada para São Paulo, mas também o interessante jogo de trazer o interior do cubo para fora, que por sua vez está dentro de outro cubo, que é a galeria. Ortega enfatiza a experiência e o processo, evocando o interminável ciclo de transformação da matéria.

 

 

Sobre o artista

 

Damián Ortega nasceu na Cidade do México em 1967, e atualmente vive e trabalha entre sua cidade natal e Berlim. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Casino, Hangar Bicocca (Milão, 2015); O Fim da Matéria, MAM (Rio de Janeiro, 2015); Cosmogonia Doméstica, Museo Jumex (Cidade do México, 2014); Apestraction, The Freud Museum (Londres, 2013); Do it yourself, Institute of Contemporary Art (Boston, 2009);  Champ de Vision, Centre Pompidou (Paris, 2008); The Uncertainty Principle, Tate Modern (Londres, 2005); Cosmic Thing, Institute of Contemporary Art (Filadélfia, 2002). Destacam-se ainda suas participações nas Bienais de Sharjah (2015), de Veneza (2013 e 2003), de Havana (2012), de São Paulo (2006), de Berlim (2006), de Sydney (2006) e de Gwangju (2002). Sua obra está presente em diversas coleções públicas ao redor do mundo, como MOMA (Nova York), MOCA (Los Angeles), CIFO (Miami), Centre Pompidou (Paris), Fundación Jumex (México) e Inhotim (Brumadinho), entre outras.

 

 

De 04 a 29 de agosto.

Osgemeos comunicam

31/jul

A partir de amanhã, 01, das 23:57 até 00:00 de cada noite do mês de Agosto, estaremos

apresentando uma animação dos nossos personagens, em meio a um dos lugares mais

urbanos e emblemáticos do mundo: no Times Square, em NYC. “Conexão Paralela” é o titulo

deste nosso novo projeto que participará do “Midnight Moment”, apresentado pela The Times

Square Advertising Coalition (TSAC) e Times Square Arts em parceria com a Galeria Lehmann

Maupin e produção da Birdo Studio. Em seus tradicionais painéis eletrônicos e bancas de

notícias, a Times Square sinaliza as 23:57 a contagem regressiva de se tornar durante 3

minutos uma galeria de arte digital a céu aberto. Através desse momento, queremos

estabelecer uma conversa entre o imaginário e o mundo real, conectar as pessoas com os

aspectos alegres e mágicos que cada indivíduo tem dentro de si através dos sonhos.

Na Galeria Eduardo Fernandes

27/jul

A artista Claudia Melli abre mostra inédita na Galeria Eduardo Fernandes, Vila Madalena, São Paulo, SP. Claudia Melli, que acaba de encerrar uma temporada de três meses no MAM-Rio, onde apresentou um recorte de sua carreira, expõe em São Paulo um trabalho totalmente novo em sua trajetória. Na mostra “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”  Claudia Melli exibe uma instalação de 26 metros composta por 37 peças de tamanhos variados, unidas de maneira linear, ocupando toda a extensão da galeria.

 

A artista utiliza nas peças a mesma técnica dos últimos trabalhos, nanquim sobre vidro, e explora limites entre o desenho e a pintura, que remetem à fotografias. Claudia Melli usa lâminas de vidro onde encontrou seu suporte ideal. Ela o banha em nanquim diluído em água e desenha na parte de trás com  nanquim. “O vidro tem sido o suporte que melhor responde à minha intenção de aproximar o desenho da fotografia. Para isso trago para o trabalho questões que são do universo da fotografia, como enquadramento, veracidade da imagem e principalmente a luz. A luz é potencializada pela transparência e reflexividade do vidro, características próprias desse material que está longe de ser um suporte passivo. Sua transparência deixa vazar o que está atrás, o tempo todo nos vemos e vemos o entorno refletidos quando observamos o trabalho,

 

Nesta instalação a artista conversa com o público sobre o humano. Ela conta que a linguagem do corpo ultrapassa as barreiras da  língua, as barreiras culturais, é a fala mais potente e honesta que se pode ter. Usou como referência os movimentos de Pina Baush, coreógrafa e bailarina alemã, ícone e criadora da “dança-teatro” contemporânea, focada no elemento humano e na sensibilização e reflexão do público. “Quando comecei a pensar essas imagens tinha em mente como as individualidades se relacionam, se fragmentam, se conectam,  desconectam, e seguem sendo únicas”, diz a artista. É notório, na história da arte, que fotógrafos tenham se inspirado na obra de grandes pintores e na forma como eles captavam a luz. Goya, Caravaggio e todo o impressionismo francês fazem parte dessas referências. A exposição “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música” percorre justamente o caminho inverso: o código fotográfico é o caminho para a artista chegar a seus desenhos.

 

 

Sobre a artista

 

Claudia Melli nasceu em São Paulo, onde morou até os 14 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1980, onde construiu sua formação artística. Começou a se interessar por pintura no final dos anos 90 e passou a frequentar aulas no Parque Lage, de pintura, desenho, gravura, teoria, arte digital, entre outros. Claudia Melli vem traçando sua carreira utilizando o desenho, a luz, o enquadramento e o pensamento da fotografia. Já participou de exposições individuais no Rio de Janeiro, São Paulo e em Basel (Suiça), e recebeu em 2012 o II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea. Seus trabalhos estão em coleções como o Instituto Figueiredo Ferraz; Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ; Coleção Banco Espírito Santo ; Artur Lescher; Heitor Martins e José Olympio Pereira.

 

 

Até 17 de outubro.

Iole de Freitas no MAM/Rio

17/jul

Neste sábado, dia 18 de julho, às 15h, o MAM Rio, Parque do Flamengo, inaugura a exposição “Iole de Freitas – O peso de cada um”. Com curadoria de Ligia Canongia, a mostra vai ocupar o Espaço Monumental do Museu com uma instalação inédita, feita especialmente para o local, composta por três esculturas de grandes dimensões, duas suspensas e uma no chão, em aço inox espelhado e fosco, que pesam no total quase quatro toneladas.

 
Um dos grandes nomes da arte contemporânea, Iole de Freitas comemora 70 anos em 2015, e a exposição no MAM traz ainda trabalhos em vidro com impressão fotográfica sobre película, da série “Escrito na água”, de 1996/1999, pertencentes a seu acervo pessoal e à Coleção Gilberto Chateaubriand/ MAM Rio.

 
Com uma trajetória de mais de quarenta anos de atividade, celebrada em exposições em espaços prestigiosos no Brasil e no exterior, Iole de Freitas está trabalhando agora com chapas de aço, e não mais com as estruturas em policarbonato e tubos de aço inox, que marcaram sua produção desde 2000, quando expôs no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, no Rio.

 
Iole de Freitas construiu para o Espaço Monumental do Museu duas esculturas aéreas, suspensas no ar, com chapas de aço inox de 6m x 1,5m, curvadas, com fortes torções, tensionadas por linhas de aço – que a artista chama de “flechas” – pesando cada em torno de 700 a 800 quilos. A terceira escultura estará no chão, em meio às outras duas, pesando em torno de duas toneladas, com aproximadamente 7,80m de comprimento, cinco de metros de largura e três metros de altura. Envio abaixo o convite virtual.

 

 

Texto de Ligia Canongia

 

Nesta exposição, Iole de Freitas substitui as placas de policarbonato anteriores por

lâminas de aço inox, cuja resistência é maior e a maleabilidadedifícil, exigindo torções

mais intensas.Apesar dessas propriedades, contudo, as esculturas são suspensas no

ar, evoluem como uma coreografia aérea imponderável, contrapondo a seu peso

original a ideia de leveza e movimento.

 

A linha tênue entre o gesto expressivo e a precisão formal, que sempre acompanhou o

trabalho, permanece agora, mas com a recuperação discretados reflexos e

espelhamentos que a artista utilizava nas peças dos anos 1970.

 

De sua formação em dança, Iole guardou o valor dos deslocamentos e da elasticidade

dos corpos no espaço, assim como o caráter ao mesmo tempo preciso e volúvel das

formas. As placas resistentes do aço surgem, portanto, como um desafio para o

trabalho, com novos arranjos formais, maior dispêndio de forças em seu equilíbrio,

tensões mais arrojadas entre a escultura e o lugar, além de um embate enfático entre

o poético e o estrutural.

 

Entre o espelhamentoturvo de um lado da lâmina e a opacidade absoluta da outra

face, inscreve-se simultaneamente um corpo rígido e fluido, que ora absorve o

exterior, ora se afirma como obstáculoradical ao olhar. A obra, afinal, delimita um

campo ambíguo, que, em última instância, flutua entre o gosto clássico e o espírito

pré-romântico, no debate constante entre o exame racional das formas e sua

exuberância lírica.

 

Ligia Canongia