Gravura de Ana Linnemann

25/mar

O Museu da Chácara do Céu, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a primeira edição de 2015 do projeto “Os Amigos da Gravura”. A artista convidada Ana Linnemann apresenta a obra Bordadinho modernista no 5. Trata-se de um desenho em feltro com formas geométricas determinadas por um par de agulhas e seus bordados, a partir de algumas relações de diferenciação: o círculo e o quadrado, o azul e o vermelho, a frente e o verso.

 

Segundo a crítica de arte Glória Ferreira as cores azul e vermelho simbolizam “quente e frio; fogo e água; paixão e energia ao lado de serenidade e monotonia. É este par de cores que tem utilizado Ana Linnemann, como uma espécie de sujeitificação da cor. Com sua clara separação e alteridade, o par de cores traz também questões de gênero, com o azul alinhado ao masculino e o vermelho ao feminino. A relação entre o vermelho e o azul é uma evocação, talvez sem controle racional.”

 

Além do tradicional trabalho inédito para “Os Amigos da Gravura”, a artista irá ocupar uma sala expositiva do terceiro andar com uma estante de nove metros na qual estarão dispostos diversos elementos com as cores azul e vermelho: livros, garrafas, um cálice, pratos, maçãs, um dado azul com o número seis e um dado vermelho com o número um, um par formado por uma lâmpada azul e outra vermelha. Trata-se de um desenvolvimento da série de trabalhos de Ana Linnemann denominada “Cartoon”. A estante que vai ocupar o espaço não serve para guardar, mas apresenta, como num arquivo,  trabalhos recentes. “Porém ali, não são os objetos que estão na prateleira, mas a prateleira que está nos objetos. Ela os envolve, esvaziando-os e a si própria de uma funcionalidade convencional,” declara  Ana Linnemann.

 

 

Sobre a artista

 

Ana Linnemann trabalha a partir de uma trama de materiais, objetos e técnicas. Segundo o crítico Moacir dos Anjos, seu trabalho “é informada por uma vontade de se deter com vagar diante dessas muitas coisas que habitam o mundo, considerando-as naquilo que têm de mais claro e, ao mesmo tempo, no que têm de oculto (…). Coisas que despertam ou comprovam na artista uma imensa atração pelo comum da vida, levando-a a acercar-se delas o mais possível para entender sua natureza banal e mundana, com se fosse a primeira vez que as visse”.  Suas obras já foram apresentadas em instituições como  o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (RJ), Museu de Arte do Rio (MAR), Paço Imperial (RJ), Museu Histórico Nacional, Galeria Laura Alvim (RJ), Centro Cultural Maria Antônia (SP), Centro Cultural São Paulo (SP), Sculpture Center (Nova York), Museo del Barrio (Nova York), Long Island University (Nova York), MALBA (Buenos Aires), o Oslo Kunstforening (Oslo), o Museu Imperial de Petrópolis. Em 2004, recebeu as bolsas Vitae (São Paulo) e Pollock-Krasner (Nova York). Em 2011, recebeu o prêmio Pró-Artes Visuais da Secretaria de Cultura da cidade do Rio de Janeiro, para a produção da monografia Ana Linnemann Ultra Normal (Cosac Naify). Em 2013 foi um dos artistas contemplados pelo prêmio Arte e Patrimônio, Iphan, MinC. Graduou-se em Design pela PUC-Rio e obteve mestrado em Escultura pelo Pratt Institute, NY, e doutorado em Linguagens Visuais pela Eba-UFRJ, RJ

 

 

Sobre o projeto Os Amigos da Gravura

 

Raymundo de Castro Maya criou a Sociedade dos Amigos da Gravura no Rio de Janeiro em 1948. Na década de 1950 vivenciava-se um grande entusiasmo pelas iniciativas de democratização e popularização da arte, sendo a gravura encarada como peça fundamental a serviço da comunicação pela imagem. Ela estava ligada também à valorização da ilustração que agora deixava um patamar de expressão banal para alcançar status de obra de arte. A associação dos Amigos da Gravura, idealizada por Castro Maya, funcionou entre os anos 1953-1957. Os artistas selecionados eram convidados a criar uma obra inédita com tiragem limitada a 100 exemplares, distribuídos entre os sócios subscritores e algumas instituições interessadas. Na época foram editadas gravuras de Henrique Oswald, Fayga Ostrower, Enrico Bianco, Oswaldo Goeldi, Percy Lau, Darel Valença Lins, entre outros.

 

Em 1992 os Museus Castro Maya retomaram a iniciativa de seu patrono e passaram a imprimir pranchas inéditas de artistas contemporâneos, resgatando assim a proposta inicial de estímulo e valorização da produção artística brasileira e da técnica da gravura. Este desafio enriqueceu sua programação cultural e possibilitou a incorporação da arte brasileira contemporânea às coleções deixadas por seu idealizador. A cada ano, três artistas plásticos são convidados a participar do projeto com uma gravura inédita. A matriz e um exemplar são incorporados ao acervo dos Museus e a tiragem de cada gravura é limitada a 50 exemplares. A gravura é lançada na ocasião da inauguração de uma exposição temporária do artista no Museu da Chácara do Céu. Neste período já participaram 44 artistas, entre eles Iberê Camargo, Roberto Magalhães, Antonio Dias, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Emmanuel Nassar, Carlos Zílio, Beatriz Milhazes e Waltercio Caldas.

 

 

Até 06 de julho.

Mécanique des femmes

Chama-se “Mécanique des femmes – la suíte” a exposição do consagrado fotógrafo Miguel Rio Branco atual cartaz da Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. Em sua última exposição na Silvia Cintra + Box 4 em 2013, Miguel Rio Branco mostrou fotografias que em sua totalidade falavam sobre o feminino de forma suave e poética.

 

Para esta nova exibição, o artista propõe uma continuação do tema, mas desta vez transformando completamente o espaço da galeria e trazendo novos materiais para compor uma verdadeira “suíte” misteriosa e sensual. A luz será baixa e as paredes serão todas pintadas de cinza e o chão de vermelho. Numa tela em LED o espectador poderá ver filmes do artista, passando ininterruptamente ao lado de aquarelas em papel pintadas, também repletas de um erotismo velado.

 

Em outra parede, um mural de ferro traz uma assemblage de fotografias, impressas no seu próprio atelier, sobrepostas e coladas a outros objetos, formando um altar perverso e sensual. Os trípticos e dípticos fotográficos, marcas da obra de Miguel também completam o ambiente. Ao todos serão 6 novas peças, feitas especialmente para a continuação da “Mécanique des femmes”.

 

Para completar o clima da mostra, foram produzidas caixas de luz (backlights) que o artista apresenta pela primeira vez. Um trabalho de parede e três mesas de luz que revelam transparências de imagens do corpo feminino nu. Conhecido como um dos maiores nomes da fotografia brasileira, Miguel Rio Branco acredita que esta exposição é uma chance para o espectador entender um pouco mais sobre o seu processo criativo. A colagem de várias imagens, interferências de objetos que vão ganhando novos significados, desenhos, pinturas e não somente a fotografia completam o universo que Miguel explora e transforma.

 

 

Até 25 de abril.

Paiva Brasil exibe Tangentes

A Galeria Mercedes Viegas, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição de pinturas de Paiva Brasil intitulada “Tangentes”, com curadoria do colecionador Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho. A mostra é constituída de 12 quadros-objeto, recentes e inéditos, realizados em módulos de madeira, revestidos de tela e tinta acrílica. Estas obras ocuparão os espaços maiores da galeria. Na sala menor serão apresentadas cerca de sete obras datadas das décadas de 50, 70 e 80, com o objetivo de mostrar o percurso do artista e a coerência entre as suas diferentes fases.

 

 
Sobre o artista

 
Paiva Brasil iniciou seus estudos em arte no antigo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro na década de 50, logo em seguida frequentou, no MAM RJ, o curso de Desenho Estrutural e Composição com Santa Rosa. Mais tarde, no mesmo museu foi aluno de pintura com Sansom Flexor.

 
Paiva Brasil faz parte de um importante grupo de artistas, como Ivan Serpa, Décio Vieira, Ubi Bava e Rubem Ludolf. Embora não tenha participado diretamente das manifestações concretistas da década de 50, está alinhado a este movimento.

 
Ao longo de seis décadas, Paiva Brasil vem desenvolvendo trabalhos enraizados na experiência construtivista, de caráter abstrato-geométrico, aliados ao lúdico, em que a estrutura formal se desenvolve na busca de envolver o olhar em uma leitura dinamizada da forma e da cor no espaço. Uma obra rica visualmente, que, mesmo sendo simples e sóbria, não elimina a intensidade e o encantamento silencioso do olhar.

 

 
Até 18 de abril.

Projeto Viés

20/mar

A Way Design, Barra, Rio de janeiro, RJ, apresenta o “Projeto Viés”, a primeira linha da coleção 2015. A série é composta por peças inéditas assinadas por premiados designers nacionais contemporâneos como Zanini de Zanini, Ronald Scliar Sasson e Flavio Franco, e ainda nomes marcantes do design, como Aida Boal e o saudoso José Zanini Caldas. Os móveis abusam da madeira catuaba unindo o modernismo e o clássico.

 

De um lado, as formas puras, criadas por ícones criativos das décadas de 50 e 60, que contavam com os recursos nem sempre suficientes da indústria moveleira nacional, ainda em seus primeiros passos. Do outro, uma geração que poderia contar exclusivamente com tecnologia a serviço do móvel, mas que não abre mão da poesia. Com o intuito de reunir tradicionais nomes de diferentes épocas em uma única e exclusiva coleção, nasceu a ideia do projeto, um selo mobiliário assinado, catalogado e carregado de histórias. “Com o Viés, vamos apresentar uma linha de raciocínio, que têm brasilidade em diferentes momentos, como o Zanini Caldas, nos anos 50, e o Ronald Scliar Sasson e o Flavio Franco, na década de 90. Sempre reforçando o contraste de diferentes regiões dessa imensidão que é o Brasil”, completa Zanini de Zanine. A cenografia das lojas é assinada por Beto Consorte.

 

 

A partir de 26 de março.

Nova mostra de Maria Lynch

A Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Aforismas, Rizomas e Selvageria”, individual de Maria Lynch. O chão do grande salão térreo da galeria, que tem 140 metros quadrados de área, será inteiramente coberto com pipoca, que será fabricada pela artista no próprio espaço de exibição. Neste espaço, serão apresentadas doze obras inéditas, produzidas este ano especialmente para a mostra – sete pinturas em grande formato e seis esculturas. A mostra será acompanhada de uma entrevista com a curadora Luisa Duarte.

 

“Um cenário, um ambiente, uma cena; pipoca vira adereço no chão, vira sonoplastia, o espectador pisa, não come. Participa ao entrar, o papel do entertainment é sensorialmente alterado”, diz Maria Lynch.

 

As pinturas em grande formato, com tamanhos que chegam a 2m X 3,45m, com cores fortes e vibrantes, características do trabalho da artista, serão colocadas na parede próxima ao chão e não na altura dos olhos, como é de costume nas exposições. A mostra terá, ainda, uma escultura de parede, de 180cm de diâmetro, em tecido e acrylon, e quatro esculturas de chão, intituladas “Dramatização Invertida”, feitas com brinquedos de plástico, e pintadas cada uma de uma cor: verde, branco, rosa e laranja. “Aqui utilizo brinquedos de plástico que brincamos na infância para projetarmos o ser adulto, aqui inverto essa ordem fazendo o adulto lidar com esta dissolução”, explica a artista.

 

Ao entrar, a mostra sugere elementos de cinema. “O filme está em proporção alterada, o que está dentro da tela não se mexe, falo da pintura, mas fazendo com que ela confronte o espectador de uma outra maneira. Nessa minha busca pelo que se expande da pintura, o que ativa o sensorial e o sensível do imaginário, pratico romper com este sistema, provocar a estranheza da ambiguidade do sentir, da memória, essa fragmentada para excluir a lógica”, afirma a artista.

 

 

Sobre a artista

 

Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1981, e atualmente vive e trabalha em Nova York. É formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu pós- graduação e mestrado em 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, em 2008, com itinerância a partir de Londres para outras cidades da Inglaterra. No mesmo ano participou de “Nova Arte Nova”, no CCBB, Rio e São Paulo, com curadoria de Paulo Venâncio Filho. Em 2010, ganhou o Prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça. Em 2011, integrou a 6º Bienal de Curitiba Vento Sul, com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, mostrou a instalação “Ocupação Macia”, no Paço Imperial, Rio, e a performance “Incorporáveis”, no MAM Rio. Foi convidada para expor durante as Olimpíadas de Londres, 2012, no Barbican Centre. Em 2013, fez exposição individual “Acontecimento Encarnado”, na Anita Schwartz Galeria de Arte e mostrou “Bordalianos do Brasil” na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Depois de realizar uma residência artística na Residence Unlimited, em Nova York, EUA, em 2014 foi contemplada com o Prêmio da Embaixada brasileira para uma exposição individual na Storefront For Art and Arquitecture, em Nova York , EUA, que será realizada em maio deste ano. Maria Lynch está presente em importantes coleções públicas como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Centro Cultural Candido Mendes, no Rio, Brasil, Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM Rio, Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, e Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.

 

 

De 26 de março a 09 de maio.

No Solar das Palmeiras

19/mar

Na primeira edição do ano do evento O Cluster, o artista Eduardo Denne apresenta um formato inédito de live painting (pintura ao vivo). No dia 29 de março (domingo), O Cluster chega a sua 11ª edição, no Solar das Palmeiras, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, das 13h às 21h, com uma seleção de jovens empreendedores e artistas apresentando seus produtos e criações. Na primeira edição de 2015, o evento abrigará, além das marcas de moda e design, chefs de gastronomia e DJs convidados, o trabalho do artista plástico e desenhista gráfico Eduardo Denne, que irá apresentar o primeiro live painting de Stencil do evento.

 

O público conhecerá um pouco a arte do stencil, uma forma muito popular do graffiti que utiliza uma placa como molde para criar a figura. O live painting desta vez começará antes mesmo do evento, com vídeos que registrarão o processo de criação do artista. “Levo dois, três dias para fazer um trabalho. Não tenho a urgência que o graffiti pede. Meu trabalho é a arte final. Eu planejo, não rascunho.”, explica, com uma forte marca autoral nos temas de cultura fashion e urbana. Denne, que já fez trabalhos para a Nike, Adidas, Converse, entre outros, é muito conhecido por rostos que faz de stencil de varias celebridades.

 

 

Em 29 de março.

Fotografias de Eggleston

16/mar

O Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta “William Eggleston, a cor americana”, maior exposição individual do fotógrafo norte-americano já realizada no mundo. A mostra apresenta 172 obras, pertencentes a coleções prestigiosas como a do Museu de Arte Moderna de Nova York, Museum of Fine Arts de Houston, acervo pessoal do artista e das galerias Cheim & Read e Victoria Mir.

 

William Eggleston é um dos maiores nomes da história da fotografia do século XX. Suas famosas imagens coloridas apresentam o cotidiano e a paisagem das pequenas cidades e subúrbios do sul dos Estados Unidos, a região natal do fotógrafo, durante os anos 1960 e 1970. Eggleston abriu novos caminhos para a fotografia ao mirar suas lentes nos elementos que simbolizavam a modernização americana (carros, estradas, supermercados, outdoors, shopping centers, estacionamentos, motéis), ao apresentar essa realidade em cores vibrantes, e ao registrar o próprio dia a dia, apresentando amigos, familiares e outros personagens em imagens que combinam intimidade e estranhamento. Nos anos de Elvis Presley e Martin Luther King, o sul dos Estados Unidos ainda vivia as cicatrizes do passado escravocrata, com intensos conflitos raciais e uma classe média interessada em usufruir dos novos padrões de consumo.

 

William Eggleston descobriu o sucesso em 1976, quando o influente John Szarkowski, na época diretor do departamento de fotografia do MoMA/NY, organizou uma exposição de suas fotografias coloridas na instituição. Até então, o preto e branco dominava a fotografia de arte. A exposição, que apresentava cenas prosaicas, uma liberdade na composição das imagens e apostava na sedução da cor – até então mais presente na fotografia amadora e publicitária –, tornou-se objeto de intenso debate entre a comunidade fotográfica, e foi duramente criticada. Ao longo dos anos, no entanto, a mostra se transformou num marco.

 

Hoje, as imagens de Eggleston estão entre as mais célebres da história da fotografia, com uma lista de admiradores que vai da fotógrafa Nan Goldin ao músico David Byrne, do cineasta Wim Wenders ao brasileiro Karim Aïnouz. Filmes como “Elefante”, de Gus Van Sant, foram notoriamente inspirados no universo visual do fotógrafo. Tanto Van Sant quanto David Byrne convidaram Eggleston para colaborar em seus projetos.

 

“William Eggleston, a cor americana” é uma das maiores exposições já realizadas sobre o artista e traz ao Brasil, pela primeira vez, uma extensa seleção de fotografias produzidas durantes as décadas de 1960 e 1970, considerados os anos de ouro do fotógrafo. Um dos núcleos da mostra reunirá boa parte das fotografias presentes na lendária exposição de 1976, no MoMA. Outras duas salas reunirão as imagens da série “Los Alamos”, resultado de diversas viagens de carro pelo sul dos Estados Unidos, do Delta do Mississippi à Califórnia, entre 1965 e 1974. Os dois conjuntos são formados por cerca de 150 raras e delicadas fotografias feitas através do processo de dye-transfer, uma técnica de impressão fotográfica quase extinta, que se tornou marca registrada do artista por permitir um controle preciso das cores e intensa saturação.

 

Mesmo os fãs de Eggleston se supreenderão com a exposição, que também trará obras menos conhecidas, mas não menos importantes, do período. É o caso do formidável conjunto de retratos feito com uma câmera de grande formato em 1974 e conhecido como 5×7, em referência ao tamanho das chapas usadas. É também o caso de um conjunto de cinco fotografias em preto e branco, feitas antes que Eggleston abraçasse definitivamente a cor. O filme experimental “Stranded in Canton” (Encalhado em Cantão), rodado em preto e branco entre 1973 e 1974, com registros íntimos e de noitadas com amigos nos bares de New Orleans será exibido em uma das salas da casa da Gávea.

 

William Eggleston, a cor americana tem curadoria de Thyago Nogueira, editor da revista ZUM e coordenador de fotografia contemporânea do IMS. O projeto expográfico é de Martin Corullon, do escritório Metro Associados, e a identidade visual é da artista gráfica Luciana Facchini.

 

 

Até 28 de junho.

Expoente da arte contemporânea argentina abre mostra no MAM Rio

13/mar

 

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Mutações” de Matías Duville. Primeira individual no Rio de Janeiro de um dos mais destacados artistas contemporâneos argentinos surgidos na última década. Detentor de grande visibilidade internacional, Duville colocou a arte argentina recente em posição de destaque tanto no circuito de exposições quanto no mercado. Suas obras estão presentes na coleção do Museu de Arte Moderna de New York – MoMA, Fundação Patricia Cisneros (New York), Fundação Arco (Espanha), Museo de Arte Latino Americana de Buenos Aires  – Malba, Tate Modern, entre outros.

 

Sob a curadoria do crítico Santiago Navarro, a mostra reúne 103 obras obras realizadas a partir do ano 2000. O curador propõe uma interpretação iconográfica de uma seleção de desenhos, pinturas e instalações nas quais aparecem recorrentemente quatro imagens-idéias estruturantes da produção do artista: mutação, abrigo, intempérie e imaginário, que mapeiam o percurso de sua poética e oferecem uma perspectiva complexa e abrangente dessas questões.

 

O trabalho de Duville “ao elaborar quase que sistematicamente imagens de casas, cabanas, lareiras, troncos ocos, interiores de corpos, animais, carros, aviões etc, sempre sob ameaça ou após uma devastação, explora assuntos ligados à intempérie contemporânea: o que significa o hábitat, o que é a proteção, o que é o território, o que é o limite, o que é o estado da matéria, e qual é a relação entre tudo isso com o primitivo e o ancestral. Em sua obra, distintas dimensões do subjetivo, aparentemente ausentes, são traduzidas a figurações de espaço, corpo e objeto. As imagens de paisagens, objetos na paisagem (ou no vazio), estruturas arquitetônicas e de engenharia, formas se deslocando, situações de observação, poderiam ser interpretadas como a espacialização de um ponto de vista peculiar sobre os territórios de instabilidade que impactam nos afetos e emoções do nosso presente”, explica Santiago Navarro.

 

A realização da exposição “Mutações” de Matias Duville busca consolidar o intercâmbio artístico entre Brasil e Argentina e intensificar as trocas e debates que extrapolam fronteiras territoriais e mostram a arte e sua multiplicidade. Com Adrián Villar Rojas, Eduardo Navarro, Eduardo Basualdo, Diego Bianchi, Pablo Acinelli, Tomás Espina e Leandro Tartaglia, Duville integra uma geração de artistas argentinos que ganhou visibilidade internacional a partir da primeira década de 2000.

 

 

Sobre o artista

 

Nasceu em 1974 em Buenos Aires, Argentina. Estudou na Escuela de Artes Visuales Martín Malharro, Mar del Plata (1995-1998). Entre 1999 e 2002, como bolsista da Fundação Antorchas, estudou com Daniel Besoytaorube em Mar del Plata e com Jorge Macchi em Buenos Aires. Participou do programa TRAMA (Mar del Plata, 2004) e dos “Talleres de Artes Visuales para artistas”, dirigidos por Guillermo Kuitca e organizados pelo Centro Cultural Rojas, da Universidade de Buenos Aires (2003-2005). Em 2013, o Drawing Center (Nova York) editou seu livro “Alaska”, com a totalidade dos desenhos do projeto homônimo. No mesmo ano, foi finalista do “Prix Canson” (Paris). Em 2011, ganhou a John Simon Guggenheim Memorial Foundation Fellowship. Foi artista residente em Flora (Honda, Bogotá, 2014), SAM Art Projects (Paris, 2013), Skowhegan (Maine, Estados Unidos, 2011), Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, 2010), Revolver (Lima, 2008), Civitella Ranieri (2007, Umbria, Itália) e RIAA (Ostende, Buenos Aires, 2005). Suas exposições individuais mais recentes foram: “Escenario, proyectil” (Galeria Luisa Strina, São Paulo, 2015), “Precipitar una especie” (Galeria Barro, Buenos Aires, 2014), “Karma-Secuencia-Deriva” (Galeria Revolver, Lima, 2014), “Life in an Instant” (Galeria Georges-Philippe & Nathalie Vallois, Paris, 2014), “Discard Georgaphy” (École des Beaux-Arts, Chapelle des Petits-Augustins, Paris, 2013), “Safari” (MALBA, Buenos Aires, 2012), “Los martes menta” (Galeria Revolver, 2012) e “Whistle” (Galeria Nueveochenta, Bogotá, 2011). Anteriormente, fez as individuais “Cover” (MUSAC, León, Espanha, 2007) e “Autocine” (MACRO, Rosário, Argentina, 2005). Possuem obra suas as seguintes coleções: MALI (Lima), MALBA (Buenos Aires), MAMBA (Buenos Aires), MUSAC (León), Jack S. Blanton Museum (Austin, Estados Unidos), MACRO (Rosário), MoMA (Nova York), CIFO (Nova York), Tate Modern (Londres) e Fundação ARCO (Madri). Vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina.

 

 

De 14 de março a 10 de maio.

Inéditos de Fabio Innecco

A Galeria Modernistas, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Coleção Urbanidade”, assinada pelo pintor Fabio Innecco. Depois de passar pela Escola de Belas Artes, o artista recebeu o Prêmio Esso de Pintura, e outro concedido pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC, Isenção de Júri no Salão de Arte Moderna, além de ter participado de uma coletiva na Alemanha, entre outras individuais no Rio de Janeiro e São Paulo.

 

A exposição trata da idéia de renovação, misturando as linguagens visuais do moderno e contemporâneo. Na mostra atual, o artista apresenta doze trabalhos inéditos baseados em investigações gráficas de tintas e raspas de jornais. Sempre atento às questões referentes à forma, tamanho e geometria, Fabio costuma transparecer em seus trabalhos uma busca incessante da textura e superposição de cores. Fabio coloca seus temas de forma livre. O contexto urbano e ícones colhidos no cotidiano aparecem nesta exposição, que entre suas cores também agrega textos manuscritos, símbolos, signos, números e letras, causando a curiosidade de um discurso estético em uma tela plana.

 

Segundo Wilson Lázaro, diretor artístico da Galeria Modernistas, “…é possível fazer arte com todo e qualquer material, e Fabio consegue demonstrar isso na tela”, afirma.

 

 

De 14 de março a 26 de abril.

Made in Brasil

11/mar

Chama-se “Made in Brasil” a exposição inédita que reunirá na Casa Daros Rio, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, mais de 60 obras de alguns dos mais importantes artistas brasileiros da contemporaneidade. São instalações, fotografias, objetos, vídeos e desenhos de Antônio Dias, Cildo Meireles, Ernesto Neto, José Damasceno, Miguel Rio Branco, Milton Machado, Vik Muniz e Waltercio Caldas, todos pertencentes à Coleção Daros Latinamerica.

 

 

De 21 de março a 09 de agosto.