Para Ivens Machado

26/abr

O MAM Rio, apresenta uma homenagem ao artista Ivens Machado (Florianópolis, 1942 – Rio de Janeiro, 2015), falecido há um ano, e que ao longo de cinco décadas produziu obras destacadas na cena contemporânea. Com curadoria de Fernando Cocchiarale, serão apresentadas, no Salão Monumental do Museu, dezesseis importantes obras do artista, algumas não vistas pelo público há anos. Estarão esculturas, instalações e desenhos pertencentes à Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio, e desenhos e um vídeo do Acervo Ivens Machado, projeto responsável pelo seu legado, a cargo da designer Mônica Grandchamp, colaboradora e amiga próxima do artista.  Ao longo de sua trajetória, iniciada em 1973, quando venceu o V Salão de Verão no MAM, participando a seguir da XII Bienal de São Paulo, Ivens Machado só teve no Museu uma exposição individual, em 1975, embora tenha integrado ali diversas mostras coletivas.

 

“Ivens talvez seja o artista de sua geração mais importante surgido no sul do país, ainda que sua obra tenha florescido no Rio de Janeiro, cidade em que se radicou a partir de 1964”, destaca Fernando Cocchiarale. O curador lembra que Ivens Machado foi “pioneiro da videoarte no Brasil – sua primeira experiência com este meio eletrônico foi feita em 1974, simultaneamente à de outros artistas como Anna Bella Geiger e Sonia Andrade”. “Algumas questões (ou eixos poéticos) atravessam o conjunto da obra de Ivens desde seu florescimento efetivo, lá pelo começo dos anos 1970, até seus trabalhos finais dos dois últimos anos. Tais eixos poéticos resultam de práticas de permanente construção/reversão, acionadas por Ivens para a produção de esculturas contaminadas por métodos e práticas da construção civil popular-comunitária, tanto no que diz respeito aos materiais de que são feitas – cimento, vergalhão, areia, azulejos, pedras etc. – como pelo rústico acabamento dos trabalhos”, observa.

 

Ocupando lugar de destaque no Salão Monumental estará a grande instalação “Cerimônia em três tempos” (1973), que será montada como na versão original, vencedora do V Salão de Verão do MAM Rio. Em uma referência a um açougue, a obra traz sobre um ambiente de  plástico branco três mesas de azulejos brancos, que recebem o sangue que pinga de uma carne pendurada. Na extensa parede de doze metros de comprimento, será projetado o vídeo “Encontro/Desencontro” (2008), de 12 minutos, de Ivens Machado, em codireção de Samir Abujamra. Nele, atores e acrobatas fazem um percurso que vai desde a extinta Perimetral, até uma cena poética em que balançam nus, suspensos em cordas.

 

A curadoria optou por não fazer divisões espaciais, ampliando a visão do espectador do conjunto da exposição, que ocupará ainda os dois espaços contíguos com as esculturas e os desenhos.

 

 

Esculturas e desenhos

 

“Mesas” (1996), em concreto armado, madeira e ferro, não é vista desde 2003. “Tapete” (1979), em concreto armado e vidro, foi exposta há sete anos. A exposição terá ainda uma das mais importantes obras de Ivens Machado, “Mapa Mudo” (1979), um mapa do Brasil feito com cacos de vidro verde cravados sobre cimento. Realizada durante a ditadura militar, a imagem evoca, ao mesmo tempo, as exuberantes florestas brasileiras e os muros das residências bem protegidas, sendo também um símbolo das fronteiras sociais e políticas no país. Em relação às esculturas, Fernando Cocchiarale acentua que “há que considerar também a reversão simbólica desses métodos e práticas representada pela precariedade anticartesiana dos resultados específicos destas obras que sequer correspondem aos quesitos funcionais das construções populares, fator que atribui a esses trabalhos um teor contradiscursivo”.

 

O curador destaca que estarão na exposição os primeiros três desenhos de Ivens Machado, dois de 1974 e um de 1980, em que fez, à mão, pautas sobre cadernos. Mais tarde, o artista passou a intervir “diretamente na operação das máquinas de pautar da indústria de cadernos, ou no velamento de pautas com tintas corretoras de estêncil para mimeógrafo”. “Marco inicial do florescimento poético de Ivens, a questão se manifesta de outra maneira, mas com o mesmo sentido e intenção contradiscursivos”. “Aqui o teor espacial normativo das pautas de caderno é desconstruído graficamente, por meio de linhas que se rompem ou quebram a uniformidade da página original, por meio de desvios e sinuosidades, ou são ‘corrigidas” por corretores de estêncil”, explica.

 

A série de dezesseis desenhos “Fluidos Corretores” (1976), com corretor para estêncil sobre papel, da Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio, ocupa uma extensão de quase dez metros, e será complementada com outro desenho da série, de 1974, feito com caneta sobre folha de caderno.

 

 

 

Sobre o artista

 

Ivens Machado (Florianópolis, SC, 1942 – Rio de Janeiro, RJ, 2015). Escultor, gravador e pintor. Estudou gravura na Escolinha de Arte do Brasil (EAB), no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Anna Bella Geiger (1933). Em 1974, fez sua primeira exposição individual na Central de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. Participou quatro vezes da Bienal de São Paulo – em 1981, 1987, 1998 e 2004 -, e também esteve na Bienal de Paris e na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Possui esculturas públicas no Palazzo di Lorenço, na Sicilia, Itália, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, no Jardim das Esculturas do MAM, São Paulo, no Jardim da Luz, na Pinacoteca de São Paulo, no Jardim das Esculturas do MAM, Salvador, e no Largo da Carioca, Rio de Janeiro (atualmente retirada até a finalização da reurbanização do Centro da Cidade). Sua última exposição individual foi na Casa França-Brasil, em 2011. Além dela, merecem destaque a exposição “Encontro/desencontro” (2008), no Oi Futuro; “Acumulações (2007), no Paço Imperial; “O Engenheiro de Fábulas” (2001), apresentada no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba, e no Museu Ferroviário da Vale do Rio Doce, em Vitória. Em 1975, ele realizou uma exposição individual no MAM Rio. Dentre suas principais exposições coletivas estão: “Lines”, na Hauser & Wirth, em Zurique , na Suiça e “On the Edge: Brazilian Film Experiments of the 1960s and Early 1970s”, no MoMA, em Nova Yok, ambas em 2014; “Sobrenatural”, na Estação Pinacoteca, em São Paulo e “Fato aberto: o desenho no acervo da Pinacoteca do Estado”, em 2013/2014; ”Violência e Paixão”, no MAM Rio e no Santander Cultural, no Rio Grande do Sul, em 2002; “Palavra Imagem”, no MAM Rio, e ”Espelho Cego”, no Paço Imperial e no MAM SP, ambas em 2001; ”Século 20: arte do Brasil-Brasil+500”, na Fundação Caloustre Gulbekian, em Portugal, em 2000; “Vista Assim Mais Parece um Céu no Chão”, 16oSalão Nacional de Artes Plásticas, no MAM Rio, e “Terra Incógnita”, no CCBB Rio, ambas em 1998; “Re-Aligning Vision”, no Museo del Barrio, em Nova York, em Arkansas, Austin, Monterey e Miami, nos EUA, e em Caracas, na Venezuela, em 1997; “A Fronteira dos Vazios – Livro  Objeto”, no CCBB Rio, em 1994; “A Caminho de Niterói” – Coleção João Sattamini, no Paço Imperial, em 1992, e no Centro Cultural São Paulo, em 1993; “Brasilian Contemporary Art”, no MAC – SP e “Brasil Segni D’Arte”, em Veneza, Milão, Florença e Roma, na Itália, ambas em 1993, entre outras.

 

 

 

Acervo Ivens Machado

 

 

O Acervo Ivens Machado é o projeto responsável pela gestão do acervo pessoal do artista, com curadoria da designer Mônica Grandchamp, amiga de longa data de Ivens Machado. Selecionado pelo Prêmio Funarte de Incentivo às Artes Visuais em 2015, para mapeamento da obra de Ivens Machado, e inscrito no Rumos Itaú Cultural 2016 – com resultado previsto para maio – o Acervo Ivens Machado tem como missão a catalogação da produção do artista, sua manutenção e visibilidade. Mônica Grandchamp é formada em desenho industrial pela Faculdade da Cidade, com pós-graduação iniciada em História da Arte e Arquitetura, na PUC-Rio, é professora de História da arte e História do design no Senac-RJ, desde 2011.

 

Texto de Fernando Cocchiarale

 

 

Esta mostra homenageia Ivens Machado, artista recentemente falecido, cuja contribuição para a história da arte brasileira das últimas cinco décadas ainda está por ser criteriosamente estabelecida. A maior parte das peças aqui expostas pertence ao MAM (coleção Gilberto Chateaubriand e coleção MAM), complementadas com obras do Acervo Ivens Machado, projeto responsável pela gestão do acervo pessoal do artista. Pioneiro da videoarte no Brasil (sua primeira experiência com este meio eletrônico foi feita em 1974, simultaneamente à de outros artistas como Anna Bella Geiger e Sonia Andrade, por exemplo), sua produção nessa mídia é marcada pela criação de situações em que o poder e seu tenso exercício é corporificado por atores que podem atuar em interação com o artista ou sem ele. Ivens talvez seja o artista de sua geração mais importante surgido no sul do país, ainda que sua obra tenha florescido no Rio de Janeiro, cidade em que se radicou a partir de 1964. No entanto algumas questões (ou eixos poéticos) atravessam o conjunto da obra de Ivens desde seu florescimento efetivo, lá pelo começo dos anos 1970, até seus trabalhos finais dos dois últimos anos. Tais eixos poéticos resultam de práticas de permanente  construção/reversão,acionadas por Ivens para a produção de esculturas contaminadas por métodos e práticas da construção civil popular-comunitária, tanto no que diz respeito materiais de que são feitas − cimento, vergalhão, areia, azulejos, pedras etc. – como pelo rústico acabamento  dos trabalhos. Há que considerar também a reversão simbólica desses métodos e práticas representada precariedade anticartesiana dos resultados específicos destas obras que sequer correspondem aos quesitos funcionais das construções populares, fator que atribui a esses trabalhos um teor contra-discursivo. Nos desenhos manuais de pautas de caderno, nos trabalhos em que Ivens interveio diretamente na operação das máquinas de pautar da indústria de cadernos ou no velamento de  pautas com tintas corretoras de estêncil para mimeógrafo marco inicial do florescimento poético de Ivens a questão se manifesta de outra maneira, mas com o mesmo sentido e intenção  contra-discursivos. Aqui o teor espacial normativo das pautas de caderno é desconstruído graficamente, por meio de linhas que se rompem ou quebram a uniformidade da página original por meio de desvios e sinuosidades, ou “corrigidos” por corretores de estêncil.

 

 

 

De 30 de abril a 26 de junho.

Verger/Guarnieri no Rio

25/abr

Em parceria com a Fundação Pierre Verger de Salvador, BA, a Galeria Marcelo Guarnieri apresenta a exposição “Pierre Verger” na inauguração de seu espaço expositivo em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. O local inaugurado exibirá obras produzidas durante toda a trajetória do fotógrafo e etnografista franco-brasileiro. Grande parte do trabalho que ele desenvolveu era dedicado à pesquisa e aos registros ligados às religiões de matriz africana.

 

Verger começou a fotografar e viajar pelo mundo em 1932, aos 30 anos de idade. Durante os 14 primeiros anos de sua carreira como fotógrafo, suas imagens foram publicadas nas mais importantes revistas francesas e internacionais da época. Em 1946, quando chegou à Bahia, converteu-se ao Candomblé, tornou-se o babalaô Pierre “Fatumbi” Verger e, embora levasse um estilo de vida nômade, Salvador passou a ser sua residência fixa. Hoje, a casa onde vivia abriga fundação homônima dedicada à sua obra, às pesquisas e ao intercâmbio cultural entre Brasil e África.

 

Em 2015, a Galeria Marcelo Guarnieri promoveu duas mostras de Verger em suas unidades de São Paulo e Ribeirão Preto. Para a mostra do Rio, a galeria apresentará um novo recorte dividido em 3 blocos. Um deles é dedicado apenas aos registros com foco em apetrechos musicais clicados em países da América Latina e África – essas imagens foram exibidas no MAM-Bahia em 1992 e mostram tambores, instrumentos de sopro e cordas usados em rituais e celebrações.

 

O outro conjunto apresenta uma série de imagens selecionadas pelos editores da Revue Noire – Jean Loup Pivin e Pascal Martin Saint Léon – e pelo próprio fotógrafo, a partir de 300 negativos que foram expostos ou transformados em cópias de altíssima qualidade e, posteriormente, nos fotolitos do livro “Le Messager”. Apresentada no ano de 1993, pela Revue Noire, no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie, na França e na Suiça, “Pierre Verger, – O Mensageiro” destacou a importância da arte e da cultura africana para o ocidente, com mostras que colocaram, novamente, o público europeu em contato com o trabalho do fotógrafo. Verger esteve presente na abertura desta exposição em Paris, e a Revue Noire conseguiu que ele assinasse uma certa quantidade de cópias. Não era uma prática comum na trajetória de Verger, que privilegiava os negativos, por representarem as suas memórias.

 

Por fim, o último bloco da exposição carioca apresenta um grupo vintage de fotos raras ampliadas pelo próprio Verger em diferentes períodos de sua carreira – a partir dos anos 30. Entre elas, se destaca uma vista panorâmica de Pequim, cenas urbanas de Nova York, Mali e França. Importante ressaltar que essas imagens reunidas pela galeria foram ampliadas manualmente em sais de prata e apresentam a assinatura de Verger ou o carimbo de identificação.

 

Além de abrir esta exposição inaugural, a Galeria Marcelo Guarnieri chega ao Rio de Janeiro representando artistas como: Gabriela Machado, Luiz Paulo Baravelli, Masao Yamamoto e Mario Cravo Neto.

 

 

A palavra de Verger

 

“Nós concordamos em definir fotografia nos seguintes termos: a fotografia permite ver o que não tivemos tempo de ver, porque ela fixa. E mais, ela memoriza, ela é memória. O milagre é que essa emoção sentida diante de uma fotografia muda, testemunha de um fato fixado por um instantâneo, possa ser sentida espontaneamente por outros, revelando um fundo comum de sensibilidade, frequentemente reprimida, mas reveladora de sentimentos profundos, constantemente ignorados.” (Pierre “Fatumbi” Verger, na ocasião da exposição Pierre Verger, Le Messager, realizada pela Reuve Noire, em Paris e na Suíça. Abril de 1993.)

 

De 30 de abril a 11 de junho.

Viva o Povo Brasileiro!

19/abr

O Centro Cultural Correios, Centro Histórico, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Viva o Povo Brasileiro!”, um panorama poético da arte popular brasileira sob a curadoria de Denise Mattar. Em exibição cerca de 150 obras de arte popular criadas pelos mais representativos nomes de diversas regiões do país como Mestre Vitalino, Jadir, João Egídio, Nhô Caboclo, Zezinha, Isabel, Galdino, Ranchinho, Miranda, Bajado, Miriam, Paul Pedro Leal, Chico Tabibuia, Julião, Ana das Carrrancas, Noemisa, Rita Loureiro, Heitor dos Prazeres, J. Borges, Aurelino entre muitos outros.

 

A proposta da exposição “Viva o povo brasileiro!” é a de mostrar ao público a extrema beleza das diversas formas da arte espontânea brasileira. O conjunto mapeia obras de vários estados exibindo uma visão abrangente que enaltece a qualidade dos trabalhos. As técnicas vão da pintura à escultura em amadeira, cerâmica, ex-votos e tábuas votivas, relevos e objetos. O temas abordam desde os santos às festas, cenas do cotidiano e animais selvagens. Uma explosão de cor, ritmo e alegria, permeada de lirismo, poesia e até de certa melancolia.

 

Segundo a curadora Denise Mattar, estamos finalmente assistindo ao crescimento do prestígio da arte popular brasileira com museus e importantes coleções, ressaltando sua importância, originalidade e requinte: “A exposição Viva o povo brasileiro! pretende revelar esse tesouro e mostrar ao público obras que pertencem a coleções particulares e que nunca foram vistas. A arte popular brasileira sempre foi mais valorizada pelos estrangeiros, e isto acontece desde a colonização. Nomes como o francês Jean de Léry (1536 – 1613), que escreveu sobre a arte plumária indígena, o suíço Blaise Cendrars (1887 – 1961), que encantou-se com a arte do povo mineiro, a italiana Lina Bo Bardi (1914 – 1992), que criou na Bahia um Museu de Arte Popular e realizou a antológica exposição “A mão do povo brasileiro”, são apenas alguns exemplos.”

 

As obras selecionadas pela curadora Denise Mattar e pelo pesquisador Roberto Rugiero, que responde pela consultoria da mostra,  fazem parte das coleções de João Maurício de Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti, duas das mais importantes e completas do Brasil. O projeto expográfico é assinado por Guilherme Isnard.

 

 

Artistas participantes:

 

Agostinho de Freitas | Alcides Pereira | Alcides Santos | Ana das Carrancas | Ana do Baú | Anésio Julião | Antonia Leão | Antonio de Dedé | Artur Pereira | Bajado | Benedito | Bento Sumé | Cícera Fonseca | Chico da Silva | Chico Tabibuia | Dona Eli | Emídio de Souza | Geraldo de Andrade | GTO | Gina | Guma | Heitor dos Prazeres | Isabel | Jadir | João Egídio | J. Borges | J. Coimbra | João Alves | José Antônio da Silva | José de Freitas | Antônio Julião | Júlio Martins | Lafaete | Licídio Lopes | Louco | Luis Antônio |  Maria Auxiliadora | Maria de Beni | Mestre Cunha | Mestre Galdino | Mestre Guarany | Mestre Vitalino | Miriam | Miranda | Mudinho | Nhô Caboclo | Nilson Pimenta | Nino | Noemisa | Nuca | Oziel | Paulo Pedro Leal| Placidina | Ranchinho | Resendio | Rita Loureiro | Romildo | Roberto de Almeida | Roberto Vital |  Sil | Tarcísio Andrade | Timbuca | Tonico Scarelli |Ulisses Pereira | Valentim Rosa | Véio | Vicente Ferreira | Waldomiro de Deus | Willi de Carvalho | Zé Cordeiro | Zé do Chalé | Zezinha | Zezinho de Tracunhaém.

 

Até 13 de junho.

Galeria Ipanema: 50 anos

15/abr

A Galeria de Arte Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, dá continuidade à celebração de seus 50 anos de atividades com a exposição “50 anos de arte”, com cerca de quarenta trabalhos de artistas emblemáticos do espaço de arte aberto em 1965, como Portinari, Raymundo Colares, Milton Dacosta, Djanira, Iberê Camargo, Guignard, Volpi, Bandeira, Beatriz Milhazes, Cruz-Diez, Di Cavalcanti, Krajcberg, Weissmann, Ione Saldanha, Jesus Soto, Pancetti, Luis Tomasello, Lygia Clark, Lygia Pape, Mabe, Maria Leontina, e Sergio Camargo.

 

Grande parte das obras não é vista pelo público há muitos anos, pertencentes a coleções privadas e sem participar de exposições. Há várias raridades, como o óleo sobre tela “Paisagem de Brodowski”, de 1940, de Portinari, que passou a integrar nos anos 1980 a Coleção Gilberto Chateaubriand pelas mãos da galeria. Esta tela havia pertencido inicialmente a Assis Chateaubriand, que a mantinha na sala de jantar de sua casa na Avenida Atlântica, em Copacabana, e estava em posse de outro colecionador. Sergio Camargo está representado com duas obras de parede: “Relief 13-83”, de 1965, que esteve na Bienal de Veneza de 1966, e “Untitled (Nº 462)”, de 1978, de 2m de comprimento, a maior de uma série que só tem outras duas no mundo, ambas em coleções nos EUA.

 

Ao longo de seus 50 anos de história, a Galeria Ipanema teve um contato privilegiado com grandes artistas modernos e com a nova geração emergente. Realizou as primeiras exposições individuais de Raymundo Colares, em 1969, e de Paulo Roberto Leal, em 1971, ainda no Hotel Copacabana Palace, espaço que ocupou desde sua inauguração em 1965, até 1973. A colaboração com diversas coleções privadas, sempre trabalhando com grandes nomes da arte, é outra característica da Galeria Ipanema.

 

Quando foi inaugurada, em um espaço do Hotel Copacabana Palace, em 1965, a Galeria Ipanema – então “Galeria Copacabana Palace” – viu surgir suas companheiras de atividade na época: a Petite Galerie, de Franco Terranova, a Bonino, de Alfredo e Giovanna Bonino, e a Relevo, de Jean Boghici. Luiz Sève, sócio-fundador que está à frente da Galeria Ipanema até hoje, teve contato com todos os artistas trabalhados pela galeria, apenas Portinari (1903-1962) e Guignard (1896-1962) já haviam falecido antes de sua inauguração. A galeria foi uma das precursoras a dar visibilidade ao modernismo, representando por muitos anos, com uma estreita relação, os artistas Volpi e Di Cavalcanti. O venezuelano Cruz-Diez é representado pela galeria, que mantém um precioso acervo, fruto de seu conhecimento de grandes nomes como Hélio Oiticica, Ivan Serpa, Lygia Clark, Sérgio Camargo, Jesús Soto, Mira Schendel, Guignard, Pancetti, Portinari, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Lygia Pape, Amelia Toledo, Milton Dacosta, Maria Leontina, Dionísio del Santo, Antônio Bandeira, Heitor dos Prazeres, Vasarely, Rubens Gerchmann, Nelson Leirner, Waltercio Caldas, Franz Weissmann, Ângelo de Aquino, Geraldo de Barros,  Heitor dos Prazeres, Joaquim Tenreiro e Frans Krajcberg.

 

A exposição “50 anos de arte” reunirá obras pertencentes a coleções particulares e de seu próprio acervo, que dão um panorama da abrangência da atuação da galeria.

 

 

Breve histórico

 

Fundada por Luiz Sève, aos 24 anos, que cursava o último ano de engenharia na PUC, e sua tia Maria Luiza (Marilu) de Paula Ribeiro, a Galeria de Arte Ipanema teve como terceiro sócio Luiz Eduardo Guinle, e se instalou em 1965 em um dos salões do Copacabana Palace, passando depois para o térreo do Hotel, na Avenida Atlântica, onde permaneceu até 1973. Em 1968, Frederico Sève, irmão mais moço de Luiz Sève, entrou na sociedade no lugar de Luiz Eduardo Guinle. Com direção de Frederico Sève, a Galeria de Arte Ipanema manteve também um espaço em São Paulo, entre 1972 e 1989, na Rua Oscar Freire, em uma casa projetada por Ruy Ohtake especialmente para este fim, e depois na Rua da Consolação. Frederico permaneceu na sociedade até 2002.

 

Atualmente, Luiz Sève dirige a galeria ao lado de sua filha Luciana, no número 173 da Rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema, até finalizar a construção do espaço que tem projeto arquitetônico assinado por Miguel Pinto Guimarães, previsto para 2017.

 

 

De 19 de abril a 19 de maio.

Millôr no IMS/Rio

“Millôr: obra gráfica”, Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, é a primeira retrospectiva dedicada aos desenhos do humorista, dramaturgo e tradutor Millôr Fernandes. Em 500 originais, os curadores Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires mapeiam os principais temas que estiveram presentes ao longo de 70 anos de produção do artista.

 

Com a mostra também será lançado um livro com o mesmo título, organizado pelos curadores da exposição. Além de reproduzir os originais, o volume de 288 páginas traz ensaios críticos e uma cronologia de vida e obra de Millôr. Os desenhos, feitos na maior parte para ser publicados na imprensa, revelam a força e a complexidade de uma obra fundamental para a arte brasileira. O livro foi lançado no dia 13 de abril.

 

“O livro, felizmente, ficou a cara do conceito da exposição”, afirma Paulo Roberto Pires. “É o trabalho de um artista gráfico, que achava que sua obra encontrava plena realização não numa galeria, mas nas páginas de revistas e jornais”. Tendo isso em mente, os curadores-organizadores optaram por não criar um livro de arte tradicional, mas um objeto nascido dessa cultura impressa, em que além dos desenhos – a atração principal – se destacam também as imperfeições dos originais, as marcas de corte, as notas de Millôr. Para Paulo Roberto, “no livro você vê o artista em movimento, como se estivesse por trás de seu ombro no estúdio”.

 

Assim como a exposição, o livro divide a obra de Millôr em cinco grandes conjuntos, dos autorretratos à crítica implacável da vida brasileira, passando pelas relações humanas, o prazer de desenhar e a imensa e importante produção do “Pif-Paf”, seção que manteve na revista O Cruzeiro entre 1945 e 1963. É uma visão de conjunto sobre uma obra que, de forma fragmentada, fez e faz parte da vida dos brasileiros.

 

 

A partir de 16 de abril.

Na galeria do IBEU

12/abr

A Galeria de Arte IBEU, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, duas exposições individuais simultâneas das artistas Leandra Lambert e Mari Fraga: “Passagens Atlânticas” e “Tempo Fóssil”, com curadoria de Cesar Kiraly e Michelle Sommer, respectivamente. As artistas foram selecionadas através do edital do Programa de Exposições Ibeu 2016/2017.

 

Em sua segunda individual, “Passagens Atlânticas”, Leandra Lambert apresenta fotografias da série “Entremundos (pelo olho do bicho)”, uma composição sonora e objetos poéticos como as “Luvas de Areia” e a “Gargantilha de pedras portuguesas, asfalto, monóxido de carbono e engasgos”, relacionados à experiência de suas três Atlânticas: a avenida, em Copacabana, a mata e o oceano.

 

A exposição relaciona diversas concepções do termo “passagem” a esse universo: a passagem dos corpos pelos ambientes, o transitório, a passagem do tempo; a noção de passagem literária, passagens entre ficção e história; a passagem de um estado a outro, de uma matéria a outra, transformação; lugar de transição e devir, espaço do que antecede o desconhecido.

 

A galeria apresenta, no mesmo período, a exposição individual “Tempo Fóssil”, da artista Mari Fraga, com curadoria de Michelle Sommer. A partir de uma pesquisa sobre o elemento Carbono, a artista atravessou diversos materiais – nanquim, grafite e carvão – para recentemente se debruçar sobre a energia e os materiais fósseis, como petróleo, asfalto, carvão mineral e gás natural. “O trabalho acabou por adentrar a esfera da política a partir de uma trajetória de investigação da matéria”, conta a artista.

 

A exposição exibirá o vídeo “63 Perfurações”, de 2015. Neste trabalho é observada uma sessão de acupuntura sobre um mapa mundi marcado nas costas da artista por exposição à luz solar. Inédito no Brasil, “63 Perfurações” foi exibido na SU Gallery Konstfack, galeria em Estocolmo, Suécia, em 2015. A distância radical entre as escalas do humano e do planeta desafia nossa percepção de espaço e tempo, temática que é explorada nas obras “Cálculos para Acupuntura Planetária”, de 2015 e na escultura inédita “Fosso Fóssil”. Por fim, a escultura também inédita “Gerações” marca o encontro entre uma madeira nova e uma pedra de carvão mineral – resquícios de florestas que ocuparam o planeta Terra há milhões de anos.

 

No seu processo artístico, Mari Fraga desenterra fragmentos de petróleo, betume, carvão mineral, madeira sedimentada, sal. Molda, então, a matéria que estava escondida sob a terra como as raízes das árvores. Da matéria fóssil, unidas entre si pela presença do elemento químico Carbono, emerge  plasticidade, em suas distintas temporalidades. O Carbono é o nó poético – com cor, rugosidade, textura e crítica – que está contido na escala fractal das obras, em sua maioria inéditas, de Tempo Fóssil”, diz a curadora  Michelle Sommer no texto de apresentação da mostra.

 

 

 

Sobre as artistas

 

Leandra Lambert – É artista multimídia em atividade desde 2009 e compositora-performer em música eletrônica/experimental desde o início dos anos 90. Participou de exposições e eventos no Brasil, EUA, França, Chile, Cuba, Noruega e Rússia. Sua primeira exposição individual foi “Danças Atlânticas”, no CCJF, Rio de Janeiro. Doutoranda em Artes, em co-tutela UERJ / Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

 

Mari Fraga – É artista e pesquisadora. A ação humana na natureza é o foco de sua prática recente, que problematiza as fronteiras entre o natural e o artificial. Doutoranda em artes pelo PPGArtes UERJ, desde 2012 é editora da Revista Carbono, publicação online que propõe diálogos entre pesquisas artísticas e científicas. Foi curadora dos Encontros Carbônicos, em 2014 e 2015.

 

 

Até 20 de maio.

Seminário Internacional

06/abr

O “Seminário Internacional Cidade em Transe”, que terá a participação de artistas, fotógrafos, curadores, geógrafos, assistentes sociais, historiadores, entre outros profissionais, o seminário discutirá a cidade sob diferentes perspectivas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Salão de exposições 2.3 – segundo anda, nos dias 06 e 07 de abril. A organização é de Laura Burocco e MAM Rio com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, através da Superintendência de Museus. O seminário apresentará ainda diálogos estabelecidos por alguns artistas em diferentes cidades onde tiveram ocasião de trabalhar, com uma atenção especial à cidade do Rio de Janeiro.

 

O seminário terá a participação dos artistas Pablo Ares, Guga Ferraz e Pedro Victor Brandão, do fotógrafo Mauricio Hora, do historiador Claudio de Paula Honorato, da curadora Beatriz Lemos, da assistente social Evelyn Serra Parente, entre outros.

 

“Perspectivas desafiadoras sobre a questão urbana, para além da esfera acadêmica, têm surgido nos últimos anos em trabalhos de numerosos artistas. Essas práticas, que acabam se envolvendo na concepção e na espacialidade da vida urbana, criam um diálogo entre o material e o imaterial, o objetivo e o subjetivo, o sujeito e o objeto, as ideologias e as representações, procurando formas diferentes de comunicar a experiência urbana”, afirma Laura Burocco.

 

“A partir do entendimento do espaço que incorpora o quadro físico, e também o mental e o social, os trabalhos apresentam as próprias práticas de ocupação. Nesse sentido, interessa revelar a mútua interferência entre a cidade e o artista; o trabalho e o espectador; entre a realidade e sua representação”, diz Laura Burocco.

 

No dia da abertura do seminário, foi lançado o livro “Trajetória: cursos e eventos MAM Rio”, de Elizabeth Catoia Varela, curadora do Departamento de Documentação e Pesquisa MAM Rio. A publicação traz os cursos e eventos realizados pelo MAM Rio ao longo dos 67 anos de existência do museu, que tiveram grande importância no cenário artístico carioca e nacional. A documentação foi tratada e inventariada a fim de que sua divulgação reforce a missão do museu e também contribua para futuras pesquisas sobre o cenário cultural da cidade e do país.

 

Programa:

 
DIA 06 DE ABRIL DE 2016 – CIDADE MUNDO

 
14h – Abertura – Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand, presidente do MAM; Mariana Várzea, Superintendente de Museus, da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro; Elizabeth Catoia Varela, curadora do Departamento de Documentação e Pesquisa MAM; e Luiz Pizarro, artista plástico e curador de Educação do MAM.

 

14h20 – O território da cidade: um convite à ação • A cidade e suas transformações: Produção alienadora e indícios de insurgência, por Álvaro Ferreira; • Mapeamento coletivo: o uso de dispositivos gráficos para ativação de práticas colaborativas e relatos críticos sobre os territórios, pelo coletivo Iconoclasistas/ Pablo Ares.

 

16h30 – Diálogos entre Espaços Outros • A garantia de direitos das pessoas em situação de rua, por Evelyn Parente / Secretaria do Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro • Cidade e estéticas marginais, por Stanley Vinicius • Apologia à bagunça: Rastros de contramemória na metrópole especulada, por Raphael Soifer.

 

 

DIA 07 DE ABRIL DE 2016 – CIDADE RIO  

 

14h – Práticas de Ocupação da Cidade • Arte e esfera pública. Arte como gatilho sensível para a produção de novos imaginários, por Brigida Campbell • Projeto Pedregulho: uma experiência de residência, por Beatriz Lemos • O projetor como ferramenta de ação direta, por Coletivo Projetação / Ernesto Fuentes Brito • Imagem e desvios na paisagem, por Pedro Victor Brandão • Arte-intervenção, suportes inusitados, diálogo com equipamentos urbanos e a gentrificação do grafite, por Mario Band’s.

 

 

16h40 – Entre realidade e representação: a região portuária do Rio de Janeiro • História, memória, patrimônio, escravidão e reparação na pequena África: O caso do cemitério dos Pretos Novos, por Claudio de Paula Honorato • Zona Imaginária, por Mauricio Hora • O Corpo do Processo, por Guga Ferraz.

 

 

17h30 – Debate | Encerramento Fernando Cocchiarale

 

 

Sobre os participantes:

 

Laura Burocco – Formada em Direito pela Universidade de Milão, tem especialização em Políticas Internacionais e Desenvolvimento pela Universidade de Roma; pós-graduação em Sociologia Urbana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e um Master in Building Environment em Habitação pela Universidade de Witwatersrand WITS, de Johannesburg. Sua área de pesquisa: políticas urbanas e desenvolvimento, criatividade, vigilância, ações coletivas e cidadania insurgente, intervenções políticas em arte pública.

 

Álvaro Ferreira – É pesquisador 1D do CNPq. Tem graduação em geografia pela Uerj (1996), mestrado em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR/UFRJ (1999) e doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (2003). Fez Pós-Doutoramento com o professor Horacio Capel na Universitat de Barcelona (2009). É professor do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Professor Associado da Uerj.

 

Pablo Ares – Artista, designer gráfico e um dos fundadores do grupo Iconoclasistas. Desenha cartografias desde 2000 e criou diversos dispositivos gráficos e visuais apresentados em oficinas de mapeamento coletivo, realizadas na América Latina e na Europa. Com Iconoclasistas, participou de diversas mostras de arte em países como Espanha, Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Chile, México, Brasil, Argentina, Líbano, Equador, Austrália, entre outros.

 

Evelyn Serra Parente – Assistente social formada pela UFF em 2002. Atualmente diretora do Centro Pop Barbara Calazans e do Centro Interprofissional de Apoio à Criança e ao Adolescente (Ciaca).

 

Stanley Vinicius – Formado em artes cênicas com habilitação em cenografia e indumentária pela Escola de Belas Artes/UFRJ. É mestre em aumstrategien – Arte em espaço público pela Kunsthochschule, Berlim. Desde 1991, vive na Alemanha, onde atua como cenógrafo e artista visual realizando trabalhos em artes cênicas, artes visuais e videoinstalação. Claudio de Paula Honorato – Mestre em História pelo PPH/UFF e doutorando em História pela PPGH/UNIRIO, é coordenador do Núcleo de Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, coordenador do Curso de Pós-graduação Lato-sensu em História da África e professor de História da África da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Duque de Caxias – Feuduc. Atuou como consultor na elaboração do dossiê de candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade para o Comitê Cientifico da Unesco e membro efetivo da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil OAB/RJ.

 

Mauricio Hora – Nascido e criado no Morro da Providência, é fotógrafo de renome internacional, com mais de 20 anos dedicados à fotografia. Foi autor e fotógrafo do “Projeto Favelité”, que em 2006 cobriu as paredes da estação do metrô Luxemburgo, em Paris.

 

 
Guga Ferraz – Artista visual, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É graduado em escultura pela Escola de Belas Artes/UFRJ. A partir do ano 2000, passa a integrar o grupo “Atrocidades Maravilhosas”, realizando trabalhos de intervenção urbana na cidade do Rio de Janeiro. A intervenção é o meio mais utilizado pelo artista, questionando temas como a violência urbana, as relações entre indivíduo e cidade e a própria cidade como lugar.

 

Raphael Soifer – Performer e pesquisador norte-americano, radicado no Brasil desde 2007. Seu trabalho tem como foco a vida social e política das ruas, as estéticas de poder, a memória incorporada e a interatividade urbana. Suas performances incluem “Tradição é aquilo que diz que não acaba nunca” (2015); “Pesquisas lapianas: Pombagiras” (2011); e “Cada um no seu quadrado” (2010), explorações da crescente privatização e militarização do espaço público carioca.

 

Pedro Victor Brandão – Artista visual, trabalha com fotografia, performance e práticas sociais. É graduado em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá (2007-2009) e atendeu aos cursos livres da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2005-2010 e 2015). Desenvolve séries de trabalhos considerando diferentes paisagens políticas em pesquisas sobre economia, direito à cidade, cibernética social e a atual natureza manipulável da imagem técnica.

 

Mario Band´s – Formado em comunicação social, publicidade e propaganda, foi estudante da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É um comunicador, arte-educador e grafiteiro. Artista interventor urbano com obras marcadas pelo intenso uso da geometria e precisão no trabalho com luz, sombras e cores.

 

 
Brígida Campbell – Artista, pesquisadora e professora do curso de graduação em artes vsuais da Escola de Belas Artes da UFMG. Doutoranda em artes visuais na Escola de Comunicações e Artes da USP. Mestre em Arte e Tecnologia da Imagem pela EBA-UFMG.

 

Beatriz Lemos – Mestre em História Social da Cultura (PUC-Rio). Em colaboração com o MAM/Rio, coordenou o projeto de catalogação dos documentos e da obra de Márcia X (1959-2005). Atua como curadora especializada em artes e redes digitais. Durante o primeiro semestre de 2015, realizou a etapa de pesquisa Lastro pela América Central, viajando com 12 artistas e três curadores brasileiros, entre Panamá, Costa Rica, Guatemala e México. Desde setembro de 2015, integra o programa Curador Visitante da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, que desenvolve para a Biblioteca e Centro de Documentação e Pesquisa.

 

Coletivo Projetação – O Projetação é um coletivo autônomo de mídia-ativismo que luta pela democratização da cultura e dos meios de comunicação. Tendo o projetor como ferramenta e acreditando na força da ação direta, o grupo usa qualquer superfície da cidade para gerar reflexão e produzir contra informação, mostrando uma realidade que não é vista nos grandes meios de comunicação. Ao participar de manifestações, organizar cineclubes e fazer outras ações audiovisuais, tem como objetivo: divulgar as pautas daqueles que lutam contra o machismo, o genocídio indígena, a criminalização da pobreza, a violência e o genocídio do povo negro e da favela, pelo direito à moradia, pelas causas LGBT e pelo fim da militarização da PM, por exemplo.

 

Projetos de Alan Fontes

30/mar

Os trabalhos de Alan Fontes entram em exibição na Sala A do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ. O projeto de Alan Fontes, artista mineiro, foi contemplado pelo Prêmio CCBB Contemporâneo tem como tema a paisagem do Rio de Janeiro, contrapondo vistas de satélite com seu olhar da cidade, onde passou dois meses para criar a instalação “Poética de uma Paisagem – Memória em Mutação”, composta por pinturas e objetos.

 

Definida por Alan Fontes como “instalação pictórica”, a exposição parte de uma visão aérea (satélite) do segmento do centro histórico do Rio onde está o CCBB. Panoramas dessa área captadas digitalmente foram reproduzidas em cinco pinturas – óleo e encáustica sobre tela: a maior de  500 x 300cm e a menor, 70 x 90cm.

 

A pintura maior é baseada em uma imagem do Google Earth de 2009 da Praça XV e Candelária. O artista quis reproduzir essa paisagem que hoje já não é mais a mesma para levar o espectador a perceber a velocidade da passagem do tempo. Em outra tela, a Ilha Fiscal aparece distante de forma fictícia do continente, como parte de uma paisagem que se afasta e se perde. O Palácio Monroe, inaugurado em 1906 e demolido em 1976, também no centro do Rio, aparece em outra pintura, como exemplo da administração do planejamento urbano através das décadas. Completando o conjunto, duas pinturas de casas em estágio de demolição foram baseadas em fotos e desenhos feitos por Fontes durante sua residência artística no ateliê temporário na Fábrica Behring em 2015.

 

“Poética de uma Paisagem – Memória em Mutação” tem ainda itens achados e colecionados  durante os dois meses em que o artista andou pela cidade, como um sofá modernista, porta-retratos e molduras vazios, tapetes, um cabideiro, um aparelho de telefone,  azulejos copiados dos modelos hidráulicos da tradicional Confeitaria Colombo e um papel de parede geométrico, todos pintados de cinza, tirando-lhe a vida. “É como se “uma ‘morte’ ocorresse fora do campo pictórico”, define o artista.

 

O espaço expositivo está ocupado com o conjunto da pesquisa plástica realizada, contrastando duas formas de contato com a paisagem: o contato distanciado, possibilitado pelas ferramentas tecnológicas, e o contato vivenciado pelo sujeito estrangeiro que experimenta habitar um novo espaço urbano e criar uma forma particular de entendimento do novo contexto, na sua configuração histórica e nas suas regras cotidianas.

 

Bernardo Mosqueira, autor do texto de apresentação da mostra, resume: “… somos lembrados por Alan Fontes de que é preciso aprender constantemente formas originais de enxergar e de que tudo que há no mundo é capaz de produzir sentido para auxiliar a nos localizar no espaço e no tempo.”

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em Belo Horizonte, MG, em 1980, Alan Fontes  vive e trabalha na capital mineira. É graduado em Belas Artes, com habilitação em pintura, pela UFMG e Mestre em Artes Visuais pela mesma instituição. Entre suas principais mostras individuais estão “Sobre Incertas Casas”, na Galeria Emma Thomas, São Paulo, 2015, “Desconstruções”, na Baró Galeria, São Paulo, 2014,  “La foule”, na Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, 2012, “Sweet Lands”, na Galeria de Arte Celma Albuquerque, Belo Horizonte, 2011 e “A Casa”, no Paço das Artes, São Paulo, 2008.

 

Participou de coletivas como Premiados Feira Internacional ArtRio, RJ, 2013, 10a Temporada de Exposições do MARP, Ribeirão Preto, SP, 2012, “Breve Panorama da Pintura Contemporânea em Minas Gerais”, Ouro Preto, 2010 e  “Pictórica”, Palácio das Artes, BH, 2006. Fez residências artísticas em “Pintura Além da Pintura” do CEIA, BH, 2006), 5ª Edição do Programa Bolsa Pampulha, Belo Horizonte, 2013 e Residência Baró, São Paulo, 2014, Recebeu o 1º Prêmio Foco Bradesco/ArtRio 2013, a Bolsa Pampulha 5ª edição em 2014 e o Prêmio CCBB Contemporâneo 2015.

 

Com patrocínio da BB Seguridade, a mostra abre na terça-feira, 5 de abril, às 19h30.

 

 

 De 06 de abril a 09 de maio.

 

 

 

Sobre o Prêmio CCBB Contemporâneo

 

O edital anual do Centro Cultural Banco do Brasil de 2014 inclui, pela primeira vez, um prêmio para as artes visuais. É o Prêmio CCBB Contemporâneo, patrocinado pela BB Seguridade, que contemplou 10 projetos de exposição, entre 1.823 inscritos de todo o país, para ocupar a Sala A do CCBB Rio de Janeiro.

O Prêmio é um desdobramento do projeto Sala A Contemporânea, que surgiu de um desejo da instituição em sedimentar esse espaço para a arte contemporânea brasileira. Idealizado pelo CCBB em parceria com o produtor Mauro Saraiva, o projeto Sala A Contemporânea realizou, entre 2010 e 2013, 15 individuais de artistas ascendentes de várias regiões do país.

 

A série de exposições inéditas, em dez individuais, começou com grupo carioca Chelpa Ferro, seguido das individuais de Fernando Limberger, Vicente de Mello, Jaime Lauriano, Carla Chaim, Ricardo Villa, Flávia Bertinato, Depois de Alan Fontes, virá Ana Hupe e Floriano Romano, até julho de 2016.

 

Entre 2010 e 2013, o projeto que precedeu o Prêmio realizou na Sala A Contemporânea exposições de Mariana Manhães, Matheus Rocha Pitta, Ana Holck, Tatiana Blass, Thiago Rocha Pitta, Marilá Dardot, José Rufino, do coletivo Opavivará, Gisela Motta&Leandro Lima, Fernando Lindote, da dupla Daniel Acosta e Daniel Murgel, Cinthia Marcelle, e a coletiva, sob curadoria de Clarissa Diniz.

Na Silvia Cintra + Box 4

24/mar

Para a exposição “Forgotten Mantras”, sua segunda individual na galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Ana Maria Tavares recorre a todas as expressões e termos que foram usados desde 1997, uma alusão ao tempo que nos faz esquecer o passado, sendo preciso retornar aos mantras para que eles permaneçam em nós.

 

Ana Maria Tavares começou a inserir palavras em seu trabalho em 1997, mas foi com a série “Cityscape”, feita especialmente para a Bienal 50 anos de São Paulo, em 2001, que os mantras ganharam força em sua obra. Na época, Ana usou 8 palavras e expressões impressas em placas de aço inox polido que juntas formavam um imenso painel que refletia o Parque do Ibirapuera.

 

Segundo a artista “Os mantras são como sínteses da atualidade, funcionam como senhas para navegar no mundo contemporâneo” e é exatamente por essa razão que agora eles se tornaram ainda mais complexo, em várias línguas, marcando a homogeneização e a repetição de uma cultura para a outra, todas contaminadas pela cópia.

 

Além dos quatro trabalhos da série “Forgotten Mantras” faz parte ainda uma instalação com pequenos trabalhos que trazem mantras como desire, delight, stillnox, lexotan, sexo; que podem ser montados de diversas formas. Todas essas obras são feitas em aço inox polido.

 

Para quebrar a rigidez da malha quadriculada e da retícula modernista presente nas obras em inox, Ana Maria Tavares incluiu na exposição a obra “Desire”, que é uma impressão em papel com mantras sobrepostos em diversas direções, numa alusão ao caos. 

 

Em novembro de 2016 Ana Maria Tavares inaugura uma grande exposição retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

 

Sobre a artista

 

Ana Maria Tavares, nasceu em Belo Horizonte, em 1958. Reside em São Paulo, SP. em São Paulo. Estudou na FAAP, fez mestrado em escultura na School of the Art Institute of Chicago e curso de Desenvolvimento de Projeto no Oxbow Art Center (Michigan, EUA). Defendeu tese de doutorado em 2000 na Escola de Comunicações e Artes. Sua primeira exposição individual foi na Pinacoteca do Estado em 1982. Participou  da Bienal de São Paulo em 1983, 1987, 1991 e da edição especial de 1994, Bienal Brasil Século XX. Entre as mostras coletivas no exterior destacam-se: “Modernité” no Museu de Arte Moderna de Paris em 1987, e “Ultramodern” no National Museum for Women in the Arts, Washington, EUA, em 1993.  Entre 2002 e 2003, foi bolsista da John Simon Guggenheim Foundation, em Nova Iorque.  Em 2006, realiza a instalação “Enigmas de uma Noite” com Midnight Daydreams, no Instituto Tomie Othake, e na Bienal de Cingapura. Dentre as várias exposições individuais dos últimos anos, merecem destaque – “Ana Maria Tavares: Desviating Utopias”, no Centro de Artes Visuais de Nashville, Estado Unidos em 2013; “Atlântica Moderna: Puros e Negros” no Museu do Vale, Vila Velha em 2014; e “Cárceres duas vozes: Piranesi e Ana Maria Tavares”, no Museu Lasar Segall, São Paulo em 2015.

 

 

De 29 de março a 30 de abril.

Manfredo 40 anos de arte

23/mar

Artista ganha livro publicado pela Réptil Editora e duas exposições em sua homenagem: Paço Imperial e Galeria Patricia Costa

 

 

Nascido na pequena Jacinto, no Vale do Jequitinhonha, o artista Manfredo de Souzanetto ganhou o mundo ainda jovem. Morou em Paris, expôs nos Estados Unidos, em vários países da Europa, e conquistou reconhecimento internacional por seu trabalho. Ao completar 40 anos de carreira, o mineiro recebe merecida homenagem, com livro e duas exposições no Rio de Janeiro.

 

 

No dia 12 de abril será lançado o livro “Manfredo de Souzanetto – Paisagem Ainda Que”, pela Réptil Editora, com 240 páginas, na Galeria Patricia Costa, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, com toda a trajetória do artista que tem o dom de tornar o improvável concebível e de produzir obras ao mesmo tempo simples e complexas, evidentes e enigmáticas.

 

 

O livro conta com textos dos críticos Julio Castañon Guimarães, Anne-Marie Lugan Dardigna e biografia de Clarisse Meireles. A obra, trilingue (português, inglês e francês), reúne mais de 150 imagens de trabalhos do artista.

 

 

Ainda na Galeria Patricia Costa o público poderá conferir, de 12 a 30 de abril, obras mais recentes de Manfredo. Serão expostas sete pinturas inéditas, com dimensões variadas, produzidas entre 2015 e 2016. “O meu método de trabalho passa sempre por um projeto, por um desenho e às vezes por um protótipo a partir do qual construo a obra”, explica o artista.

 

Manfredo também está em cartaz no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeriro, RJ, até 29 de maio, com a mostra “Paisagem ainda Que”. A exposição, com curadoria de Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos, reúne 32 obras, distribuídas em quatro salas, com trabalhos produzidos pelo artista de 1976 até os dias de hoje. A primeira tem 13 pinturas, feitas em Paris, na década de 70, das quais algumas nunca foram expostas. Na segunda e terceira salas estão obras produzidas de 1980 a 2015 e, na quarta, são apresentadas documentações fotográficas de trabalhos com intervenções pictóricas na natureza. A série Na Mina de Caulim, produzida em Juiz de Fora, após sua volta de Paris recebeu o prêmio de melhor conjunto de obras no IV Salão Nacional da Funarte em 1980.

 

 

Em 1974, Manfredo já denunciava a destruição da paisagem em sua primeira exposição individual, “Memória das Coisas Que Ainda Existem”, em Belo Horizonte. Na época lançou também o adesivo com a inscrição “Olhe Bem As montanhas”. A mostra inspirou uma crônica de Carlos Drummond de Andrade, que mais tarde faria também um poema com este nome.

 

 

É na natureza também que Manfredo busca a matéria-prima para suas obras. O artista produz os pigmentos, tirados de minérios das Minas Gerais, responsáveis por seus únicos e incontestáveis tons de rosas, ocres, vermelhos, amarelos e cinzas. “Comemorar quatro décadas de trabalho tem sido muito interessante para mim. É uma oportunidade de revisitar o meu trabalho e preencher as lacunas deixadas”, diz.

 

 

O projeto “Manfredo de Souzanetto 40 anos de Arte” tem produção de Paulo Branquinho Escritório de Arte e coordenação geral da Galeria Patricia Costa.

 

 

 

Sobre o artista

 

Pintor, desenhista e escultor, Manfredo de Souzanetto começou a estudar desenho aos 16 anos. Em 1967, mudou-se para Belo Horizonte e ingressou na Escola Guignard em 1969. Estudou arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais de 1972 a 1975. Em 1975, expôs no 5° Salão de Arte Universitária, em Belo Horizonte, e recebeu como prêmio uma bolsa para estudar na França. Morou em Paris até 1979, onde frequentou a École Nationale Louis Lumière e a École Nationale Supérieure des Beaux Arts. Retornou ao Brasil em 1980 e reside no Rio de Janeiro. No ano seguinte, ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de gravura. Em 1985, foi contemplado com o prêmio de viagem ao exterior no 8° Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela Fundação Nacional de Arte – Funarte, no Rio de Janeiro. Durante seis meses, entre 1999 e 2000, foi artista residente na École Nationale Supérieure d’Art Décoratif de Limoges-Aubusson, na França. Em sua carreira, já participou de mais de 50 exposições, entre elas a 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na década de 70, coletivas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na década de 80, e individuais no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 2010 e na Fundação Brasilea em Basel, Suíça, em 2013.