Os Três Franciscos

25/maio

O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS.SP), Luz, São Paulo (ao lado da
estação Tiradentes do Metrô), uma instituição da Secretaria da Cultura e
Economia Criativa do Estado de São Paulo, inaugura a exposição “Fé, Engenho
e Arte – Os Três FRANCISCOS: mestres escultores na capitania das Minas do
ouro”, sob curadoria de Fabio Magalhães e museografia de Haron Cohen, onde
exibe – até 30 de julho – 65 obras dos mestres do barroco brasileiro: Antônio
Francisco Lisboa (Aleijadinho), Francisco Vieira Servas e Francisco Xavier De
Brito. Na mostra, com abertura no dia 27 de maio às 11hs, o MAS.SP
homenageia os expoentes das expressões barroca e rococó no Brasil, do século
XVIII, além de estabelecer um paralelo entre as obras desses três artistas que se
faz fundamental para a compreensão e apreciação da Arte Sacra Barroca
Brasileira. A exposição destaca esculturas e talhas, oferecendo ao público uma
experiência imersiva e enriquecedora.

Sobre os artistas
Antonio Francisco Lisboa (Aleijadinho) (1738 – 1814) – Nascido em Vila Rica
(atual Ouro Preto), é considerado um dos maiores expoentes da arte barroca no
Brasil. Pouco se sabe, com certeza sobre sua biografia, e sua trajetória é
reconstituída através das obras que deixou. Toda sua obra, entre talhas, projetos
arquitetônicos, relevos e estatuária, foi realizada em Minas Gerais. Sua
produção artística, apesar das limitações físicas decorrentes de uma doença
degenerativa, é notável pela expressividade e dos detalhes minuciosos.
Aleijadinho é conhecido principalmente por suas esculturas, com destaque para
os profetas do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do
Campo, e os doze apóstolos de Ouro Preto.

Francisco Vieira Servas (1720 – 1811) – escultor e entalhador português,
nascido em Eidra Vedra, foi um dos principais representantes da talha e do
barroco mineiro, deixando uma importante marca na Arte Sacra. Sua habilidade
técnica e a fusão de influências europeias com a sensibilidade local resultaram
em obras de grande beleza e expressividade. Suas esculturas revelam uma
devoção religiosa profunda, retratando santos, anjos e cenas bíblicas em
madeira e pedra.

Francisco Xavier de Brito (? – 1751) – entalhador e escultor português, com
local de nascimento desconhecido, foi responsável por importantes talhas de
igrejas do barroco mineiro. Ele contribuiu de maneira significativa para a Arte
Sacra Barroca Brasileira. Suas habilidades na arquitetura e no entalhe
complementam a exposição, apresentando ao público obras detalhadas e
distintas.

A visão do arquiteto
A materialização das linhas de um projeto expositivo em uma mostra de arte é
um desafio vencido a quatro mãos. Nele estão inseridos o conceito curatorial
que define as obras a serem exibidas e a forma, juntamente com a história, que
será contada de forma visual. É a memória que fica gravada na mente de quem
a vê. No conceito pensado por Haron Cohen para “Fé, Engenho e Arte – Os
Três FRANCISCOS: mestres escultores na capitanias das Minas do ouro”, o
primeiro espaço é uma sala branca onde, uma simulação do adro de Congonhas
do Campo reproduz com fidelidade, nas devidas proporções, a localização
original dos 12 Profetas criados por Aleijadinho. É um instante que sugere
calma.
Uma vez que o projeto concebido por Haron Cohen se propôs a criar uma Ouro
Preto dramática, com representações de desníveis, ladeiras e praças,
características do local. O toque diferenciado vem da idealização de um novo
conceito de “altar”. Como os três mestres viveram na mesma cidade, as suas
ruas se transformaram em altares para seus santos. Superfícies brancas
simulando ruas, com focos de luz para dar destaque ao etéreo, sugerindo
enlevação: “eu crio uma Ouro Preto cheia de ruas e de altos e baixos”, explica o
arquiteto.
Adentrar a sala principal oferece a dramaticidade proposta uma vez que o
caminho se inicia pela parte lateral de um “altar”, em formato longitudinal,
permitido pelo desenho do espaço expositivo. Ao seguir as ruas e desníveis da
cidade apresentada e acompanhar as 55 obras presentes, tem-se ao fundo, o
“Painel das 1000 cruzes”, com destaque para as de cor branca sobre um azul
denso que remete ao tom do céu de Ouro Preto, representando ascensão e
queda, por seu ângulo e direcionamento.
Na sequência, o espaço em vermelho e carmim, exibe peças não menos
representativas da Arte Barroca, dos mestres portugueses Francisco Vieira
Servas e Francisco Xavier de Brito, na mesma Ouro Preto de ladeiras e curvas,
onde viveram grande parte de suas vidas.

Um pouco da história
No período que abrange os séculos XVIII e XIX, período da ascensão e
declínio da mineração aurífera na Capitania das Minas de Ouro, diversos
arquitetos, entalhadores, escultores e pintores atuaram na região. Três
escultores de nome FRANCISCO se sobressaíram em comparação aos demais:
Antônio Francisco Lisboa (conhecido como Aleijadinho), sem dúvida
nenhuma, o grande escultor do Brasil Colônia, nascido em Vila Rica, Francisco
Xavier de Brito e Francisco Vieira Servas, ambos de origem portuguesa. Os
reis portugueses sempre sonharam com a possibilidade de ouro abundante na
vastidão das terras do Brasil. As descobertas espanholas no Vice-reino do Peru
fez com que incentivassem bandeirantes e aventureiros a realizarem incursões
por regiões que não lhes pertenciam a procura do precioso metal. Isso
contribuiu para que o território da colônia se expandisse e povoados foram
criados além das linhas do Tratado de Tordesilhas. O pensamento dos
bandeirantes era simples: se havia ouro na costa espanhola da América do Sul,
devia haver também no Brasil. Eles estavam certos. No século XVIII o Brasil
se transformou no maior produtor de ouro do mundo. A notícia se espalhou
com rapidez e gerou uma corrida tanto entre os habitantes locais como os de
Portugal. Todos foram em busca de riqueza e poder. Para garantir sua parte, o
rei de Portugal impôs regras rígidas: enviou milícias para vigiar a produção de
minérios e que também impediam o acesso à região das minas, sendo permitida
apenas com autorização real. Todos os caminhos eram vigiados para impedir o
contrabando. E, mesmo assim, parte considerável da produção escapava desse
controle. Uma nota de contextualização: fazem parte desse período conhecido
como “Civilização do ouro”, do final do século XVII, no meio do nada e
distante de tudo, o artista Antônio Francisco Lisboa, nascido em Vila Rica,
conhecido como Aleijadinho, Francisco Xavier de Brito e Francisco Vieira
Servas. O Rei D. João V tomou diversas medidas para controlar e assegurar o
envio do ouro para Portugal. Uma delas, em 1711, foi a proibição da entrada de
ordens religiosas na região das minas e obrigou a saída das que já estavam nos
locais buscando evitar a intervenção do poder da Igreja católica nos assuntos
auríferos do reino. Assim sendo, o trabalho de evangelização e gestão paroquial
foi assumida por sacerdotes seculares. Multiplicaram-se, também, a presença
de confrarias leigas, irmandades e ordens terceiras que tomaram a frente dos
temas religiosos em Minas e com fé, engenho e arte, investiram em construções
de igrejas de alto nível artístico e nas representações do imaginário do sagrado.
Portugal enviou seus mestres e também ensinou os nativos no ofício do entalhe
e da cantaria, entre outras atividades vinculadas à Arte Sacra. Mesmo com a
proibição do rei de Portugal quanto à presença das ordens na região, a vida
religiosa foi organizada através de ordens terceiras, irmandades e confrarias. A
rivalidade entre essas instituições impulsionou a criação artística, o que

resultou em uma plêiade de artistas, artesãos e músicos que foram requisitados
para embelezar as celebrações. Em Minas, a religiosidade se expressava com
grande pompa, quase como um espetáculo grandioso. Durante o período de
esplendor e riqueza em Vila Rica, os cidadãos proeminentes da cidade erguiam
moradias imponentes, desfrutavam de uma vida luxuosa e apreciavam produtos
importados da Europa. As influentes confrarias religiosas competiam
fervorosamente entre si, tanto em devoção religiosa quanto em ostentação da
fé. Essas instituições contratavam profissionais especializados, como arquitetos
e artesãos, para construir igrejas com fachadas majestosas e ornamentações
requintadas. Nesse ambiente próspero e dinâmico, cresceu um jovem mulato
chamado Antônio Francisco Lisboa, filho natural do arquiteto português
Manuel Francisco da Costa Lisboa (?-1767). No ano de 1738, coincidindo com
o nascimento de Antônio Francisco Lisboa, as ricas jazidas de ouro da região
ainda apresentavam uma produção generosa, o que impulsionava um notável
crescimento em todas as regiões de Minas Gerais, em especial em Ouro Preto.

A exposição “Fé, Engenho e Arte – Os Três FRANCISCOS: mestres escultores
na capitania das Minas do ouro” convida os visitantes a explorar e apreciar a
riqueza das obras desses mestres da Arte Sacra Barroca Brasileira. O Museu de
Arte Sacra de São Paulo tem o prazer de proporcionar essa oportunidade única
de mergulhar na história e na cultura por meio das criações de Antônio
Francisco Lisboa, Francisco Vieira Servas e Francisco Xavier de Brito

 

Diferentes Gerações de Artistas

23/maio

A proposta da exposição “Artista de artista”, que ocupa até 24 de junho a Sala 2 da Galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, foi convidar os artistas representados pela galeria residentes no Brasil a indicar outros artistas para participar de uma exposição coletiva. A sugestão foi que indicassem artistas históricos ou contemporâneos, preferivelmente brasileiros, que ainda não tenham alcançado a devida visibilidade dentro do circuito de museus e galerias.

Esse projeto parte do pressuposto de que as relações e conexões estabelecidas entre artistas é essencialmente movida por interesses muito distintos daqueles dos curadores, galeristas, art advisors, diretores de museu e jornalistas. Delegar a escolha das obras participantes aos artistas – e, nesse caso, um conjunto de 24 trabalhos selecionados por 16 artistas – implica, naturalmente, em uma exposição polifônica. E, no entanto, cada um dos trabalhos selecionados revela algo sobre os artistas que fizeram as indicações: às vezes ficam evidentes afinidades estéticas, metodológicas, temáticas; às vezes revelam direções de pesquisas semelhantes; ou simplesmente uma admiração por algo completamente diferente do trabalho do artista-curador. 

A grande maioria optou por colocar em evidência a prática de artistas mais jovens, muitos deles ainda sem representação em galerias comerciais. Em alguns casos, são relações de afinidade que se desenvolveram ao longo dos anos, muitas vezes envolvendo uma interlocução regular e o acompanhamento da trajetória desses jovens artistas. Em outros, os artistas representados conheceram as obras através de exposições realizadas em outros locais. Há, ainda, exemplos de artistas selecionados já estabelecidos no mercado e que estão presentes com uma produção distinta daquela que lhes deu reconhecimento; bem como artistas que, por diversas razões, nunca tiveram uma inserção significativa no circuito da arte.

Artista de artista é, sobretudo, uma oportunidade para enxergar uma parcela ínfima da produção de diferentes gerações de artistas sob a perspectiva de alguns dos artistas que trabalham conosco. Nesse sentido, forma um pequeno porém potente panorama de algumas ideias e práticas que apontam tanto para o passado quanto para o futuro, mantendo-se vivas através das relações dos artistas com artistas.

Afonso Pimenta – selecionado por Bruno Baptistelli, Ana Raylander – selecionada por Cinthia Marcelle, Fred Lemos Auad – selecionado por Tonico Lemos Auad, Gabriela Mureb – selecionada por Laura Lima, Gaya Rachel – selecionada por Anna Maria Maiolino, Júlia Gallo – selecionada por Thiago Honório, Mariela Scafati – selecionada por Pablo Accinelli, Marina Hachem – selecionada por Marina Saleme, Marlon de Paula – selecionado por Pedro Motta, Priscila Rooxo – selecionada por Panmela Castro, Renato Maretti – selecionado por Caetano de Almeida, Rose Afefé – selecionada por Marcius Galan,  Sofia Caesar – selecionada por Fernanda Gomes, Tantão – selecionado por Jarbas Lopes, Tiago Tebet – selecionado por Alexandre da Cunha, Yan Braz – selecionado por Marepe.

 

Simões de Assis na Casa Gerassi

17/maio

A Simões de Assis, após cinco anos instalada na Rua Sarandi 113A, nos Jardins em São Paulo, comunica sua mudança para uma nova sede. Os atendimentos na Rua Sarandi foram realizados até o dia 10 de maio.

A partir de 23 de maio, a Simões de Assis ocupará temporariamente um imóvel projetado por Paulo Mendes da Rocha, a Casa Gerassi, localizada no Alto de Pinheiros, que passará a sediar suas atividades até a inauguração do seu novo e definitivo espaço, em setembro de 2023. Para este momento transitório, a galeria desenvolveu um projeto expositivo especial: uma mostra que aproxima as produções da brasileira Ione Saldanha e da franco-libanesa Etel Adnan, com curadoria de Luiz Camillo Osório.

A exposição reunirá um conjunto que tensiona as poéticas de duas artistas de trajetórias e nacionalidades distintas, mas que avizinha seus trabalhos por aspectos formais, por investigações profundas sobre cor e por intuitivas explorações da abstração. As linhas, ângulos e geometria da Casa Gerassi, projetada em 1989, dialogam diretamente com as obras, criando uma conexão profunda entre arte e arquitetura. As visitas à mostra e à residência serão realizadas com agendamento prévio até o dia 22 de julho.

Barrio em exibição na Central Galeria

 

“O Sonho do Arqueólogo: …uma tênue linha inexistente…entre dois espaços…existentes…enquanto…que…opostos..a si…” será a primeira exposição de Artur Barrio na Central Galeria, Vila Buarque, Sâo Paulo, SP. A abertura acontece no próximo sábado, 20 de maio, das 11h às 17h.

Antes da arte, Artur Barrio desejou ser arqueólogo submarino. Hoje, o artista vive em um barco sobre as águas da Baía de Guanabara e produz de forma solitária. Esquematiza em diversos papéis a possibilidade de uma ideia, que não necessariamente será seguida; tais papéis, no entanto, acompanham-no na realização de cada trabalho. Produz diretamente nos espaços expositivos, sem espectadores.

Possibilita, dessa forma, acessar a reclusão tal qual o homem de Lascaux ou da Caverna de Cosquer, podendo, assim, produzir de forma que as noções de consciência e inconsciência deixam de fazer sentido. Ao mesmo tempo, com o experiente olhar de quem estuda a vida em sociedade, produz para apresentar ao público. Dispensa o valor de culto do homem primitivo e esgarça o campo do possível na arte contemporânea. Ainda que as sensações sejam reais, acessar o seu trabalho pode ser uma experiência quase onírica, surreal.

Para a Central Galeria, Barrio produz um monólogo cujo procedimento de elaboração, pela primeira vez, será realizado ao lado dos trabalhadores da galeria. Enquanto Barrio trabalha construindo a exposição, a equipe seguirá em seu trabalho cotidiano de escritório. Segundo o artista, ainda que seja definida uma linha invisível a separar os afazeres de equipe e artista, o processo não deixa de criar uma relação entre as partes pelo estorvo mútuo. O artista pretende ainda colocar em cena pó de café, luz baixa e um texto-lamento, transformando a galeria na caverna de um intelectual que deixa os rastros do gesto selvagem do laboro sobre uma pobre mesa e pelas paredes escritas à exaustão.

Larissa de Souza nova artista representada

12/maio

 

A Simões de Assis, São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú, anuncia a representação da artista Larissa de Souza.

 

Sobre a artista

Nascida em São Paulo em 1995, Larissa de Souza é artista autodidata. Em sua pintura, majoritariamente figurativa, concentra-se na imagem da mulher afro diaspórica – seu universo particular e coletivo -, navegando entre a memória, o corpo, o desejo e a ancestralidade. Utilizando tinta acrílica, Larissa de Souza retrata cenas afetivas que destacam a importância da experiência negra em seu testamento poético, questionando o silenciamento da população negra pelo pensamento colonial e escutando a ancestralidade inscrita no corpo. Sua pintura carrega a história das mulheres de sua linhagem e a força de muitas outras. Por meio de um universo cromático muito singular, marcado por texturas e também aplicações como bordados, ladrilhos e tecidos que integram a composição. Possui trabalhos nos acervos do Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro; e Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP, São Paulo, SP.

 

 

Intervenções realizadas em conjunto

09/maio

Inspirados pelo pensamento de volatilidade presente na expressão “amores líquidos”, criada pelo polonês Zigmunt Bauman, Rose Maiorana e Tarso Sarraf fazem um convite à reflexão sobre os sentimentos nutridos pelo ecossistema amazônico e marajoara, além do olhar que lançamos sobre eles. Eles inauguram a exposição “Amazônia Líquida”, no dia 16 de maio, na New Gallery, Pinheiros, São Paulo, SP, reunindo cerca de 40 obras que têm como base fotografias de Tarso Sarraf  produzidas em um trabalho de campo, na Ilha de Marajó, entre 2020 e 2021, com intervenções coloridas pintadas por Rose Maiorana. A primeira parceria entre os dois aconteceu em 2022, quando Rose Maiorana incluiu, em uma individual sua, uma obra inédita que consistia numa intervenção em pintura sobre uma foto de Tarso Sarraf. Nascia ali o embrião deste projeto, que deve ir longe: a ideia da dupla é viajar com a mostra para outros lugares, dentro e fora do Brasil, com produção da Arte2.

A liquidez exponencial contida no bioma amazônico também tem no arquipélago uma vasta presença. Abundante em águas, também possuem vivacidade e multiplicidade de povos, de olhares, de culturas, de sabores, de religiões, de misticismos e de essências. Donos de uma riqueza natural sem igual, o que confere toda notoriedade que ganharam em tabloides, falas de personalidades, destinos de celebridades, entre outros espaços de protagonismo, declinam a meros coadjuvantes quando o assunto são recursos para iniciativas de preservação e desenvolvimento socioambiental. Esses espaços geográficos transcendem aquilo que vagamente se imagina sobre eles, mas Rose Maiorana e Tarso Sarraf, através da exposição “Amazônia Líquida” apresentam, com propriedade na fala e no olhar, os seus vieses artísticos através de telas e retratos.

 

Sobre Rose Maiorana

Rose Maiorana é uma artista plástica contemporânea que nasceu no Estado do Pará, região amazônica do Brasil. Suas obras são um convite à imersão em um universo de cores e formas que transbordam vida e movimento. Seu trabalho é um reflexo da sua personalidade, livre e observadora, capaz de capturar a essência da natureza e transformá-la em arte. Inspirada pelo revolucionário movimento do pop art, Rose realizou sua primeira vernissage, “Explosão de Cores”, em sua cidade natal, Belém. Desde então, sua arte não parou de evoluir, sempre explorando novas possibilidades e inspirações. Sua segunda exposição, intitulada “Aflorar”, teve como destaque a natureza, um tema que encantou a artista através de sua observação e contemplação. Essa conexão com a natureza, aliás, é uma característica forte de seu trabalho, que transcende a técnica e toca a alma. Com o tempo, participou de diversas exposições coletivas, tanto em Belém, como em outras cidades, como Rio de Janeiro e Bruxelas, Bélgica. Em todas elas, sua arte causou um grande impacto e conquistou admiradores. Atualmente, Rose Maiorana está totalmente envolvida com sua herança amazônica e marajoara, que se manifesta em seu trabalho. Em sua fase atual, ela apresenta a exposição “Amazônia Líquida”, que traz um viés artístico e crítico sobre a região, sempre abstraindo retratos e revelando suas visões e sentimentos através das cores e traços. Com sua arte, Rose Maiorana é uma genuína embaixadora da cultura e da beleza amazônicas, que sempre encantam e surpreendem aqueles que a conhecem. Suas exposições são um convite para embarcar em uma jornada de descoberta e contemplação da natureza e da vida ao Norte do Brasil. Realizou sua primeira mostra de arte na inauguração da Sala João Carlos Pereira (TV Liberal), 2021. Em 2022, cria e apresenta o videocast Lib Art. Neste mesmo ano, participa da exposição de santinhas ONG Arte pela Vida, da qual é madrinha e recebe homenagem na 1ª Vernissage da Escola Cipp. Em sua trajetória, vale destacar as participações na Amazônia Fashion Week (2022) e na exposição “Bandeiras e Cores Entre Nós”, em Búzios (a convite da artista e curadora Ângela Oliveira, em 2023), além da inauguração da Galeria Rose Art, no Shopping Grão Pará (2022).

 

Sobre Tarso Sarraf

Tarso Sarraf começou a fotografar em 1991 quando participou de oficina na Associação FotoAtiva e Núcleo de Oficinas Curro Velho com mais de 30 anos de profissão dedicados ao Fotojornalismo. Já passou como repórter fotográfico por importantes jornais da capital paraense, como o Jornal Diário do Pará (de 2007 a 2011), Jornal Amazônia, Jornal O Liberal (de 2011 a 2018). De 2021 à presente data, é Coordenador Audiovisual do Grupo Liberal e colabora periodicamente com a mídia nacional e internacional em veículos como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Valor Econômico, Revista Veja e Agência France Presse (AFP). Possui importantes prêmios, dentre eles o Prêmio Abril de Jornalismo (2011), Prêmio Hamilton Pinheiro de Jornalismo (2020, em 1º lugar) e 43º Prêmio Jornalismo Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (2021, em 1º lugar). Entre coberturas já realizadas, merecem destaque: Olimpíadas Rio 2016, Copa Rússia 2018, Copa Catar 2022, Covid-19 no Pará, 2020 e 2021, além das posses presidenciais de Dilma (2011 e 2015), e Lula, em 2023. Possui trabalhos publicados nos livros “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro” (2014 a 2021) e Focus Le Regard des Photographes de I’AFP 2020 Focus Le Regard des Photographes de I’AFP (2021).

Até 09 de junho.

 

Construções tridimensionais de Carlos Fajardo

08/maio

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresentará, entre 20 de maio e 24 de junho, “Forse che sì, forse che no / Talvez sim, talvez não”, segunda exposição individual do artista Carlos Fajardo na sede da galeria. A mostra reúne um conjunto de 12 construções tridimensionais compostas por sobreposições de vidros laminados coloridos e transparentes que, circunscritos ao formato de uma caixa retangular, distribuem-se ritmicamente pelas paredes da galeria. Em “Forse che sì, forse che no / Talvez sim, talvez não”, Fajardo dá continuidade à investigação que desenvolve há mais de cinco décadas sobre as relações espaciais entre o corpo, o objeto e a arquitetura, realizada nesta ocasião através do trabalho com materiais reflexivos, transparentes e luminosos que põem em dúvida o sentido da visão. A exposição conta com texto de apresentação do crítico e curador Diego Matos.

Embora se construam a partir de ângulos retos, as obras de Carlos Fajardo não pretendem convocar leituras fechadas. Os quadrados, os espelhos e as repetições podem ser, em um primeiro momento, identificados como recursos de uma linguagem assertiva, mas dentro da investigação do artista, eles são utilizados como ferramentas que abrem espaço para a ambiguidade. As peças apresentadas na exposição são formadas por sobreposições de superfícies de vidro dispostas em um determinado ângulo cuja inclinação produz um efeito de multiplicação de cores e planos, permitindo ao espectador acessar uma terceira dimensão. As doze caixas que ocupam a extensão das duas paredes opostas que configuram o espaço expositivo, ressoam e multiplicam o formato retangular da arquitetura da galeria, formando um corredor de espelhos coloridos e reflexos imprecisos. Cada caixa é composta por dois quadrados de cor, mas essas cores também não são fixas, variam a depender da incidência da luz e do movimento do olho de quem vê. Um retângulo, outro retângulo, e mais outro: repetem-se como a mesma nota musical inscrita numa partitura. Um mantra desconcertante. E é nos deslocamentos dos corpos e nas inclinações dos eixos que os espelhos vibram – talvez sim, talvez não.

 

Sobre o artista

Carlos Fajardo nasceu em 1941 em São Paulo, onde vive e trabalha. Sua obra possui grande relevância no panorama da arte brasileira assim como sua atuação de mais de 40 anos como professor. Ao longo de sua carreira, participou de diversas exposições importantes no Brasil e no exterior, dentre as quais Jovem Arte Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), em 1967, organizada por Walter Zanini. Participou da 9ª, 16ª, 19ª, 25ª e 29ª edição da Bienal de São Paulo, respectivamente em 1967, 1981, 1987, 2002 e 2010. Representou o Brasil na Bienal de Veneza em 1978 e em 1993. Participou da 1ª e da 4ª edição da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Com Nelson Leirner, José Resende, Geraldo de Barros, Wesley Duke Lee e Frederico Nasser integrou, de 1966 a 1967, o Grupo Rex. O grupo questionava as instituições e o modus operandi do sistema de arte por meio de intervenções, publicações, palestras, projeções ou encontros. Em 1970 fundou junto a José Resende, Luiz Paulo Baravelli e Frederico Nasser a Escola Brasil, um “centro de experimentação artística dedicado a desenvolver a capacidade criativa do indivíduo” que foi importante não só na formação de muitos artistas brasileiros, mas também no amadurecimento das discussões sobre ensino e aprendizado de arte no país.

 

 

Daniel Lannes em cartaz na Galatea

04/maio

 

A Galatea, Jardins, São Paulo, SP, anuncia a individual do artista Daniel Lannes, intitulada “Paraísos”, com abertura no dia 11 de maio, às 18h. A exposição conta com texto crítico de Tomás Toledo e depoimento de Beatriz Milhazes sobre o percurso do artista.

Inspirado pelo poema “Opiário”, de Álvaro de Campos (um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa), Lannes apresenta cerca de 20 pinturas cujas cenas se sobrepõem e se complementam em uma espécie de deriva entre o mundo real e imaginário. Tal como a voz que fala da sua “vida de bordo” no poema, o pintor vai buscar “Um Oriente ao oriente do Oriente.” Ao abrir mão de trazer seus personagens dentro de uma ordem lógica da narrativa, o artista deixa que o espectador preencha as lacunas dessa viagem-deriva que se atravessa a pinceladas largas.

Até 17 de junho.

 

 

Espaços domésticos por Ana Hortides

 

A exposição “Dona”, de Ana Hortides, amplia pesquisa em torno da potência política e poética dos espaços domésticos, na Arte Fasam Galeria & Galpão Cru, Barra Funda, São Paulo. Esta é a primeira mostra individual da artista Ana Hortides na cidade e aborda de forma poética a questão da propriedade como afirmação pessoal e política. Com conceitos que vão do même à playlist, “Dona” ainda convida o público para uma conversa e visita guiada.

A Arte Fasam Galeria e o Galpão Cru realizam uma conversa e visita guiada à exposição “Dona”, de Ana Hortides, com a presença da artista e da curadora, Ludimilla Fonseca, na quinta-feira, 11 de maio, às 19h, no espaço expositivo, onde será discutido o processo artístico que resultou na mostra. Nascida e criada no bairro de Vila Valqueire, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Ana Hortides desenvolve uma ampla pesquisa em torno da potência política e poética dos espaços domésticos, que se expande a partir de uma prática focada nos materiais como meios de explorações formais. A mostra seguirá em cartaz até o dia 13 de maio.

A artista exibe pela primeira vez séries de trabalhos desenvolvidas exclusivamente para a mostra, discutindo e refletindo sobre os conceitos contemporâneos de “dona”, “proprietária”, “a patroa tá on” e “ela faz o corre dela”, expressões que podemos dizer que nos dias de hoje, vão além dos memes, sendo, acima de tudo,  afirmações pessoais e políticas. Além disso, foi elaborada uma playlist com hits que vão dos anos 1970 aos 2000 e que emplacaram nas paradas de sucesso nas rádios da época, e, que, decerto modo, abordam questões implicadas no processo artístico e curatorial que culminou em “Dona”.

A mostra traz o conjunto de esculturas “O Coro”, da série “Outsiders”, desenvolvidas com concreto e azulejos: peças únicas e numeradas que a artista garimpa e adquire em armazéns e fábricas antigas do Rio de Janeiro: “Como esses pisos estavam nas casas de tantas pessoas, a artista considera que eles ressoam como um grande coro inaudível, entoando um mesmo murmurinho nostálgico que conta e canta o passado”, conta a curadora.

A artista também mostra uma série de telas inéditas, produzidas com cortinas sobre chassi. Ao mesmo tempo em que jogam com a noção histórica das “pinturas como janelas para o mundo”, essas obras nos lembram das cortinas como “esconderijos”. Ao ficar atrás delas, nossos corpos infantis perdiam seus relevos humanos, adquirindo os  contornos do tecido. E, assim como o verso das pinturas, nos tornávamos invisíveis.

Além de uma obra instalativa, o projeto exibe o vídeo inédito “Cômodo”, para o qual Hortides desenvolveu um maquinário mecânico específico, cujo objetivo era despertar a casa. As máquinas simulam as batidas de coração e o movimento da respiração, evidenciando a existência autônoma dos objetos caseiros. “Nas casas onde crescemos, também havia um cantarolar baixinho, mas onipresente. Era a trilha sonora das mães e avós responsáveis pelas tarefas domésticas: enquanto passavam roupas e lavavam as louças, elas cantarolavam para si mesmas. Os cômodos eram suas plateias silenciosas, mas sempre presentes” – conta a artista.

Segundo a curadora Ludmilla Fonseca – “Neste espaço expositivo, não houve tentativa de forjar um ambiente de galeria. As características arquitetônicas, com destaque para o vidro e o cimento, são absorvidas, criando a ficção de um espaço em que nada funciona, exceto pela luz natural que entra através das janelas. Hortides se apropria desse contexto desenvolvendo um trabalho site-specific. Construído com azulejos, esculturas de caquinhos e uma samambaia, “Daydreamer” explicita que qualquer uso dado a qualquer lugar é sempre temporário. Passado e futuro ficam justapostos nesta instalação que também vai desaparecer.”

A mostra “Dona” sugere que a gente se retire das nossas lembranças e imagine os espaços afetivos do passado sem a nossa presença. Temos a tendência de achar que nada  acontece sem a interferência humana. No entanto, as coisas que nos cercam têm vida  própria: elas também envelhecem e, ao serem abandonadas ou descartadas, descobrem  como viver sozinhas.

 

Sobre a artista

Ana Hortides tem formação em Artes pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Participou da Residência Pivô Arte Pesquisa, São Paulo, 2022. Artista indicada ao Prêmio PIPA, 2021. Finalista do Concurso Garimpo da Revista DASartes, 2018. Recebeu o prêmio aquisição do 36º Salão de  Artes  Plásticas  de  Jacarezinho, Paraná, 2021, e do 1º Salão de Artes em Pequenos Formatos do Museu de Arte de Britânia, Goiás, 2019. O seu trabalho integra a coleção do Museu de Arte do Rio e de coleções particulares.

 

 

Artistas do papel no Museu Judaico

03/maio

 

Mostra reúne obras que utilizam o papel como suporte para diversas técnicas e destacam o protagonismo feminino no núcleo artístico.

O Museu Judaico, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta, a partir do dia 06 de maio (e até 13 de agosto), a exposição “Artistas do Papel: Obras colecionadas por Ruth Tarasantchi para o acervo do MUJ”, que reúne 32 obras de artistas mulheres judias feitas em papel em variadas técnicas, visando destacar a importância da presença de mulheres no núcleo artístico.

É a primeira mostra composta exclusivamente por obras do acervo do Museu. As peças foram coletadas por Ruth Sprung Tarasantchi, curadora e uma das fundadoras do Museu Judáico de São Paulo, que as recebeu como doações das próprias artistas ou de seus familiares, e trazidas à exposição em curadoria conjunta de Felipe Chaimovich.

Os conjuntos das obras tiveram sua organização pensada a partir de categorias de arte acadêmica, tais como retratos, cidades e paisagens, passando ainda por abstrações e também por um conjunto sobre temas da judeidade.

Felipe Chaimovich conclui: “A relevância das mulheres na formação deste acervo inaugural de arte indica a atenção do Museu para com uma história da arte plural e inclusiva, e que aproxime artistas menos conhecidas de autoras consagradas”.

Uma das artistas homenageadas no painel de abertura da exposição é a imigrante francesa Bertha Worms, cuja trajetória artística como primeira mulher a ser professora profissional de pintura em São Paulo no século XX foi estudada por Ruth Sprung Tarasantchi. Além de Bertha, a exposição traz obras de Fayga Ostrower (doadas por sua filha, Noni), Renina Katz, Gisela Leirner, Gerda Brentani, Hannah Brandt, Clara Pechansky, Miriam Tolpolar, Nara Sirotsky, Paulina Laks Eizirik, Agi Strauss e várias outras.

Ruth Sprung Tarasantchi, além de curadora e uma das fundadoras do MUJ, é também pioneira no tratamento de lacunas em exposições quanto a questões de gênero. Na mostra “Mulheres Pintoras”, em 2004 na Pinacoteca, evidenciou – no papel de curadora, a sub-representação de artistas mulheres nas coleções museológicas brasileiras.

 

Sobre o Museu Judaico de São Paulo (MUJ)

Inaugurado após vinte anos de planejamento, o Museu Judaico de São Paulo é fruto de uma mobilização da sociedade civil. Além de quatro andares expositivos, os visitantes também têm acesso a uma biblioteca com mais de mil livros para consulta e a um café que serve comidas judaicas. Para os projetos de 2023, o MUJ conta com o Banco Alfa e Itaú como patrocinadores e a CSN, Leal Equipamentos de Proteção, Banco Daycoval, Porto Seguro, Deutsche Bank, Cescon Barrieu, Drogasil, BMA Advogados, Credit Suisse e Verde Asset Management como apoiadores.