Prêmio em Artes gráficas

12/mar

 

 

O Núcleo de Estudos Marcello Grassmann, São Paulo, SP, anuncia o I Prêmio Marcello Grassmann – artes gráficas. Uma realização do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

O I Prêmio Marcello Grassmann – artes gráficas é para artistas que inscreverem um projeto inédito em gravura.
As inscrições estão abertas de 07 de março a 07 de abril de 2021, para trabalhos inéditos em gravuras produzidas por artistas visuais brasileiros.

Três artistas selecionados terão acompanhamento com as juradas artísticas, receberão R$ 8.000,00 cada um e terão suas obras expostas na XXIX Semana Cultural Marcello Grassmann, que acontece online em setembro de 2021.

A convite do Núcleo, Luise Weiss, Maria Bonomi e Mayra Laudanna formam o corpo de juradas artísticas responsáveis pela seleção e acompanhamento dos processos artísticos dos artistas.

Confira a convocatória em

nucleomarcellograssmann.org.br/premio

Comunicado

05/mar

 

Seguindo as orientações do Governo do Estado de São Paulo sobre a mudança para a fase vermelha do Plano São Paulo, como forma de contenção da pandemia do COVID-19, o mam estará fechado do dia 06 de março, próximo sábado, ao dia 19 de março, sexta-feira.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo preza pela segurança, bem-estar e saúde do público, de seus colaboradores e da sociedade como um todo. A nossa programação continua no #mamonline, com visitas virtuais, cursos online, oficinas e encontros à distância, conteúdos nas redes sociais, além do Festival Corpo Palavra, com apresentações acessíveis e gratuitas no Youtube do mam.

 

FIAC Online Viewing Rooms | Glauco Rodrigues

 

 

55 11 3853 5800 – Rua Oscar Freire, 379 – São Paulo – bergamingomide.com.br

 

Duas artistas no Projeto “Interações”

03/mar

 

A LONA, Galeria, Centro, São Paulo, SP, e Anexo, inicia o Projeto INTERAÇÕES que irá ocupar, alternadamente, seus dois espaços expositivos. Em uma sequência de mostras, os artistas representados pela LONA são agrupados de forma a transmitir mensagens tanto únicas como uníssonas em exposições coletivas. As mostras estarão disponíveis para visitas com agendamento e em formato virtual nas plataformas digitais da galeria.

INTERAÇÕES 1

As artistas Cristina Elias e Thais Stoklos exibem 21 trabalhos, entre pinturas, desenhos, instalações e vídeos no ANEXO LONA.

Cristina Elias traz “Releituras de Hokusai”, onde faz uma reescritura particular do traço do artista japonês por meio de técnicas diversas, que se interpenetram: desenho e tricô. Esse resultado pode ser visto em desenhos, pinturas e uma instalação. “O meu processo criativo prioriza a ação, aquilo que se está fazendo, ao objeto (estático) de arte. (….) Por isso, dada a relação intrínseca entre ação do corpo e objeto, chamo meus trabalhos de objetos-ação. Além disso, trabalho na intersecção entre as artes visuais e as artes do corpo (especificamente o Butô japonês) e, o que vou expor é o resultado de anos de treino psicofísico nessa zona de interação”, define Cristina Elias. “Partindo do movimento, seja especificamente das mãos ou do corpo de forma sistêmica, a artista dá continuidade à pesquisa iniciada há 10 anos com a abstração do texto em imagem e da aplicação de uma forma sinestésica de percepção à produção visual”, define Duilio Ferronato.

Em diálogo com as obras de Cristina tem-se o trabalho de Thais Stoklos, no momento representado pela série “Déficit” onde a artista apresenta trabalhos compostos por desenhos, instalação e vídeos, onde o gesto se torna visível através de apagamentos de uma ação insistente. “A palavra “déficit” significa: aquilo que está faltando para completar uma conta; o que falta para preencher certo valor ou quantidade; aquilo que está faltando para completar um todo. O “déficit” abala uma expectativa comum, surpreende o esperado, e indica uma nova atenção “, define a artista. Há interação, “porque os dois atos opostos são criadores. O impulso de criar já pressupõe a possibilidade de erro e este, então, já estimula uma insistência, um ajuste, uma renovação do olhar. Os trabalhos apresentados falam da informação dada através do rastro do gesto, onde a inclinação inata da combinação é a resistência das potências contrárias. O diálogo entres elas é o que faz se aprimorar”, explica Thais Stoklos.

Projeto INTERAÇÕES

Por falta de imunidade, foram excluídas as possibilidades de encontros. A simples perspectiva de interação sugere contaminação.” As relações dos últimos 2 anos entre os artistas da Lona Galeria têm se mostrado fecundas e incomuns. O grupo vem mantendo constante contato, trocando ideias e analisando ações mútuas. O contato artístico é tanto antropofágico como apropriador; basta um olhar e a transformação já principia. Artistas se contaminam de propósito com ideias, imagens e conversas. Não há lugar para barreiras. Os processos artísticos interessam tanto quanto o resultado e, as provocações constantes que surgem de todas as partes, sejam na área criativa ou comercial, nos mantém em alerta constante”, explica o coordenador Duilio Ferronato.

Com INTERAÇÕES, pretendem discutir os processos e alcançar uma nova etapa de amadurecimento artístico, institucional e comercial.

“Os 2 primeiros anos nos mostraram diversas possibilidades, que firmamos nossa convicção de que incentivar o processo artístico é o que nos deixa animados para os próximos lances.”

De 06 de março até 17 de abril.

Ricardo Ribeiro : Exposição e lançamento de livro

26/fev

 

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, apresenta a partir do dia 27 de fevereiro, na sede de São Paulo, “Puxirum”, exposição do artista Ricardo Ribeiro que contará com lançamento de livro homônimo. A visitação neste dia poderá ser realizada das 10h às 18h, respeitando todas as recomendações das autoridades de saúde, como o uso de máscaras e distanciamento social.

As visitas espontâneas serão bem-vindas, mas para a segurança de todos e melhor controle do espaço, recomendamos que agende sua visita. Pedimos que nos envie um e-mail com o seu nome completo indicando o dia e horário de sua preferência

 (Email: info@galeriamarceloguarnieri.com.br – telefone: 11 3063 5410)

A mostra reúne fotografias feitas entre 2016 e 2018 em São Pedro, povoado localizado às margens do Rio Arapiuns, no estado do Pará. A série trata de um olhar poético e político do cotidiano de uma comunidade ribeirinha que organiza seu modo de vida entre as economias de subsistência e mercantil. “Puxirum” foi editada em livro homônimo, impresso em 2020 com o suporte da Pollock-Krasner Foundation.

“Puxirum” é uma palavra de origem tupi que define uma prática social e cultural ainda encontrada em áreas rurais na qual um grupo de pessoas reúne-se por um dia para desenvolver coletivamente um trabalho na roça. Em língua portuguesa pode ser traduzida como “mutirão”. Durante as nove visitas que fez a São Pedro ao longo de dois anos, o fotógrafo Ricardo Ribeiro acompanhou de perto a dinâmica em torno desse trabalho. Em sua primeira visita, ainda em 2016, chegou ao povoado munido apenas de um bilhete, no qual seu amigo Zair pedia a sua mãe Zeneide que o recebesse e o apresentasse aos demais moradores de São Pedro. A partir de então, Ribeiro passou a negociar sua presença naquele lugar através de pequenos serviços que podia oferecer enquanto fotógrafo, restaurando fotografias antigas, corroídas pela umidade, ou fazendo retratos das crianças em trajes de festa.

Enquanto aprendia a observar o seu entorno e a conviver não somente com aquele grupo de pessoas, mas também com a própria natureza, sob um ritmo de vida bem mais desacelerado ao que estava habituado, Ribeiro fotografava. Não pretendia desenvolver ali qualquer tipo de trabalho antropológico, a sensação de estranhamento e o estado de deslocamento lhe permitiriam, afinal, entregar-se ao desenvolvimento de sua linguagem poética. Esse exercício, no entanto, não era imune às problemáticas que configuravam o contexto em que estava inserido, e acabava por traduzir, em imagens, as percepções do fotógrafo. “Isolada pela paisagem e pela falta de eletricidade, a cultura está à beira de uma ruptura com um passado baseado na família, religião, costumes e trabalho comunitário. Os jovens que se beneficiaram dos programas governamentais bem-sucedidos nas últimas duas décadas para reduzir a fome, agora, rejeitam tradições estabelecidas há muito tempo e não se resignam mais às perspectivas limitadas de seus pais”, escrevia Ribeiro em seu diário.

Em “Puxirum”, Ricardo Ribeiro retrata essa sensação de um tempo vagaroso com a ajuda de sua câmera Hasselblad, em um processo totalmente analógico. Por meio de cores pouco saturadas e da baixa luz, suas fotografias transmitem a atmosfera melancólica que envolve a vila de São Pedro, através, por exemplo, do registro de seus habitantes em momentos de introspecção. Em uma delas, retrata a cena ao redor de uma jovem repousando em uma rede azul após ter sido atingida por um raio. “Tampouco havia zum zum zum”, escrevia o fotógrafo, “havia silêncio, um compasso de espera pelo que o tempo haveria de dizer”. Tal vagarosidade, que também o acompanhava durante o trajeto de dez horas que tinha que percorrer desde Santarém até São Pedro, é novamente abordada em “Novo Relógio Velho”, filme que também integra a exposição.

Muitas das fotografias que fez em São Pedro foram expostas pela primeira vez na própria comunidade, distribuídas em espaços públicos da vila e exibidas em diversos formatos. Reuniu no Barracão Comunitário 32 fotos em uma exposição, e na noite da abertura preparou um telão na quadra de futebol onde foram projetadas outras tantas imagens. Na escola indígena e na escola regular montou varais de fotos com cinco cópias de cada, permitindo que cada criança pudesse levar para casa aquelas que mais gostassem. Ao ar livre, em pontos onde as fotografias haviam sido captadas, montou alguns painéis das imagens impressas em lona, material resistente às chuvas e à umidade típicas da região. Ainda na casa onde funcionava a retransmissora local, montou uma videoinstalação com a projeção de “Filha Ausente”, filme que fez sobre os filhos que se vão de São Pedro. O título faz referência à música homônima composta por Sr. Riso (cancioneiro local), dedicada a um de seus oito filhos. Ao retornar para São Paulo pela última vez em 2018, Ribeiro deu início a edição do livro “Puxirum”, que além das imagens, reúne fragmentos do diário que escreveu no período em que esteve na vila paraense.

Sobre o artista

Ricardo Ribeiro nasceu em 1978 em São Paulo, onde vive e trabalha. Fotógrafo e artista visual, concluiu em 2016 o programa de Práticas Criativas do International Center of Photography – ICP em Nova York. Seu projeto “Puxirum” foi exibido in loco, em São Pedro, comunidade situada às margens do Rio Arapiuns, no oeste do Estado do Pará, onde foi fotografado entre 2016 e 2018, em mostra concebida e organizada em parceria com os residentes locais. O mesmo trabalho foi premiado, em 2019, pelo 7o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, e, em 2018, pelo 9o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Também exibido em Salvador-BA, Belém-PA, Porto Alegre-RS e Santos-SP. Seu mais novo projeto, “Norte-Sul Esquerda-Direita”, ainda em andamento, foi escolhido e é hoje financiado pela Fundação Pollock-Krasner (Pollock-Krasner Foundation) , com sede em Nova York, EUA

Até 27 de março.

Oficina Molina –  Palatnik

05/fev

 

Em cartaz até dia 27 de março no Sesc Avenida Paulista, São Paulo, SP, a exposição Oficina Molina – Palatnik propõe um diálogo entre as obras de Abraham Palatnik (1928-2020) e Mestre Molina (1917-1998), dois artistas brasileiros que se conectam pela atração pelo movimento e engenhosidade. Com curadoria da equipe do Sesc-SP, a mostra evidencia semelhanças e diferenças entre os trabalhos destes dois inventores, como afirma Danilo Santos de Miranda: “Representantes de vertentes artísticas tidas, de um lado, como popular e, de outro, como erudita, tanto Molina como Palatnik ocupam papel de destaque no Acervo Sesc de Arte”. Para o diretor regional do Sesc-SP, “se há patentes dessemelhanças entre seus processos de criação, percebe-se, todavia, que os dois artistas mobilizaram seus repertórios e universos culturais em prol de singulares sínteses moto-construtivas”.

Seguindo os cuidados e protocolos por conta da pandemia de Covid-19, a mostra pode ser visitada com agendamento pelo site do Sesc. Lizandra Magalhães e Fabiana Delboni, assistentes da Gerência de Artes Visuais do Sesc-SP foram as responsáveis pela montagem de “Oficina – Palatnik.

Fonte: Arte!Brasileiros

Serpa no CCBB SP

02/fev

 

 

 O Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Histórico, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Ivan Serpa: a expressão do concreto”, uma ampla retrospectiva de um dos mais importantes mestres da História da Arte Brasileira. A mostra apresenta 200 trabalhos, de diversas fases do artista que morreu precocemente em1973, mas deixou obras que abrangem uma grande diversidade de linguagens, utilizando várias técnicas, tornando-se uma referência para novos caminhos na arte visual nacional.

 

 

“Ivan Serpa: a expressão do concreto” percorre a rica trajetória do artista, expoente do modernismo brasileiro através de obras de grande relevância selecionadas em diversos acervos públicos e privados.

 

 

Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Hélio Márcio Dias Ferreira, a mostra apresenta obras de todas as fases do artista: Concretismo / colagem sob pressão e calor / mulher e bicho / anóbios (abstração informal) / Negra (crepuscular) / Op – erótica / Anti-letra / Amazônica / Mangueira e geomântica.

 

 

A pluralidade criativa e suas expressões ratificam o importante papel de Ivan Serpa na arte moderna brasileira, na criação e liderança do Grupo Frente (Lygia Clark, Lygia Pape, Franz Weismann, Hélio Oiticica, Abraham Palatnik e Aluísio Carvão), e através de seu projeto de difundir e motivar as novas gerações para a arte, com suas aulas para crianças e adultos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.  A virtuosidade de Serpa e seu amplo domínio da técnica e de seus meios expressivos foram reconhecidos na primeira Bienal de São Paulo, em 1951, quando foi considerado o Melhor Pintor Jovem de um dos principais eventos do circuito artístico internacional.

 

 

 

“Ivan Serpa: a expressão do concreto” resume a essência da obra desse artista que, apesar de ser mais conhecido pelo Concretismo, também se aventurou pela liberdade do Expressionismo, sem nunca perder contato com a ordem e a estrutura. Trata-se de uma exposição única, de um artista complexo, definitiva para reascender a memória sobre esse operário da arte brasileira.

 

A palavra de Hélio Márcio Dias Ferreira, pesquisador e especialista na obra de Ivan  Serpa.

 

“Agradecemos a Ivan Serpa pelo seu legado, que deixou um rastro de liberdade na arte brasileira, da modernidade aos nossos dias. Lembremos que, na sua relativamente curta trajetória, ansioso por viver e trabalhar, desde pequeno viveu sob a ameaça da morte, mas encontrou tempo para ensinar aos outros o poder da arte”.

 

 

 

A palavra de Marcus de Lontra Costa

 

“Trajetórias corajosas, como as de Ivan Serpa, acentuam a importância da ação artística como instrumento de definição das identidades culturais comuns, mas, também, como agente de questionamento e subversão. No mundo contemporâneo é preciso sempre estar atento e forte, e se alimentar de saberes oriundos do passado recente, para que possamos enfrentar os dilemas e desafios do presente e do futuro. Por isso o desafio maior da arte contemporânea é o enfrentamento, e exemplos como o de Ivan Serpa, nos dão a régua e o compasso e nos ensinam a superar e vencer os dragões da maldade”.

“Ivan Serpa surpreende até hoje por sua extrema sensibilidade, pelo seu permanente compromisso com a liberdade que alimenta a verdadeira criação artística. Enquanto críticos e teóricos cobravam do artista uma coerência estética, veiculando-a a uma determinada escola artística, Serpa respondia com a ousadia e o desprendimento característico dos verdadeiros criadores. Entre tantos ensinamentos, a lição que Serpa nos lega é essa ânsia, esse compromisso permanente com a liberdade e a ousadia que transforma a aventura humana em algo sublime e transformador. Por isso, hoje e sempre, é preciso manter contato com a produção desse artista exemplar que transforma formas e cores num caleidoscópio mágico, múltiplo e íntegro em sua linguagem expressiva”.

 

A mostra que passou pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte chega ao CCBB São Paulo com uma montagem exclusiva pensada para ocupar toda a Instituição que a ambientará até 12 de abril.  Depois de São Paulo, a exposição segue para o Centro Cultural do Banco do Brasil Brasília.

 

Glauco Rodrigues na Bergamin & Gomide

25/jan

 

 

A Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar sua primeira exposição do ano Acontece que somos canibais individual do artista Glauco Rodrigues (1929-2004). Entre os dias 06 de fevereiro a 13 de março de 2021, a exposição apresenta cerca de 30 obras que compreendem o período de 1969 a 2002, e conta ainda com texto crítico da historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

 

Acontece que somos canibais por Lilia Moritz Schwarcz

 

Chega em ótima hora a exposição Acontece que somos canibais que traz as obras da fase pop do artista Glauco Rodrigues. Num momento em que grassa o obscurantismo; em que temos sido lesados por uma crise que é política, econômica, moral, cultural e da saúde; em que vamos sendo invadidos por uma patriotada fácil e que sequestrou os nossos símbolos nacionais; em que tomamos um golpe a cada dia, nada como o humor satírico e crítico do artista gaúcho que, com suas cores fortes, seus desenhos em série, seu fundo branco infinito fez política a partir da arte. Política com muita arte.

Glauco Rodrigues (1929-2004) nunca coube numa caixinha ou numa definição fácil. Nascido em Bagé, no Rio Grande do Sul, ele começou na profissão como autodidata. Logo recebeu sua primeira bolsa de estudos ofertada pela própria prefeitura da sua cidade e passou três meses na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (ENBA), que aglutinava velhos, mas também, novos talentos. De volta, funda em 1951 o Clube da Gravura de Bagé junto com os colegas Glênio Bianchetti e Danúbio Gonçalves. O grupo, que tinha em comum claras simpatias pelo socialismo, passou a se dedicar à figuração, retratando paisagens da região, num ambiente basicamente rural.

A convivência com os amigos pintores fez com que Glauco resolvesse se dedicar às artes visuais, profissionalmente. Muda-se então para a capital de seu Estado e participa do Clube de Gravura de Porto Alegre, fundado por Vasco Prado e Carlos Scliar.

Em 1958, parte para o Rio de Janeiro em busca de uma carreira mais sólida. Nesse contexto, associa-se à Senhor, uma publicação onde o amigo Carlos Scliar já colaborava, além de nomes conhecidos no meio carioca, como Clarice Lispector e João Guimarães Rosa, e os então novatos Paulo Francis e Jaguar.  De curta duração, apenas cinco anos – de 1959 e 1964 -, a Revista fez história, por conta de sua importância para as letras nacionais e as artes gráficas; área em que Glauco Rodrigues rapidamente se destacou.

Nessa época, e para sobreviver na cidade grande, Glauco se dedicou também a fazer retratos da elite local e daquela que circulava pela animada capital do país. Eram retratos pouco comportados, que incluíam cenas inusitadas e personagens inesperados; tudo numa mesma tela. O artista participou em 1960 do IX Salão Nacional de Arte Moderna, quando obteve um prêmio que lhe facultou viajar ao exterior. Já na Europa, tomou parte da Bienal de Paris e, por conta de um convite da embaixada brasileira, morou em Roma entre os anos de 1962 e 1965, quando teve oportunidade de participar da XXXII Bienal de Veneza. Voltou-se então para o abstracionismo; gênero muito estimado naquele contexto.

Ao retornar ao Brasil, toma parte da exposição Opinião 66, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, junto com artistas como Anna Maria Maiolino, Hélio Oiticica, Ivan Serpa e Lygia Clark. Por outro lado, se ressente com o novo ambiente político do país, marcado pelo Golpe de 1964. Definitivamente, o Brasil que deixara não era mais aquele para o qual reencontrava.

Decide, então, que era chegada a hora de contar a sua história visual do Brasil. Datam dessa época, telas do artista com clara influência da arte pop, que anunciava uma estética em série e avessa ao que considerava ser o “hermetismo da arte moderna”. O uso de cores fluorescentes, brilhantes e vibrantes – feitas com tinta acrílica, poliéster e látex -, empregadas até então quase que exclusivamente na publicidade, nas capas de revistas, nos cartazes de rua e nos objetos de consumo, também caracterizava o gênero.

Glauco, que convivera com esse movimento quando no exterior, aderiu a ele traduzindo-o para o contexto brasileiro. O gênero também combinava com os sentimentos do artista na época de seu retorno ao Brasil. O diagnóstico previa uma grave crise da arte, e a maneira de apresentá-la era produzindo obras críticas à massificação da cultura popular capitalista, tão marcada pelo consumo.

O pintor passa a rever, de maneira iconoclasta, obras brasileiras clássicas, temas ligados à identidade nacional – os indígenas, a natureza tropical, o futebol, o carnaval -, bem como assuntos vinculados à história nacional.

Como morava perto da praia, Glauco começou a retratar cenas cotidianas de  banhistas, acrescidas da combinação de uma série de elementos simbólicos e inusitados – garotas de biquíni ao lado de militares; atores conhecidos, usando diminutas sungas, contracenando com pessoas anônimas e vestidas de maneira mais convencional; o Pão de Açúcar ladeado por frutas tropicais; a imensa escultura do Cristo Redentor convivendo com frases pop do tipo: “o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca”.

O pop, que bebia da experiência gráfica e reprodutível, entra de frente na obra de Glauco Rodrigues, que passa a criar telas muito coloridas, lembrando as tonalidades chapadas da produção industrial. Ao mesmo tempo, o artista quebra a harmonia introduzindo figuras em situações variadas, mas que parecem soltas no espaço, uma vez que dispostas diante de grandes planos de fundo imaculadamente brancos, e que assim passam a impressão de serem infinitos.

São dessa época as obras por ele definidas como Brasilianistas e Antropofágicas. O artista gaúcho relê a antropofagia de Tarsila do Amaral e do movimento modernista paulistano para também devorar assuntos canônicos da história e das artes no Brasil.   Séries como Terra Brasilis (1970), Carta de Pero Vaz de Caminha (1971), No país do Carnaval (1982), Sete vícios capitais (1985), fazem parte da guinada pop do artista.  Atento à eficácia simbólica, Glauco finalizou muitas telas sobre o Pão de Açúcar e centenas sobre São Sebastião, com o santo sendo personificado no corpo de artistas nacionais, e sempre cobertos de flechas.

Ao lado do processo antropofágico – e que o leva a traduzir e deglutir o Brasil a partir de pinturas que carregam, ao mesmo tempo, humor e crítica social -, Glauco impregna em suas obras uma clara carnavalização da cultura brasileira. O indígena, as frutas, o futebol, as passistas de escolas de samba… todos recebem cores tropicais e muitas vezes aparecem acompanhados de frases críticas; tudo num clima e num ritmo de carnaval.

Seu processo criativo começava com a reprodução de cartões postais, de imagens retiradas de revistas ou dos jornais, e de suas próprias fotografias. Era a partir desses registros que o artista recriava ambientes, abusando do verde e amarelo e por vezes introduzindo a própria bandeira nacional. A dissonância e o deslocamento entre as figuras e as circunstâncias apresentadas, o clima de festa, a brincadeira, são elementos que deixam evidente a veia satírica do pintor que, em tempos de ditadura, se negava a compactuar com os mitos e estereótipos criados e difundidos pelos militares.

Na exposição Acontece que somos canibais, a fase pop de Glauco Rodrigues está muito bem representada. Frutas tropicais, o Cristo Redentor, o Carnaval, as mulheres de biquíni, os indígenas kaxinawá, dividem espaços com cenas retiradas da história do Brasil. Esse é o caso das releituras, na chave do tropicalismo crítico, da tela de Almeida Júnior – O derrubador brasileiro (1875) -, e da obra A primeira missa no Brasil, de Vitor Meireles (1861). Muito conhecidas, utilizadas quase que como carteiras de identidade, essas duas pinturas devolvem, na chave do patriotismo, faces e expectativas de um país que se quer ver como desbravador e que gosta de se representar na base da (falsa) tolerância e de um suposto (e ilusório) pacifismo.

Já na perspectiva de Glauco Rodrigues, porém, o realismo vira sátira e burla, por meio da alusão e da correspondência. Nada é exatamente o que ali se apresenta. Nessa nova “Missa” (que não é mais a “Primeira”) desfilam em ritmo de samba, indígenas, religiosos e militares, aliás, já presentes na cena criada por Meireles. Mas no quadro de Glauco eles dividem espaço com pessoas anônimas e curiosas, crianças, casais e personalidades políticas. Aqui, sim, vemos uma verdadeira “Geleia geral”, parodiando a música lançada por Gilberto Gil e Torquato Neto em 1968, numa espécie de homenagem ao Tropicalismo.

Já o Derrubador de Glauco Rodrigues aparece com uma postura corporal idêntica à cena original, produzida por Almeida Junior, mas ao invés de se recostar numa rocha, apoia-se num duplo mapa do Brasil, verde e azul, aliás a cor do machado que ele carrega ostensivamente em sua mão esquerda. O contorno físico do território do Brasil, associado às cores da bandeira, como que invertem a situação, e o que era elevação vira agora crítica: piada pronta.

Indígenas, uma mãe e seu filho, surgem por vezes vestidos como catequizados – a despeito de manterem alguns sinais identitários, como pinturas corporais e um colar típico -, por vezes com suas indumentárias e instrumentos tradicionais apenas traídos pela blague das cores verde e amarela, por um colar de metal ou um relógio no braço esquerdo do rapaz. Como se vê, estão todos juntos e separados; convertidos e famintos, como diz a sentença que completa a cena.

Bananas, cajus, milhos, raízes, são descritos à moda dos naturalistas oitocentistas, mas denunciados, mais uma vez, pela abundância exagerada do verde e amarelo, por sob o mesmo fundo branco.

Mulheres negras vestidas à moda ou com roupas carnavalescas -frequentemente apresentadas em verde e amarelo – levam à mão uma menina indígena, com seu colar de nação ostensivamente maior do que seu corpo diminuto.

Enfim lá estão eles, os brasileiros, híbridos como queria o “mito da democracia racial” – que nessa época era muito explorado pela Ditadura Militar -, mas, ao mesmo tempo, por demais hierarquizados. Mistura também funciona aqui na base do “todos juntos e separados”.

Até mesmo a tipologia gráfica toma um formato e importância fundamentais quando inseridos nas telas de Glauco Rodrigues. De um lado, ela lembra os escritos que acompanhavam as aquarelas dos viajantes do século XIX, que, não contentes de esboçar pitorescamente a colônia dos portugueses, não raro, incluíam textos e assim procuravam dirimir qualquer dúvida de interpretação. No caso das telas de Glauco, porém, a tipografia assume papel crítico, ao mesmo tempo que vira elemento estético. Em geral desenhadas em azul, muitas vezes em verde e amarelo ou com uma palheta própria, elas se configuram como elementos de caráter tipográfico prontamente transformados em letras cursivas, porque feitas pela mão do artista que introduz a irregularidade intencional do gesto humano. Até nesse aspecto há, portanto, duplicidade e ambiguidade; no mesmo lugar onde se lê com presumida naturalidade, reside o lugar da inversão sagaz elaborada pelo artista.

A obra de Glauco Rodrigues ficou durante longo tempo basicamente esquecida, talvez por não corresponder ou se encaixar de maneira óbvia aos cânones modernistas da época. Entretanto, nos dias hoje, nesses tempos tão distópicos em que vivemos, quando a realidade parece exagerada e surreal (mas infelizmente não é), quando a política vira espetáculo fácil de autoritarismo, onde o verde e amarelo foram sequestrados de uma parte importante da população, a ironia sutil de Glauco talvez esteja finalmente em casa e diga respeito aos tempos do agora. Esse tempo em compasso de espera e que se apresenta na forma de um presente sem futuro.

Os kaxinawá de Glauco Rodrigues somos nós!  O verde e amarelo somos nós! Tudo em sua obra é arte antropofágica, no sentido dado pelos povos ameríndios que fazem da comida um ritual de troca e deglutição, sem geografia certa ou tempo delimitado.

Tudo deve ser digerido e vomitado, numa celebração da cultura brasileira que devora aos “outros”, mas também a si própria e a “nós” mesmos. Isso porque, “acontece que somos canibais” – verdes e amarelos, e tropicais.

 

“Relicto”, por Fernando Limberger.

15/jan

 

 

 
O Museu da Cidade, Sé, São Paulo, SP, convida até 14 de junho para a exibição de “RELICTO”, uma exposição orquestrada pelo talentoso artista visual Fernando Limberger dividida em dois espaços, a saber: Casa da Imagem e Beco do Pinto. 


Para a visitação é solicitado o uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento social.