Conversas na Nara Roesler

31/jul

Na ocasião das exposições “Fragmentos do Real [Atalhos]”, de Fabio Miguez e “No Meio”, de Bruno Dunley, a Galeria Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida para uma conversa aberta ao público com o professor, curador e crítico Tadeu Chiarelli, acompanhado dos artistas Bruno Dunley e Fabio Miguez, ambos pertencentes a gerações marcadas pela retomada da pintura, e que compartilham referências históricas do universo pictórico.

 

 

Conversas na galeria
Sábado, 04 de agosto 11h

Rodrigo Torres na SIM SP

20/jul

 

A SIM galeria, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta a série “Neolítico Express”.

 

Os trabalhos da série Neolítico Express, de Rodrigo Torres, estabelecem um diálogo curioso com a tradição: consagram, através de uma profanação minuciosa, a ambiguidade entre a obra intrínseca e extrínseca que marca nossa experiência com a arte contemporânea. No caso, a familiaridade com itens valiosos, num contexto decorativo ou museológico, é discutida em um processo de ruptura com o esperado ponto de vista reverente, aquele certo de encontrar ali algo de cujo núcleo emana uma verdade e beleza integral   , para ser problematizado quanto a um desenvolvimento particular da escultura no Brasil: o estremecimento das bases de uma autonomia, a partir da conclamação da cumplicidade diante de um estágio intermediário em que nada deveria ser visto como autêntico ou acabado de antemão.

 

Podemos pensar de início nosBólidesde Oiticica, no fato de que levam, desde o início da década de 1960, a uma relação renovada do público com o objeto, de outra forma, do participador com uma obra, que é simultaneamente um dispositivo sensorial e conceitual a ser acionado em um segundo estágio de aproximação. Ele participa no sentido de adensar a experiência ótica com uma camada de injunções às vezes precárias que culminam em significativas reconsiderações. E, principalmente, imagina que não há um único vetor construtivo que faz o artista produzir um objeto em uma totalidade que se mostra irredutível, mas um processo com idas e vindas que equaliza a posição de todos em um patamar. Nele o criador se constitui por um espelhamento instantâneo em uma criatura que reivindica seu lugar também como sujeito incompleto.

 

Mais recentemente, os Phanógrafos de projeção e deposição(2010), de Tunga, também se estruturaram a partir de um recipiente, vasos de cristal Baccarat, contidos por caixas articuladas que encerram sua gênese e seu funcionamento implícito. A origem desse fenômeno tange a compreensão de um princípio criativo que se afiança no onírico, superando embates voltados para a subtração de material, substituindo-os por encontros mágicos com o que está ali dado, como se aproveitasse o vácuo deixado pelo fato do ready-made ser, antes de mais nada, uma peça de cerâmica que surgiu no mundo da arte inadvertidamente. Nos Phanógrafos, a equação experimental se apresenta a partir do ficcional, estruturas que sempre comportam um segundo núcleo que irradia cor e materialidade furtiva, pois o objeto central também não se mostra integralmente, e sua cota obscura se preenche pela ansiedade de se conjugar delicadeza e brutalidade.

 

As ânforas de Rodrigo não contêm, não são recipiente, mas o conteúdo parcialmente embalado por um invólucro que se distanciaria no tempo do artefato encontrado pelo arqueólogo. Ali, a máxima minimalista em torno de um cubo anódino, de que “você vê o que você vê”, abre-se em um ciclo de perguntas e respostas bem menos tautológicas: não vemos tudo, e as partes nunca se equivalem, depondo o equilíbrio formal, calçando-o na gravidade, no equilíbrio real de um vaso sobre um balde, dentro de uma caixa ou sobre a mesa.

 

Produzidas e finalizadas em seu estúdio na Fábrica Bhering, no Rio de Janeiro, lugar onde doces eram industrializados, longe de seus ancestrais chineses e gregos, as ânforas demonstram não apenas quebrar a redoma que instaura a obra em uma temporalidade especial que se destaca da cotidiana, mas também eternizar o momento em que esses dois tempos se encontram, quando desembalamos ou embalamos algo, quando encontramos algo que vem, através de uma lição de Joseph Beuys, reforçar potencialidades metafísicas da matéria – títulos desmentidos por legendas induzem a uma manipulação virtual que ocorre, então, junto à observação atenta das propriedades de uma objectualidade que se instaura no provisório.

 

A argila primordial que amalgama o isopor, o papelão, a fita adesiva, resquícios de líquidos já vertidos ou a se verter, incorpora o mimetismo que engloba a pintura, que de fato reveste as peças  e o que parece ser o papelão areado esculpido escrupulosamente para que pareça ser aquilo em definitivo. Como se estivesse mesmo em trânsito, inviolada por alguém, acondicionada anonimamente por outro, cada uma delas se mostra em um pedestal neutro, na galeria, que sustenta outro suporte: a escultura como plataforma para o pensamento a respeito da preciosidade de sua incongruência e seu fascínio atual.

Rafael Vogt Maia Rosa

 

 

 

De 28 de julho até 25 de agosto.

Palestras

A Fundação Bienal de São Paulo convida para ações de difusão da 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas

 

Palestra
estrutura e práticas curatoriais
24 de julho, terça-feira
19h – 21h

 

 

Apresentação do projeto curatorial da 33ª Bienal de São Paulo – “Afinidades afetivas”, um sistema operacional alternativo que privilegia o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos, organizado a partir de mostras coletivas concebidas por artistas-curadores e apresentações de projetos individuais. A palestra também traz um breve histórico das Bienais de São Paulo desde suas primeiras edições.

 

Palestra
convite à atenção
31 de julho, terça-feira
19h – 21h30

 

Apresentação de um panorama dos materiais educativos das Bienais de São Paulo, seguida de conversa sobre as reflexões e práticas que integram o projeto educativo da 33ª Bienal de São Paulo e que permearam o desenvolvimento da publicação educativa “Convite à atenção”. A publicação é composta por exercícios que configuram um convite a estar atento à experiência com a arte.

 

 

 

Fundação Bienal de São Paulo
Lounge Bienal (entrada pela rampa externa)
Parque Ibirapuera, Portão 3, Pavilhão da Bienal

Flávio Damm em São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta a primeira exposição individual de Flávio Damm na unidade Jardins, São Paulo. A mostra reúne uma seleção de fotografias feitas por Damm desde o início da década de 1950 até o início dos anos 2000 e apresenta “Flávio Damm, um fotógrafo”, vídeo de Eduardo Barcellos produzido em 2017 que traz o relato acurado do fotógrafo sobre importantes momentos de sua trajetória. O título da exposição “Gêmeos, preto-e-branco” faz referência ao relacionamento que Damm estabeleceu com a fotografia PB ao longo de seus anos de atividade, nos quais dedicou-se exclusivamente a ela, concedendo ao preto e ao branco o mesmo valor de importância na construção de suas imagens.

 

Pombos, freiras e namorados. São esses três elementos que parecem perseguir Flávio Damm nos passeios que costuma fazer pelas ruas acompanhado de sua Leica. Constituindo um acervo de quase 60 mil negativos, uma parte das imagens que Damm produziu dá conta de retratar situações triviais do contexto urbano de diversas partes do mundo, sem, no entanto, abdicar do caráter construtivo ou mesmo poético em suas composições. São resultado do trabalho paciente e sensível de um fotógrafo que se propõe a ser apenas testemunha de momentos inusitados: ter o olho certo no lugar e na hora certa. Tal habilidade não pode ser fruto do mero acaso, ela se desenvolve em anos de exercício, do contato com a dinâmica das pessoas e das cidades em suas mais variadas formas de organização. Talvez a frequência daqueles três elementos em suas fotografias possa ser explicada pela vontade de adentrar, sem ser notado, em mundos tão particulares que casais de namorados, grupos de freiras e aglomerado de pombos criam para si em espaços públicos, e que acaba por exigir, de quem fotografa, um exercício incansável de aproximação. Desse modo, por mais que insista nesse desejo, Damm jamais poderá desvendar o mistério que envolve cada um desses grupos, mas se vale da insistência para criar intimidade com suas formas plásticas e saber explorá-las em seus variados aspectos, seja a partir do corte seco e geométrico da vestimenta das freiras, seja a partir das silhuetas de pombos alinhados no alto de um muro.

 

Uma outra porção de negativos do grande acervo de Flávio Damm é proveniente de seus mais de 70 anos de atividade jornalística. O fotógrafo, aliás, é conhecido por ser um dos maiores nomes da história do fotojornalismo brasileiro. Além de ter sido correspondente de grandes agências de jornalismo internacionais e de ter criado, junto a José Medeiros, a sua própria agência de fotografia, a pioneira Image, Flávio Damm integrou por dez anos a equipe da revista O Cruzeiro em seus tempos áureos, sendo ele mesmo peça chave na revolução que a publicação causou na imprensa brasileira. Criada em 1928, O Cruzeiro teve um papel importantíssimo no registro e na comunicação de um Brasil ainda pouco integrado entre suas regiões – quase sem estradas e sem televisão até a década de 1970 – e se estabeleceu como um dos mais influentes veículos de comunicação de massa do país. Sob a bandeira da modernidade e do progresso, a publicação apresentava inovações gráficas e editoriais, incorporando em seu projeto, a partir da década de 1940, o modelo da fotorreportagem, desempenhando, deste modo, um papel fundamental na elaboração da imagem do país como nação. O relato histórico ganhava, naquele momento, a força comprobatória da verdade fotográfica, dando ao fotógrafo a responsabilidade de ser o sujeito da narrativa, de ver por todos aqueles que não podiam estar no momento da ação, escolhendo o ângulo que julgasse mais adequado.

 

Flávio Damm contou muitas histórias enquanto esteve envolvido com o fotojornalismo: em 1948, fotografou Getúlio Vargas em seu auto-exílio na fazenda de Itu, no Rio Grande do Sul, sendo o primeiro fotógrafo autorizado a fazê-lo naquela circunstância e produzindo importantes imagens que circularam internacionalmente e antecederam o seu retorno à política brasileira; reportou distintos modos de vida e tradições dos lugares mais remotos de um Brasil ainda “em descobrimento”, como em 1954, quando publicou na revista O Cruzeiro registro do ritual de lamentação dos penitentes de Xique-Xique, no sertão da Bahia; esteve presente também na cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra, em 1953 e no lançamento do primeiro foguete na base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, em 1957, sendo o único fotógrafo profissional brasileiro a registrar tais eventos. Fiel à fotografia analógica em preto e branco e avesso ao uso do Photoshop ou de outras manipulações na imagem, Damm preza pelo registro direto, pois acredita que assim cumpre, de maneira responsável, com a sua função de “testemunha ocular”.

 

Das fotografias apresentadas na exposição, uma parte foi produzida entre o início dos anos 50 até fins dos anos 60 e outra de meados dos anos 80 até início dos anos 2000 em cidades do Brasil como Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Belém e em países da Europa e das Américas. Não tão alinhadas à linguagem jornalística, essas fotografias evidenciam uma liberdade de composição formal e poética, transportando o espectador a momentos de contemplação e beleza, à posição do flaneur, que, vagando pela cidade, é surpreendido por situações dignas de registro. Mais do que testemunha de um fato, Flávio Damm, na escolha do enquadramento permitido pela lente 35mm de sua Leica – câmera que por seu tamanho e leveza permite a ele agir com rapidez e discrição -, acaba por assumir o lugar de testemunha de um instante, que, ao se transformar em imagem, traz junto uma atmosfera, seja de humor, encanto ou melancolia. Ainda assim, são registros da história. O que essas fotografias nos sugerem, talvez, seja uma vontade de contá-la a partir das questões próprias da linguagem visual, sem, com isso, dever nada ao verbo.

 

 

De 28 de julho a 25 de agosto.

Emmathomas: inéditos de Mundano

Em “Vozes Mundanas”, o artista apresenta cerca de 40 trabalhos entre telas, esculturas e obras interativas que refletem problemas sociais, políticos e ambientais da atualidade. Um muro que separa o mundo real de um fictício. De um lado, a tinta cinza em alusão às vozes e cores caladas nas ruas de São Paulo. Do outro, telas, esculturas, objetos e instalações de cores vívidas e pulsantes, ruídos que fazem referência a uma série de problemáticas da atualidade: dos impactos ocasionados pela crise de água à questão dos refugiados em diversos pontos do globo. É esse o tom de “Vozes Mundanas”, exposição inédita do artista Mundano curada por Ricardo Resende, que será apresentada na Emmathomas Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

 

À frente do espaço, uma escultura de dois metros, construída com extintores e botijão de gás. É ela que recebe o público, prestes a cruzar o Muro Social, obra de grandes proporções que delimita a mostra. “É o muro separatista, Muro de Berlim, do Donald Trump, dos refugiados, do condomínio: uma separação entre realidades distintas” pontua Mundano, que se define artivista, termo que condensa a ideia de arte como recurso de revolução social.

 

Se de um lado a cidade mostra-se como um ambiente frio, quase asséptico, do outro, o caos insere o visitante em um universo lúdico, suscitando uma série de questionamentos. Por meio dos cerca de 40 trabalhos que compõem a exposição, Mundano propõe uma pausa para conscientização e convida o público para a resistir em prol da preservação ambiental e por causas ligadas aos direitos humanos.

 

“O grande desafio dessa mostra é manter ou permanecer com as veias de artivista, integradas e ativadas no espaço comercial de arte. Ver um artista ainda disposto a manifestar-se, a preocupar-se com o outro e com o coletivo nas paredes de uma galeria, é, de fato, um alento quando se observa o mundo em que prevalece o individualismo, a banalidade e a competição nas relações humanas”, declara o curador Ricardo Resende.

 

O corpo da obra de Mundano surge de peças e instrumentos de reuso que ele mesmo encontra nas ruas ou daquilo que os catadores de materiais recicláveis oferecem a ele. Dessa busca, o reaproveitamento de insumos como livros que datam 100 anos ou mesmo revistas descartadas que, nas mãos do artista, se transformaram em colagens que tratam do desperdício.

 

Figura quase onipresente na exposição, o megafone, recurso bastante comum às manifestações sociais, é representado em diversas obras, ora ampliando a voz das mulheres, ora salvando dezenas de refugiados à deriva. O objeto aparece também em Panelofone, obra que faz referência aos panelaços, tão presentes em manifestações não só no Brasil e que atualmente caiu em desuso.

 

Para ressoar a voz de um dos maiores desastres ambientais do Brasil, em Mariana, MG, no ano de 2016, Mundano utilizou em grande parte de suas obras a lama tóxica coletada às margens do Rio Doce – o pigmento terroso contrasta com a paleta de cores marcantes característica do artista. O uso do resíduo como matéria-prima alerta para as consequências reais, sentidas ainda hoje pelos moradores da região.

 

O cacto, planta característica em sua produção, personifica o povo brasileiro, acostumado a resistir às adversidades mesmo com poucos recursos. Construídos a partir de extintores e torneiras, buscam chamar atenção para crise hídrica que volta a atingir níveis alarmantes em São Paulo e por todo o país.

 

O espaço expositivo será ainda ocupado por uma série de sons e vozes que reforçam o tom de protesto que permeia a mostra. Os áudios que vão ecoar em meio as obras são dos mais diversos momentos da história, da ditadura militar às recentes manifestações dos caminhoneiros. A trilha também abrange manifestações indígenas, marchas religiosas, de estudantes e professores em luta por seus direitos – todas essas vozes serão amplificadas durante a exposição. ”São palavras de ordem, gritos de vozes mundanas”, pontua.

 

 

 

De 24 de julho a 25 de agosto.

Garranchón por Mariano Barone 

17/jul

A Galeria Sancovsky, Jardim Paulistano, convida para a abertura da exposição “Garranchón”. Esta é a primeira individual de Mariano Barone, com curadoria de Amanda Arantes. A mostra reunirá uma seleção de trabalhos produzidos em 2017, além de obras inéditas criadas para esta exposição. O título remete à palavra garrancho, nome dado às caligrafias feias, quase ilegíveis. Aqui ela caracteriza o traço irregular de alguns desenhos, mas pode designar também uma qualidade rudimentar sugerida no conjunto da obra do artista.

 

Barone desenvolve sua produção através do desenho e da pintura utilizando materiais diversos como retalhos descartados pela indústria têxtil ou lonas usadas para cobrir o chão e montar tendas no comércio popular. Parte das obras apresentadas na exposição é formada por trabalhos em que o artista acumula camadas desses materiais sobre a parede, combinando-os a desenhos ou pinturas. Estas, por sua vez, podem ser recortadas e remontadas, em um jogo que incorpora a aleatoriedade e o improviso. Fixados de maneira precária, os tecidos e telas recortadas formam composições que remetem a estruturas temporárias e instáveis, como barracas e tapumes.

 

Embora sua obra se aproxime da visualidade urbana, esta não é colocada como tema, e sim material de sua prática artística. Essa característica é visível também em sua produção gráfica, influenciada pela estética dos rabiscos encontrados na cidade – muitas vezes ilegíveis e rasurados – mas que parte, sobretudo, de uma iconografia pessoal e de uma necessidade de desenhar. A isso soma-se uma atitude quase obsessiva de redesenhar as mesmas figuras, sobrepor camadas de desenho ou de pintura, tentar apagar ou disfarçar o que foi feito.

 

Barone é orientado por uma atitude de mastigar, deglutir e devolver ao mundo elementos visuais do seu entorno, seja este o espaço urbano ou o próprio ateliê do artista. O reaproveitamento de partes de outros trabalhos para a produção de obras novas e a presença de desenhos recorrentes são marcas de um trabalho que se alimenta de si próprio, em um movimento de transformação constante.

 

 

Sobre o artista

 

Mariano Barone nasceu em 1985, em Santa Fé, Argentina, vive e trabalha em São Paulo. É graduando em Artes Visuais pela UNESP, participou em 2017 do 42º Salão de Arte de Ribeirão Preto, das exposições coletivas “Também foi nevoeiro” (Espaço BREU, São Paulo – SP), “Novas Poéticas” (Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes da UFBA, Salvador – BA) e “À Sombra do comum” (Galeria Andrea Rehder, São Paulo – SP), assim como da exposição “BFF”, no Instituto de Artes da Unesp (São Paulo – SP). Em 2018, participou das exposições coletivas “O Maravilhamento das coisas” (Galeria Sancovsky, São Paulo – SP), PARTE (Instituto de Artes da Unesp, São Paulo – SP) e “ruído e ausência contínuos” (Galeria Sancovsky, São Paulo – SP).

 

 

De 19 de julho a 18 de agosto.

Coletiva na Sancovsky

A Galeria Sancovsky, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, convida para a abertura de “A Imensa Preguiça”, exposição coletiva com curadoria de Guilherme Teixeira. A partir do dia 19 de julho, a Galeria Sancovsky apresenta a exposição “A Imensa Preguiça”, mostra coletiva que busca explorar as relações de dissolução da forma e da ideia de derretimento a partir da ressignificação e destruição de objetos comuns e cotidianos no trabalho de dez artistas. Colocando em diálogo diversas linguagens como vídeo, escultura, pintura e instalações, a exposição se propõe à criação de um espaço de alucinação infinita, onde a prática e o objeto se tensionam na busca do movimento entre dissolução e reiteração de um utilitarismo cotidiano, o ready-made, o ócio e o gesto.

 

Participam os artistas André Barion, Andre Bontorim, Beatriz Ruco, Eleni Bagaki, Gabriella Garcia, Ignacio Gatica, Pedro Caetano, Renato Castanhari, Ricardo Carioba e Sergio Pinzón

 

 

De 19 de julho a 18 de agosto

Pinakotheke SP exibe Shiró

10/jul

Nos seus 90 anos, Flavio-Shiróo pintor ganha exposição panorâmica, acompanhada de livro com assinatura do crítico de arte Paulo Herkenhoff. No ano em que se comemora os 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil, comemoram-se também os 90 anos de Flavio-Shiró. Para celebrar a data, a Pinakotheke, Morumbi, São Paulo, SP, realiza uma exposição que traça a trajetória do pintor – dos anos 1940 aos dias atuais. A mostra reúne uma seleção de pinturas, desenhos, fotografias e objetos, na sua grande maioria, inéditos, com curadoria de Max Perlingeiro e do artista. Na ocasião, será lançado o livro com texto de Paulo Herkenhoff e exibidos filmes em curta-metragem dirigidos por Adam Tanaka, neto do artista.

 

A exposição promove um mergulho no universo de Shiró, pintor oriundo de três universos distintos – nasceu no Japão, cresceu no Brasil e há mais de seis décadas divide seu ateliê entre Paris e Rio de Janeiro. “Trata-se de um artista polivalente e internacional, mas talvez coubesse melhor designá-lo como transcultural, pois a obra propõe a convivência do intercâmbio Ocidente/Oriente, Norte/Sul ou Sapporo/Tomé-Açu/Paris”, escreve Herkenhoff.

 

Com 26 pinturas, 12 obras sobre papel, além de fotografias, objetos pessoais e cinco curtas dirigidos por seu neto Adam Tanaka e Margaux Fitoussi e produção executiva de Josué Tanaka, filho do artista, a mostra traça um panorama da obra do pintor, do figurativismo presente até o princípio de sua vida em Paris (1953), a transição para o abstracionismo informal até a retomada da figuração, sempre tendo o gesto como expressão basilar.

 

As telas como Voo Noturno, Matéria III e Camargue, da década de 1950, presentes na exposição, estiveram também no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1959, quando Shiró, ainda assinava Flavio S. Tanaka. “Um quadro de Shiró explodia como a convulsão da matéria do mundo na liberação daquilo que pareciam forças do caos; a massa pictórica incorpora-se em enervação, e a pintura é uma carnalidade vibrátil”, destaca o crítico.

 

Já na década de 1960, a obra de Shiró refere-se à pertinência positiva da pintura no campo cultural, como destaca Herkenhoff. “A obra de Flavio-Shiró, neste período, não discute apenas a guerra do Vietnã, mas toda guerra”.  Em meados dos anos 1970, o pintor sintetiza sua múltipla herança cultural e condensa seu imaginário em questões que explorará em profundidade nas décadas seguintes. “Pintar incluirá ativar a memória produtiva da fantasmática e deixá-la emergir perturbadora ao plano do visível”. Na década de 1990, a sua pintura reacende m nova chave cromática e se desprega da relação entre pincelada e desenho. “Paradoxalmente, este estágio barroco de sua pintura não tem a presença de monstros e fantasmagorias, como pode ter acontecido nas décadas anteriores”, afirma o crítico.

 

Por sua vez, no século XXI, o tema que anima os meus trabalhos continua evoluindo ao mesmo imaginário através de uma visão transfiguradora e poética, observa Shiró. “A isto, podemos chamar de arte como projeto de vida. Prossegue em sua trajetória e se depura como pintor sintético e denso. Seu imaginário pulsa pleno com o vigor da matéria e se move por vontade de experimentar ideias e por curiosidade técnica. Algumas questões plásticas têm envolvido a mente inquieta de Shiró: objetos; invenções; experiências com a xilogravura e a nova inflexão em sua pintura, com formas audaciosas”, completa Herkenhoff.

 

 

De 09 de julho a 11 de agosto.

 

art lab na Galeria Marcelo Guarnieri

05/jul

Distribuídos em um quadrado de setenta centímetros, vinte e quatro ponteiros vermelhos giram sem parar. Em outro quadrado de setenta centímetros, giram em tic tac outros vinte e quatro também ponteiros, também vermelhos. São os Relógios para perder a hora de Guto Lacaz, dois dos trabalhos que integram a exposição “art lab”, na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP. As duas peças formam uma imagem clara do que se apresenta na mostra: objetos animados cumprindo funções absurdas, hipnóticas e humoradas que te convidam para uma dança sem hora pra acabar. O tempo nesta exposição seria algo semelhante ao tempo das crianças, um tempo tomado completamente pela brincadeira, em que a repetição e o delírio se fazem necessários no processo de aprendizagem.

 

Neste caso, uma desaprendizagem, pois aqui adentramos o universo dos objetos que deixaram de ser servos de seu próprio destino: a funcionalidade. Lacaz constrói com tais objetos uma relação tão íntima, que parece ouvir deles os seus desejos mais sórdidos, então retorce os seus sentidos e os liberta da chatice de serem úteis. Em alguns casos o artista vai além, dissecando suas objetidades de tal modo que acabam reduzidos a engrenagens de formas e cores e assim viram coisas: coisas ópticas, cinéticas, elétricas, lunáticas.

 

É o caso de Dauquad cinético, uma espécie de carrossel manipulável formado por quadrados de acrílico coloridos e de superfícies espelhadas que se refletem e projetam cores em diversos ângulos. Ou de Bossa Nova, um conjunto de peças quadradas e brancas que formam um painel também quadrado de dois metros e meio em lento e constante movimento, semelhante ao das ondas do mar. Os títulos dos trabalhos de Lacaz também são algo para se ter em conta, às vezes surgem como contraponto ao que se vê nas obras, às vezes funcionam como chaves de acesso.

 

Tudo o que for produto da criação humana, seja na ciência, na indústria ou na arte, pode virar assunto, em uma abordagem menos celebrativa e talvez mais crítica, certamente bem humorada. Há uma descrença não só pela ideia de progresso científico, mas também pelos grandes símbolos e certezas inventadas pela humanidade. Desse modo, Guto Lacaz convoca em alguns de seus trabalhos elementos clássicos das obras de figuras como Marcel Duchamp e Nam June Paik e os apresenta em novas situações, dando a eles o poder de performar a sua própria existência.

 

Paik Line, trabalho inédito, é constituído por uma torre de televisores modificados. A peça faz referência a Zen for TV, obra de 1963 do artista Nam June Paik, na qual reduz a imagem da tela a um feixe de luz, privando a televisão de sua própria forma e função. O desenho gerado pela linha que atravessa uma extremidade à outra do visor e a posição vertical do aparelho remetem a uma estrutura totêmica, reforçando o caráter contemplativo e imersivo da TV, agora de um jeito anormal. A partir daí Lacaz exagera e multiplica essa ação por seis, construindo um grande totem de mais de dois metros.

 

Em art lab tudo se movimenta e ainda que em curto-circuito, nos movimentamos também. A exposição é a primeira individual de Guto Lacaz na unidade São Paulo da Galeria Marcelo Guarnieri e marca os 40 anos de produção do artista. “Pra mim arte é energia. Importante distinguir arte de obra de arte. Arte é o que está entre a obra de arte e o espectador, algo meio fluido, um plasma. É isso que eu acho que é energia, quando você passa por uma obra de arte e essa obra te capta, é pura energia o que está acontecendo entre você e a obra de arte.”, conclui Guto.
 

Sobre o artista

 

Guto Lacaz, nasceu em
1948. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Artista multimídia, arquiteto, designer e cenógrafo, Guto Lacaz vem investigando, desde fins dos anos 70, as possibilidades da arte, da ciência e da tecnologia a partir de uma aproximação com os objetos de uso cotidiano. Bem humoradas e às vezes absurdas, suas obras buscam desestabilizar comportamentos e leituras automáticas comuns em nossa interação com a materialidade e a espacialidade. Sempre interessado na relação com o espectador, desenvolve seu trabalho em desenhos, objetos, performances, ilustrações, livros, instalações e intervenções em espaços públicos. Guto inventa um mundo torto e maravilhoso onde um batalhão de aspiradores de pó mantém bolas de isopor suspensas no ar e onde cadeiras enfileiradas de um auditório vazio flutuam silenciosas sobre as águas de um lago. Em 2017 ganhou o prêmio APCA na categoria “Fronteiras da Arquitetura”.

 

Membro da Alliance Graphic Internationalle  – AGI. Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos em 1974. Em 1995 ganha a bolsa Gugenheim. Entre suas principais exposições individuais, intervenções urbanas e obras públicas, destacam-se: As Quatro Revoluções Industriais – 15 painéis na Av Paulista (2018); Adoraroda. Largo da Batata, Mostra 3M de Arte, São Paulo (2017); Ondas d’água. Sesc Belenzinho, São Paulo (2011); Eletro Livros. Maria Antonia USP, São Paulo (2012); Maquetes Reunidas. Capela do Morumbi – DPH, São Paulo (2008); Garoa Modernista e Pinacotrens. Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2005); Recortes. Paço Imperial do Rio de Janeiro (1994); Periscópio. Arte Cidade II, São Paulo (1994); Auditório para Questões Delicadas – Lago do Ibirapuera, São Paulo (1989). Entre suas principais exposições coletivas, destacam-se: YOYO, tudo que vai volta. SESC Belenzinho, São Paulo (2018); Situações: a Instalação no Acervo da Pinacoteca do Estado, São Paulo (2017); As Margens dos Mares. SESC Pinheiros, São Paulo (2015); Invento | As Revoluções que nos Inventaram. Pavilhão da Oca – Parque Ibirapuera, São Paulo (2015); Diálogos com Palatnik. MAM-SP (2014); III Bienal da Bahia (2014); Trajetória da Luz na Arte Brasileira. Itaú Cultural, São Paulo (2001); 95 Gwangju Biennale, Coreia do Sul (1995); Brazil Projects, PS1 New York (1988); Modernidade – Arte Brasileira no século XX. MAM-SP (1988); A Trama do Gosto – Um Outro Olhar sobre o Cotidiano. Fundação Bienal, São Paulo (1987); 18ª Bienal Internacional de São Paulo (1985); Primeira Mostra do Móvel e do Objeto Inusitado. MIS, São Paulo (1978).

 

 

Até 21 de julho

Cidades invisíveis de Luiz Martins

04/jul

O Museu de Arte Sacra de São Paulo -MAS-SP, Estação Tiradentes, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado, inaugura “Cidades Invisíveis”, do artista plástico brasileiro Luiz Martins, sob curadoria de Ian Duarte Lucas. A mostra – formada por esculturas, fotografias e vídeos – elege o tempo presente, mesmo que instantâneo, como tema, e se desenvolve a partir do livro homônimo de Ítalo Calvino. Atento à passagem do tempo – em especial acerca de como o indivíduo se relaciona com seus entornos privado e coletivo -, o artista busca, nesta produção, uma poética dentro da relação homem – cidade, considerando vestígios esquecidos pelas ruas.

 

A cidade é cenário para importantes manifestações humanas, que se desdobram em suas entranhas. “Em constante mutação, o homem se insere neste novelo de passagem: passagem do tempo, que tudo transforma, e cria novos significados na memória de quem habita a cidade. E essa poética se manifesta pelos objetos que o homem cria e utiliza em suas mais diversas atividades”, comenta o curador. Em “Cidades Invisíveis”, Luiz Martinsutiliza a linguagem tridimensional para abordar o espaço e suas novas possibilidades territoriais, restaurando e ressignificando o cotidiano pela aplicação do conceito de “semióforo” em objetos e fragmentos, os quais perdem o status de “coisa” e passam a transmitir energia e força afetiva. Nas palavras de José Carlos Marçal de Barros, diretor executivo do MAS-SP: “Na mostra, Luiz Martins nos mostra as cidades que não vemos, nos conduz a pensar no que existe por traz da máscara arquitetônica de grandescidades nas quais vivemos e que, na realidade, não conhecemos. Sentimentos, paixões, alegrias e tristezas, emoções que poucas vezes afloram à vista do público”.

 

Ao se deparar com a presente exposição, espera-se que o espectador entenda a potencialidade de cada objeto, os quais representam, em suma, os reflexos do drama interior do homem em sociedade. Espera-se que sentimentos da individualidade contemporânea se tornem visíveis através deste processo mental. Nos dizeres do curador: “O homem, enquanto um ser artista, é antes de tudo um ser sociável: se expressa na construção de diferentes diálogos com o seu tempo, a sociedade em que se insere, e consigo mesmo. Materializar esta expressão na forma da obra de arte é a maneira mais sublime de contemplar a fugacidade destas relações. O esquecimento desfigura os vestígios que o homem produz, e cabe ao artista revelar a poética destes objetos, por meio de sua sensibilidade, ao perceber algo latente e revelador nas coisas mais simples do cotidiano, memórias de uma vida que o tempo implacavelmente apagou”.

 

 

Sobre o museu

 

Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Sacra de São Pauloé uma das mais importantes instituições do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 28 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulopassou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, última chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979. Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulodetém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 18 mil itens no acervo. O museu possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.