Obra singular pautada pelo rigor formal.

24/mar

A Galatea anuncia “Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas”, exposição dedicada à obra de Paulo Roberto Leal (Rio de Janeiro, 1946 – 1991), com abertura no dia 28 de março, sábado, das 11h às 15h, na unidade da Padre João Manoel, Jardins, São Paulo, SP. A exibição dessa mostra estará em cartaz até 09 de maio e reúne trabalhos de séries emblemáticas como “Armagens”, “Armaduras” e “Entretelas”, além de pinturas realizadas pelo artista ao longo da década de 1980, nos anos finais de seu trabalho antes de sua morte precoce, aos 46 anos.

A mostra conta com texto crítico da curadora Mayara Carvalho, evidencia um período central na produção de Paulo Roberto Leal, no qual a investigação sobre uma “geometria sensível”, vinculada ao neoconcretismo carioca, se consolida como eixo de sua pesquisa, orientando uma prática marcada por procedimentos como costura, sobreposição e modulação.

Iniciando sua trajetória artística no final dos anos 1960, paralelamente ao trabalho como economista no Banco Central, Paulo Roberto Leal desenvolveu uma obra singular pautada pelo rigor formal e pela experimentação com materiais não convencionais. A partir da década de 1970, aprofundou de forma autodidata uma investigação em torno das qualidades plásticas do papel, do tecido e da própria tela, criando objetos e composições que questionam as fronteiras entre pintura, escultura e instalação. Já a série “Vilas” (1986), composta por pinturas realizada sobre papel artesanal, coexiste com uma produção que, no início dos anos 1980, marca a aproximação do artista com a pintura em formatos mais amplos e com blocos de cores vibrantes – fase que se tornaria a sua última, antes de falecer em 1991.

Da construção civil à espiritualidade.

“Pedra de Rumo”, exposição individual de Nelson Felix, foi inaugurada na Almeida & Dale da Rua Fradique Coutinho 1360, São Paulo, SP, e permanerá em cartaz até 02 de maio. Com texto assinado por Keyna Eleison, a exposição emerge de uma cartografia expandida em desenvolvimento pelo artista há cerca de três anos.  

Linhas traçadas entre o espaço expositivo da galeria e o Museu de Arte Contemporânea da USP formam uma cruz quase perfeita; o ponto em que elas se cruzam, em uma praça na zona oeste de São Paulo, abriga Nó a Nó, início do projeto que constitui a nova exposição de Nelson Felix. Sentidos que vão da construção civil à espiritualidade, cabem em pedra de rumo – expressão que nomeia a mostra e a nova série de trabalhos apresentados pelo artista. Esculturas que tecem relação entre mármore, bronze e elementos vegetais, somados às séries “1/2 eu” e “Caymmi”, constituem em conjunto “uma sinfonia à São Paulo”, como pontua o artista.  

“Pedra de Rumo” é também a segunda etapa material do processo em continuidade que iniciou em “Nó a Nó” e que culmina em “Beijo de Língua”, exposição individual de Nelson Felix a ser inaugurada em maio no MAC-USP.

Allan Weber no Instituto Tomie Ohtake.

23/mar

A Galatea compartilha a nova individual de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro), “Allan Weber – Existe uma vida inteira que tu não conhece”, com o Instituto Tomie Ohtake, sob a curadoria de Ana Roman e Catalina Berguesno. A exposição reúne cerca de 40 obras produzidas em torno da pesquisa do artista sobre o trabalho com entregas por aplicativo e das conexões estabelecidas dentro das dinâmicas da vida urbana.

Dentre as fotografias, vídeos, objetos e instalações que compõem a mostra, estão algumas nunca antes expostas em São Paulo, como as esculturas da série “Nós que sustenta na raça”. Colunas formadas por caixas-d’água empilhadas trazem para o espaço expositivo a inventividade prática inscrita na vida da cidade, associadas ao manejo de recursos e modos de erguer e adaptar espaços.

Na mesma direção, assentos de moto, mochilas de entrega e capacetes são deslocados para o campo da arte em instalações que ganham uma dimensão poética, em grande parte desenvolvidas durante sua residência artística na Nottingham Contemporary, no Reino Unido, em 2024. Ao se debruçar sobre o universo dos motoboys, o artista transforma esses elementos familiares das ruas em imagens que refletem sobre condições contemporâneas de trabalho.

Artistas franco-coreanas no Brasil.

13/mar

A Galatea anuncia “Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida”, exposição dupla das artistas franco-coreanas em colaboração com a galeria parisiense Anne-Laure Buffard. A mostra, que marca a primeira ocasião em que Park Chae Dalle e Park Chae Biole expõem seu trabalho no Brasil, será realizada na unidade da galeria na Rua Oscar Freire, Jardins, São Paulo, SP, com abertura no dia 21 de março, sábado, das 11h às 15h.

Na Galatea, as irmãs gêmeas apresentam um projeto conjunto pela quarta vez, após duas exposições realizadas em Seul e uma em Paris. Com cerca de 60 obras, a mostra apresenta tanto trabalhos desenvolvidos individualmente quanto produções realizadas em colaboração. Embora compartilhem um campo de investigação similar, atravessado pelas relações entre pintura, espaço, paisagem e pequenas cenas do cotidiano, cada uma desenvolve sua prática a partir de suportes distintos.

Em muitas das obras de Park Chae Biole, a imagem aparece sobre suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas ou superfícies têxteis, desdobrando a pintura em objeto e em ambiente. Paisagens e fragmentos de lugares surgem nessas estruturas móveis, instaurando um jogo entre interior e exterior, presença e passagem.

Já na prática de Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô – uma prática paciente, construída no ritmo do próprio fazer. Paisagens, sóis, flores, espirais, personagens ou nuvens parecem emergir do tecido. Leves e flexíveis, as obras podem ser enroladas, transportadas e reorganizadas, ajustando-se a cada espaço onde são apresentadas.

Quando trabalham juntas, suas práticas revelam afinidades formais que tornam essa colaboração quase natural. As irmãs compartilham, inclusive, o mesmo ateliê em Paris. Tanto as persianas de Biole como os tecidos de Dalle exploram a transparência, a porosidade e a mobilidade, mas é na produção conjunta dos bojagi que essa proximidade se torna mais evidente. Inspiradas na tradição coreana do tecido utilizado para envolver objetos domésticos e presentes, essas produções unem perfeitamente o repertório estético de cada uma das artistas em composições intimamente conectadas.

Até 09 de maio.

Projeto brasileiro contemplado em Nova York.

11/mar

Artistas brasileiras apresentam exposição inédita em Nova York. Mostra foi o único projeto brasileiro contemplado no edital da Apexart, que teve 658 inscritos de todo o mundo.

Será inaugurada no dia 27 de março a exposição inédita “O útero também é um punho”, na Apexart, instituição educativa e cultural localizada em Nova York, 291 Church St. NYC. Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra terá cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil, feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance, que discutem os direitos reprodutivos das mulheres. Paralelamente à exposição, serão realizadas diversas atividades, como performances, visita guiada, roda de conversa e oficina artística.

A exposição apresentará obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. 

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. 

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”.

Até 23 de maio.

 

Formas sutis de isolamento.

10/mar

A Caixa Cultural São Paulo, Centro, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Solidão Coletiva”, de Júlio Bittencourt. Reunindo oito séries realizadas entre 2016 e 2023, a mostra investiga dinâmicas de convivência nas grandes cidades e as formas sutis de isolamento que atravessam o cotidiano contemporâneo. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a exposição propõe uma leitura crítica da experiência urbana.

Ao tensionar proximidade e distanciamento, trabalho e suspensão, público e privado, o artista constrói uma narrativa visual sobre modos de vida marcados por repetição, contenção e anonimato.

Até 12 de julho. 

Antonio Dias nos anos de exílio em Milão.

09/mar

Lançamento de publicação acompanhado de debates marca a última semana da exposição Antonio Dias/Image +  Mirage na Gomide&Co, Avenida Paulista, até 21 de março. O lançamento acontece no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) no dia 14 de março (sábado), das 11h às 17h.

Na ocasião do lançamento, serão realizadas duas rodas de conversa sobre Antonio Dias e a exposição. A primeira acontece às 11h com a participação de Gustavo Motta, Sérgio Martins e Lara Rivetti, com mediação de Deyson Gilbert. A segunda será às 15h com a presença de Paulo Sergio Duarte e Luiz Renato Martins, com mediação de Gustavo Motta. Ambos os debates serão realizadas no auditório do IAC, no espaço do subsolo da instituição.

Resultado da colaboração entre a Gomide&Co e a Sprovieri, a publicação apresenta um conjunto de pinturas realizadas por Antonio Dias durante seus primeiros anos de exílio em Milão, entre 1968 e 1971, além de documentação complementar proveniente do Fundo Antonio Dias do IAC. O volume acompanha e registra as exposições ANTONIO DIAS: THE ILLUSTRATION OF ART, 1969-1971, apresentada pela Sprovieri, em Londres (15 de outubro a 19 de dezembro de 2025), e ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, na Gomide&Co, em São Paulo (10 de fevereiro a 21 de março de 2026).

Entre as obras reproduzidas, destacam-se pinturas exibidas na primeira exposição individual de Antonio Dias no antigo Studio Marconi, em Milão, em 1969. Na sua ampla maioria, trata-se de trabalhos preservados por Gió Marconi, filho de Giorgio Marconi. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990 – após ter trabalhado com o pai no espaço experimental Studio Marconi 17 (1987-1990)-, Gió também é responsável pela Fondazione Marconi, fundada em 2004 com o objetivo de dar continuidade ao legado do pai.

Para atravessar o território do desejo.

05/mar

O Festival Vórtice torna pública a abertura das inscrições para sua 5ª edição, reafirmando seu compromisso como evento anual dedicado à difusão e ao fomento de práticas artísticas visuais que exploram as múltiplas dimensões da sexualidade na arte contemporânea.

A curadoria desta edição é assinada por Leonardo Maciel e Paulo Cibella, idealizadores da iniciativa, e contempla obras em diferentes linguagens, incluindo pintura, fotografia, escultura, audiovisual, performance e publicações independentes. Pessoas maiores de 18 anos, do Brasil e do exterior, poderão se inscrever entre os dias 02 e 29 de março no site do Vórtice Cultural. Serão oferecidos três prêmios em dinheiro aos artistas escolhidos pelo público e pela curadoria. A 5ª edição será realizada entre os dias 29 de maio e 27 de junho, em São Paulo.

O festival propõe-se como um espaço de liberdade e experimentação artística, incentivando produções que investiguem os atravessamentos entre corpo, desejo e identidade, em diálogo crítico com contextos de censura institucional e de mercado. Nas edições anteriores, o Festival Vórtice reuniu mais de 250 artistas de 10 países e recebeu aproximadamente 8 mil visitantes, ampliando progressivamente sua escala e seu alcance internacional.

 

Claudio Dantas apresenta nova série de pinturas.

A Sergio Gonçalves Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibe “Afinidades do Inconsciente”, mostra individual de Claudio Dantas, que reúne cerca de 22 pinturas inéditas realizadas em 2025, sob curadoria do marchand Sergio Gonçalves, com abertura em 10 de março. A exposição evidencia a maturidade de uma pesquisa pictórica construída ao longo de quase quatro décadas. O conjunto apresentado reafirma o interesse do artista pelos territórios do imaginário, da fabulação e das imagens que emergem em zonas limítrofes entre o real e o onírico, sem se prender a narrativas fechadas ou leituras unívocas.

A pintura de Claudio Dantas parte de uma escuta atenta do inconsciente, entendida menos como método e mais como estado de disponibilidade. Suas imagens operam como campos abertos de projeção, nos quais figuração, memória e imaginação convivem em tensão permanente. Essa liberdade formal e conceitual se manifesta tanto na diversidade temática quanto nas escolhas de escala, suporte e soluções compositivas. “A beleza é subjetiva, mas fundamental”, afirma o artista, sintetizando um princípio que atravessa o conjunto apresentado.

Em “Afinidades do Inconsciente”, os trabalhos dialogam com diferentes momentos de sua trajetória, sem assumir o formato de retrospectiva. Permanências e deslocamentos convivem lado a lado, revelando um processo contínuo de depuração poética e formal. O processo criativo parte sempre da concepção da obra para, em seguida, definir os materiais e técnicas mais adequados – majoritariamente óleo ou acrílico sobre tela ou madeira. “Felizmente as ideias brotam com muita facilidade. O mais trabalhoso é concretizá-las na tela”, comenta Claudio Dantas. O caráter figurativo de sua pintura envolve um longo percurso de elaboração, que inclui desenho, pesquisa de referências visuais e sucessivas camadas de construção pictórica.

A curadoria de Sergio Gonçalves propõe uma leitura que privilegia a liberdade e o risco como valores centrais da exposição. Para o curador, afinidade não é repetição, mas confiança no processo artístico. “Quando existe sintonia, o artista se permite ir mais longe. A galeria precisa ser esse lugar de escuta, onde a obra pode se afirmar sem concessões”, afirma. Para Claudio Dantas, o contexto expositivo é parte fundamental da experiência. “O trabalho ganha muito quando está exposto em um ambiente com peso no mercado. É um aval importante”, afirma o artista.

Mais do que um ponto de chegada, “Afinidades do Inconsciente” confirma a vitalidade de uma pesquisa em permanente movimento. As pinturas reunidas convidam o público a uma experiência aberta, em que a imagem atua como espaço de encontro entre o visível e o invisível – território onde a arte segue operando como exercício de liberdade.

Até 30 de março.

Uma obra com forte senso de liberdade.

Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado de arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual “Deborah Paiva (1950-2022): Uma Antologia”, com curadoria de Tadeu Chiarelli. A mostra tem abertura prevista para 07 de março, das 14h às 18h, e permanecerá em cartaz até 30 de abril, em São Paulo.

A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva (Campo Grande, 1950), artista cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem e campo de reflexão. A sul-mato-grossense, radicada em São Paulo, construiu uma obra com forte senso de liberdade, mantendo-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.

Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica, passando por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta – e, posteriormente, se concentra na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.

A artista, ao longo de sua trajetória, foi reconhecida por críticos renomados como Tadeu Chiarelli, Lorenzo Mammì, Angélica de Moraes e Alberto Tassinari – construiu um percurso de rigor estético e sensibilidade, mantendo-se fiel à pintura como campo de reflexão e experiência. Sua obra foi apresentada em instituições como o MAM São Paulo, MAC USP, Museu Lasar Segall, Instituto Figueiredo Ferraz, MAC Campinas, Centro Cultural São Paulo, Paço das Artes, Palácio das Artes, Centro Universitário Maria Antônia, além de exposições individuais em galerias de referência. A obra de Deborah Paiva está representada nos acervos do MAM SP e MAC USP. Deborah Paiva também foi colaboradora da Ilustríssima, suplemento da Folha de S.Paulo, publicando suas pinturas durante o período aproximado de 10 anos, com presença marcante entre 2012 e 2022.

Paralelamente à sua produção artística, Deborah Paiva construiu uma trajetória sólida como educadora. Atuou na formação de professores sob a orientação de Stela Barbieri e, por mais de uma década, conduziu o Ateliê Livre de Pintura Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake, formando gerações de artistas e mediadores culturais. Em 2010, integrou o setor educativo da 29ª Bienal Internacional de São Paulo, ampliando o diálogo entre arte contemporânea e educação pública.