Conexões Transcendentes de Heitor Bergamini

26/abr

Exposição com fotos, esculturas e interação entre materiais será inaugurada no dia 27 de abril. A arte sustentável de Heitor Bergamini ocupará o Espaço Cultural Correios, a partir de 27 de abril. “Conexões Transcendentes” tem curadoria de Fábio André Rheinheimer e permanecerá em cartaz até o dia 03 de junho, o Espaço Cultural Correios está localizado na Avenida 7 de Setembro, 1020, Centro Histórico, Porto Alegre, RS. O artista exibe mais de cem obras entre esculturas, imagens e integração de materiais, compondo as “Conexões Transcendentes”.

A exposição “Conexões Transcendentes” de Heitor Bergamini apresenta fragmentos desses projetos, obras recentes, cuja criatividade expressa, por meio de técnicas e suportes diversos, as aproximam do conceito upcycling (processo de utilização de resíduos para criação de outros objetos ou produtos). Nesta atual produção se destacam as séries: “Guerreiros Perdidos” e “Dança do Mangue”, que já estiveram em exposições individuais do artista e ganham uma nova montagem. Nas fotos, Heitor Bergamini apresenta, pela primeira vez, sua pesquisa de pigmentos em escala tonal a partir de um mesmo tema: o pôr do sol. São 50 imagens compondo um grande painel formando uma nova obra. Também a série “Relevos” integra a exposição, com registros fotográficos de superfícies diversas como metal, pedra, madeira, que se transformam em novas paisagens, ganhando um ressignificado a partir da própria fotografia.

 

A palavra da curadoria

“Em sua trajetória, Heitor Bergamini percorre cenários distintos, seja numa paisagem paradisíaca, usualmente à beira-mar, ou simplesmente observando resíduos de descarte encontrados no contexto urbano. Em diferentes cenários, muitas vezes diametralmente opostos, o artista interage com elementos de origens diversas que lhe inspiram novos projetos”, observa o curador Fábio André Rheinheimer.

“A exposição Conexões Transcendentes apresenta a produção recente de Heitor Bergamini, a qual se caracteriza por acurada pesquisa, seja na técnica fotográfica (mediante exercício continuado de observação e registro da ação do tempo); seja na seleção de materiais inertes (pedras, metais, ou madeiras retorcidas e inanimadas provenientes do manguezal), que, depois de habilmente “resgatados” pelo artista, são ressignificados em objetos tridimensionais e esculturas”.

A arte de Bergamini é resultado de um exercício continuado, que se desenvolve a partir de diferentes suportes e técnicas com uma linha em comum, que é o reaproveitamento de materiais e das próprias imagens. “Com isso, em sua obra, o artista instiga uma pontual reflexão sobre o meio ambiente, a qual se faz urgente e oportuna e transcende a própria arte”.

 

Até 03 de junho.

 

Mostra panorâmica de Jaime Lauriano

25/abr

 

O Museu de Arte do Rio (MAR) e Nara Roesler convidam para uma visita prévia à exposição “Aqui é o fim do mundo”, uma panorâmica da trajetória de quinze anos do artista Jaime Lauriano, no Museu de Arte do Rio, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Será no dia 27 de abril, às 18h, com a presença do artista e do curador Marcelo Campos. Em seguida, será oferecido um coquetel no mirante do MAR. A exposição abre ao público no dia seguinte, 28 de abril.

 

Jaime Lauriano (1985, São Paulo) é um dos expoentes do novo momento da arte brasileira, que repensa a história oficial do Brasil. Ele tem participado de importantes antologias a respeito, e já integrou oito exposições no MAR, uma delas como um dos curadores, junto com Flávio Gomes e Lilia Scwarcz.  É dele o calçamento em pedras portuguesas na entrada do Museu, em que estão gravados os nomes das doze regiões da África que forneceram, por meio de seqüestros e outras ações violentas, a mão de obra escravizada levada ao Brasil. “Aqui é o fim do mundo” reúne mais de 40 trabalhos, produzidos entre 2008 e 2023. Cinco obras foram comissionadas especialmente para esta exposição, e são: as pinturas “Invasão da cidade do Rio de Janeiro” (2023); “Na Bahia é São Jorge no Rio, São Sebastião” (2023); as instalações “Afirmação do valor do homem brasileiro” (2023), e “Experiência concreta #9 (roda dos prazeres)” (2023), com bacias de ágata e desinfetante, e o vídeo “Justiça e barbárie #2” (2023). A exposição integra a programação de dez anos do MAR.

Outros trabalhos nunca mostrados antes são “E se o apedrejado fosse você? #3” (2021), desenho feito com pemba branca (giz usado em rituais de umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão; e o conjunto das três obras “Bandeirantes #1” (2019), “Bandeirantes #2” (2019) e “Bandeirantes #3″(2022), miniaturas de 20cm de monumentos em homenagem aos bandeirantes, fundidas em latão e cartuchos de munições utilizadas pela Polícia Militar e pelas Forças Armadas brasileiras, sobre base construída de taipa de pilão.

As obras de “Aqui é o fim do mundo” estão distribuídas em cinco núcleos: Experiência concreta, Colonização, Afirmação do valor do homem brasileiro, Recanto e Justiça e barbárie.

 

Baró representa a obra de Joana Vasconcelos

20/abr

 

Depois de muitos anos acompanhando de perto sua carreira, especialmente desde sua monumental instalação apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2008 “Contaminação”, a Baró Galeria – Palma de Mallorca, Lisboa e São Paulo -, une forças com Joana Vasconcelos e passa a representá-la.

Nascida em Paris, Joana Vasconcelos é uma das mais conhecidas artistas contemporâneas internacionais que vive e trabalha em Lisboa. Em sua prática, ela explora temas de identidade, gênero e cultura de consumo, incorporando objetos e materiais cotidianos, como têxteis, cerâmicas e eletrodomésticos, que transforma em esculturas monumentais e provocantes.

A obra de Joana Vasconcelos gira em torno da cerâmica, fios tecidos e tecidos. Esses materiais servem de base para suas vibrantes esculturas tridimensionais maiores que a vida, bem como para suas elaboradas e surreais criações que transformam objetos comuns, móveis, ferramentas, cerâmicas e estatuetas. Joana Vasconcelos eleva estes suportes e as suas técnicas tipicamente associadas às artes aplicadas e artesanais ao estatuto de fine art. Sua abordagem envolve técnicas de alienação e reaproveitamento, o que aproxima seus trabalhos em estilo e estratégia dos artistas surrealistas.

Joana Vasconcelos já expôs internacionalmente, na Bienal de Veneza (2005) (2013), no Museu Guggenheim Bilbao (2018) e no Palácio de Versalhes (2012), sendo a artista feminina mais jovem a expor no palácio. Recentemente, ela expôs uma monumental instalação site specific para o desfile Dior Fall-Winter 2023-2024, na Semana de Moda de Paris. Atualmente, “O Bolo de Casamento”, uma encomenda da Fundação Rothschild para Waddesdon Manor no Reino Unido, está sendo concluído.

Para saber mais sobre a artista, visite nosso site ou dê uma olhada em sua mais nova publicação “Liquid Love” (La Fabrica, 2023) e nos próximos projetos da artista “Arbre de Vie”, na Sainte-Chapelle du Château de Vincennes e “Wedding Cake” at Waddesdon.

 

Boneca de papel no Paço Imperial

18/abr

 

A exposição individual de Maria Fernanda Lucena permanecerá exposta no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ,  até 20 de maio, quando a artista apresenta “Boneca de papel”, sua nova série de trabalhos. As obras exibidas começaram a ser pensadas através de práticas comuns à artista, o recorte e a colagem, fazeres que ela considera lúdicos por rememorarem modos de brincar, além de gestos costumeiros ao universo da moda, um dos pilares da sua produção. Frequentadora da feira de antiguidades da Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro, garimpa fotografias 3×4 e, partindo delas, elabora imagens sobrepostas. Sutura os rostos desconhecidos com figurinos de artistas da cultura pop e de suas referências musicais.

As pinturas de tinta a óleo sobre papelão são sustentadas por molduras em escala humana, medindo 1,80 metros de altura. O ornamento de madeira, que geralmente delimita, se transforma em parte integrante dos trabalhos, utilizado como um anteparo que divide e compartimenta, mas também possibilita frestas, além de impulsionar a construção de ambientes vazios e ecos, em uma narrativa labiríntica.

“Lucena cria um jogo de identidades. Há em suas pinturas humor e uma certa nostalgia, fruto das memórias que escolheu revolver. Suas figuras ganham corpo no modo que criou para exibi-las, são passantes, mas nos entregam algo”, ressalta Bruna Araújo, que responde pela curadoria da exibição.

 

Sobre a artista

Maria Fernanda Lucena nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. Depois de estudar e trabalhar com indumentária e design de moda, ingressou na EAV- Parque Lage – frequentando diversos cursos onde passa a se dedicar ao desenho e à pintura. Suas exposições individuais foram curadas por Efrain Almeida, na C. galeria, e na galeria Sem título, e por Cesar Kiraly “A intimidade é uma escolha”, na galeria de Arte Ibeu, em 2017, no ano anterior foi vencedora do prêmio “Novíssimos”. Em projetos coletivos expôs a convite dos curadores Brígida Baltar, Isabel Portella e Marcelo Campos. Integra coleções particulares e o acervo do Mar – Museu de Arte do Rio.

 

O atelier de Santo

 

No dia 22 de abril, sábado, o artista paulistano Santo abre sua primeira exposição-solo no Rio de Janeiro. Será no Parque das Ruínas, Santa Teresa. Ocupação com mais de 60 obras tem curadoria de Denise Terra e reproduz o atelier do artista, com visitação até 21 de maio.

“Toda vez que eu me coloco entre o pincel e a tela, uma força me toma. Te convido a ser junto. Te encontro no topo. Das ruínas. De Nós”.

Com esta declaração-manifesto de Santo, já é possível conceber a energia que permeia a exibição que leva seu próprio nome. Com a intenção de transportar o público para dentro de seu atelier, serão reproduzidos alguns de seus processos criativos – dos materiais aos “astrais”. A exposição faz um recorte da fase artística inicial à atual, e divide-se em duas partes: galeria e ruínas. Na galeria, o público terá acesso ao espaço vivido em um atelier, com obras concentradas em uma parede de 14 metros, todas sem molduras. Já as ruínas propõem um diálogo silencioso com a alma do artista. As obras e o espaço se entrelaçam,formando um ambiente imersivo. As pinturas possuem dimensões que vão de 70 centímetros a 10 metros de altura. Duas delas, as de maiores proporções, foram criadas ao vivo em performance realizada dentro da própria instituição, especialmente para esta ocasião. Somente uma obra terá moldura, customizada pela Metara.

Certa vez, SANTO chegou a dizer que a Arte representa o lugar mais legítimo e sem limites de ser o divino-humano nesse plano. E assim será nesta mostra. “Quando entrei no Parque, me arrepiei. Soube desde então que ocupar a galeria e as paredes das ruínas, com tudo de mim, seria de fato o maior, mais exigente e mais belo desafio até aqui”, afirma.

A curadoria assinada por Denise Terra, responsável por parte de seu escritório independente de arte e também agente dos projetos e trabalhos do artista. “Santo expressa força e provoca ativação do sentir de forma não linear: quebra regras, desconforta e transgride a razão. A exibição propõe uma autorização de ser, viver e se expressar a partir do livre e desconhecido de cada um”, diz.

 

Sobre o artista

Autodidata, Santo nasceu e vive em São Paulo. Santo pintou sua primeira tela em 28 de maio de 2018 e, desde então, ganhou espaço em grandes coleções particulares no Brasil e no exterior, além de metaverso (nfts). Suas obras não se prendem a métodos, formas, molduras, plataformas. Muito pelo contrário. Do papel á madeira, tecido, lona, papelão e materiais de descarte, foram produzidas mais de 600 pinturas até hoje. Elas desvelam figuras fortes em traços livres e combinações improváveis de cores, que provocam a sensação de estar diante de algo que escapa à razão. Como uma afronta, uma transgressão. Um convite ao coração.

 

Sobre a curadoria

Denise Terra se formou como artista visual na EAV/Parque Lage, onde foi aluna de grandes artistas, e na Scholl of Art, Londres. Iniciou sua carreira como escultora logo em seguida, se debruçando sobre a pintura. Convidada por campanhas publicitárias internacionais, dedicou-se, durante 10 anos, junto com a pintura, à direção de arte e também como colorista. Atualmente além de realizar trabalhos autorais, é cofundadora do escritório de arte Santo, onde é agente do artista Santo e responsável pela gestão de projetos e da carreira do artista.

 

 

Sérvulo Esmeraldo no CCBB Rio

17/abr

 

Chama-se “Linha e Luz”, a exposição retrospectiva do ilustrador, gravurista, pintor e escultor cearense Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), um dos mais completos artistas brasileiros, atual cartaz do CCBB, Rio.

Reconhecido no Brasil e no exterior – viveu por longos anos durante a Ditadura militar em Paris – , Sérvulo Esmeraldo tinha domínio de várias técnicas, do entalhe à xilogravura, passando pela utilização de tecnologias aplicadas na geração de efeitos cinéticos, óticos e eletromagnéticos. Apesar da pluralidade técnica, sua obra possui uma coerência interna, baseada em elementos simples e em um tratamento sintético das formas. A curadoria é de Marcus Lontra e Dodora Guimarães.

Até 26 de junho.

 

 

Revisitando vínculos históricos

 

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, em parceria com a E-Manuscrito, lançou o livro “Por uma Descolonização da Imagem – o marfim africano na arte colonial do Oriente”, de autoria do Prof. Dr. Jorge Luzio. A publicação aborda a arte colonial através dos marfins, bem como os processos desta circulação nos contextos do Império português. O autor, por meio de sua pesquisa, permite ao leitor margear dois continentes, África e Ásia, além de conectá-los ao Atlântico, convidando-o a refletir sobre os vínculos históricos entre mundos aparentemente tão distantes, como a Índia e o Brasil, tendo o continente africano como ligação entre eles.

A obra inclui estudos conjuntos em história dos dois continentes africano e asiático, com inserções e paralelos com história ambiental e museologia. Os estudos permitem uma análise desde o comércio das presas de elefantes na economia colonial e a força desse comércio sobre a fauna africana, até as temáticas voltadas aos estudos de iconografias a partir do acervo da coleção de marfins do Museu de Arte Sacra de São Paulo. O terceiro bloco de textos apresenta um repertório iconográfico com parte das obras do acervo, a serem observadas a partir das referências artísticas de culturas da Índia pré-colonial. Isso auxilia o leitor a assimilar a complexidade do debate proposto sobre a arte colonial no Oriente português.

“Por uma Descolonização da Imagem – o marfim africano na arte colonial do Oriente” destaca a importância das novas abordagens da museologia com as questões decoloniais, construindo alternativas de metodologias e práticas pedagógicas com horizontalidade e engajamento. O pensamento decolonial se desprende de uma lógica de um único mundo possível e se abre para uma pluralidade de vozes e caminhos. “Descolonizar a Imagem não é algo fácil, tampouco simples, enquanto tarefa propositiva de novos diálogos que florescem da percepção e da observação visual no confronto com o que a Imagem poderá trazer: a ambivalência do deleite e da dor. No caso dos marfins, não há como deixar de se analisar os efeitos da mercantilização sobre os animais, seus ecossistemas e toda uma cadeia de destruição”, explica Jorge Luzio.

O evento de lançamento foi uma oportunidade para refletir sobre a complexidade das relações históricas e visuais entre diferentes continentes e culturas, além de ampliar o debate sobre o papel dos museus e da educação na construção de uma sociedade mais plural e inclusiva e também para visitar uma pequena exposição montada em vitrines selecionadas no MAS/SP com peças do acervo da instituição. O evento estará aberto ao público e terá a presença do autor.

“Descolonizar a Imagem é, portanto, também ser por ela visto, em jogos de espelho, pois como a vemos diz muito de nós mesmos; é enxergar, por fim, para além do que os olhos nos revelam, ou seja, como a História se desloca no tempo, e como carrega consigo as rupturas e as permanências, mesmo quando não a vemos num primeiro olhar”.  Jorge Luzio

 

Sinopse do livro

Este livro é uma coletânea de artigos e textos inéditos do autor, que tem como ponto de partida um estudo sobre a coleção de marfins do Museu de Arte Sacra de São Paulo. A obra discute temas relevantes para a pesquisa sobre marfins, como o mapeamento de acervos, o colecionismo e a investigação em inventários, centros de documentação e arquivos coloniais, em diálogo com a perspectiva decolonial. Além disso, busca estabelecer conexões entre a História da Arte e a Educação, estimulando a interação entre Escola, Museologia e núcleos de pesquisa. Aproximando-se de áreas como História da África, História da Ásia e História Ambiental, a obra propõe novas abordagens para os estudos sobre marfins, suscitando reflexões sobre o papel da arte na sociedade, a preservação do patrimônio e o ensino de História. Com uma linguagem clara e acessível, o autor propõe avanços significativos na área de estudos de marfins e na relação entre arte e educação. A publicação dá sua contribuição como elemento adicional como fonte à pesquisa em arte e história.

 

 

 

Exibição temática no Inhotim

 

A titulação extensa “Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro”, refere-se a exposição, em cartaz na Galeria Lago, Inhotim, MG. Dividida em cinco núcleos (Novo poder: reformulando uma vanguarda; Vidas públicas; Vida e aspirações do negro; Elas Falam; e Reescrita da história: construção e afirmação da identidade), que estabelecem um diálogo com temas como questões de representação e identidade da figura do negro na sociedade de época passada, e os relaciona à produção contemporânea de artistas brasileiras e brasileiros.

A mostra traz obras de cerca de 30 artistas e coletivos: Aline Motta, Ana Elisa Gonçalves, Antonio Obá, Arjan Martins, Desali, Elian Almeida, Erica Malunguinho, Eustáquio Neves, Gustavo Nazareno, Januário Gárcia, Juliana dos Santos, Kika Carvalho, Larissa de Souza, Lita Cerqueira, Moisés Patrício, Mulambö, Nacional Trovoa, No Martins, O Bastardo, Panmela Castro, Paulo Nazareth, Pedro Neves, Peter de Brito, Rafael Bqueer, Robinho Santana, Ros4 Luz, Rosana Paulino, Sidney Amaral, Silvana Mendes, Tiago Sant’Ana, Wallace Pato, Yhuri Cruz, Zéh Palito.

Até 16 de julho.

 

7 artistas no MON

 

Vale registrar que a exposição “Carne Viva – Ambiguidade da Forma”, realizada pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba, PR, reuniu o trabalho de sete artistas: Washington Silvera, Hugo Mendes, Eliane Prolik, Cleverson Salvaro, Cleverson Oliveira, Cíntia Ribas e Carina Weidle. Com curadoria de Bruno Marcelino e Jhon Voese, a mostra contou com 55 obras, além de textos poéticos de Arthur do Carmo, e poderá ser vista até 16 de abril na Sala 7.

“Temos aqui um feliz encontro de gerações de artistas paranaenses que têm forte ligação com o MON”, diz a diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer, Juliana Vosnika. “Cada um a seu modo, estes artistas transformam a matéria e produzem uma realidade diferente do que vemos no cotidiano. Usando os mais diversos materiais – desde os mais brutos como o concreto até os mais refinados como a laca polida, ou da cerâmica vitrificada até a imbuia esculpida -, fazem com que a forma, em seu sentido mais amplo, seja seu discurso”, comenta.

Segundo os curadores, a exposição oferece a oportunidade de revisitar a expressão “natureza da arte” e retomar sua pertinência. “Em vez de classificar os trabalhos mediante suas propriedades formais, ela descreve sensibilizações e reflexões possíveis, mas que escapam às determinações corriqueiras”, dizem. “Talvez seja esse o efeito da forma ambígua, cujo ânimo também percorre as palavras de Arthur do Carmo.”

Quatro gerações de artistas estão reunidas na mostra. A proposta é aproximar o público e demonstrar na prática a potência estética e política de cada discurso, que pode ser sutil ou mais explícita, mas está presente em cada obra. O visitante percebe que a maioria dos trabalhos é tridimensional, o que evidencia a intenção de permitir um diálogo da exposição com o espaço físico do museu. A mostra ocupou quatro ambientes, além da “antessala”, onde é apresentada uma instalação sonora assinada pelos artistas Eliane Prolik e Cleverson Salvaro.

 

Vânia Mignone no Instituto Tomie Ohatake

13/abr

 

 

Um grande mural dedicado à tragédia yanomami recebe o público que poderá visitar mais de cem obras nos múltiplos suportes constituintes da trajetória da artista. Na esteira dos projetos que o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, tem realizado nos últimos anos para abrir novas investigações acerca da representatividade e da importância de artistas mulheres, o espaço paulistano traz agora a exposição “De tudo se faz canção” que, com curadoria de Priscyla Gomes, observa em retrospectiva a trajetória de Vânia Mignone, permanecendo em cartaz até 04 de junho.

Com um amplo panorama, a exposição, com mais de uma centena de obras, resgata os percursos da artista nos mais diversos formatos: desenhos, colagens, ilustrações para obras literárias, capas de discos, gravuras e pinturas. O conjunto reunido chama atenção pela vivacidade das cores, pela expressividade de figuras em grande dimensão, além da diversidade de suportes e técnicas que aparecerem conjugados, mostrando um vasto universo de experimentação, em que referências da propaganda, do design, do cinema, das histórias em quadrinhos e da música convivem com trabalhos em escalas distintas. Segundo Priscyla Gomes, “As narrativas exploradas por Vânia destacam-se pelo modo como ela articula desde questões prosaicas até aspectos latentes da cultura e da política brasileiras”.

A mostra empresta seu título de um verso da música Clube da Esquina nº 2, de Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, composta para o álbum homônimo de 1972. A partir das conversas entre a curadora e a artista, a proposta foi resgatar a importância da MPB no processo criativo de Vânia. A artista paulista faz recorrente alusão ao seu anseio de fazer de sua pintura canção, contagiando aquele que a observa. “Vânia construiu para si uma estrada, incorporando a música popular brasileira ao seu processo criativo cotidiano de ateliê”, destaca a curadora do Instituto Tomie Ohtake.

Priscyla Gomes enfatiza a síntese sinérgica que constitui o repertório da artista, marcado por letreiros de outdoors e pela xilogravura. “Seu vasto léxico remete-se ainda à qualidade de incorporar elementos fundamentais dessas referências, dentre eles, a coesa relação entre imagem e palavra”.

O mural em grande escala e cores vibrantes dedicado ao recente episódio da tragédia humanitária yanomami, prossegue a curadora, não nos deixa esquecer que fazer canção é também refletir sobre o silêncio e suas consequências, sobre como narrar o desmedido e o intragável. “Em meio a tantos gases lacrimogênios, os trabalhos de distintas épocas dessa retrospectiva nos convidam a fabularmos, criando nossa própria canção, uma viagem de ventania pelas estradas por Vânia trilhadas até aqui”, completa.

 

Sobre a artista

Vânia Mignone, 1967, Campinas. Vive e trabalha em Campinas. É Bacharel em Publicidade e Propaganda pela PUC-Campinas e Bacharel em Educação Artística pela UNICAMP. Entre suas exposições individuais destacam-se: Ecos, Museu de Artes Visuais da UNICAMP, Campinas (2019); Eu poderia ficar quieta mas não vou, SESC, Presidente Prudente (2017); Casa Daros, Rio de Janeiro; Cenários, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo (2014). Participou de diversas exposições coletivas como: Por um sopro de fúria e esperança, Mube, São Paulo (2021); Crônicas Cariocas para Adiar o Fim do Mundo, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (2021); Língua Solta, Museu da Língua Portuguesa, São Paulo (2021); 1981/2021: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção Andrea e José Olympio Pereira, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2021); Mulheres na Coleção do MAR, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Mínimo, Múltiplo, Comum, Pinacoteca, São Paulo; 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades Afetivas, Fundação Bienal, São Paulo (2018).