Memórias afetivas em xilogravura

03/fev

 

 

Aos 26 anos, Santídio Pereira, um dos nomes mais importantes da nova geração de artistas contemporâneos brasileiros, expõe na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, a partir de 05 de fevereiro.

 

A Fundação Iberê abre o ano de exposições com a primeira individual em um museu de Santídio Pereira, 26 anos, um dos nomes mais importantes da arte contemporânea no Brasil. Esta é, também, a primeira vez que o artista vê este conjunto de obras, a maioria de colecionadores, reunidas em uma mostra.

 

“Santídio Pereira – Incisões, recortes e encaixes” apresenta 22 obras, em grandes dimensões, que resgatam a infância do artista em Curral Comprido, povoado próximo a cidade de Isaías Coelho, no Estado do Piauí. São memórias afetivas em xilogravura e offset impressas em papeis kashiki, hahnemühle, sekishu, wenzhou, fabriano disegno e de arroz chinês 100% de algodão.
A xilo em três operações: incisões, recortes e encaixes

 

Santídio mudou-se para São Paulo, em 2002, com apenas seis anos de idade. Aos oito, ingressou nas “oficinas de fazeres” do Ateliescola no Instituto Acaia, uma ONG privada, sem fins lucrativos, que atende crianças e adolescentes residentes próximo à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), local onde também trabalhou. Aos 14, começou a gravar sob orientação de Fabrício Lopez e Flávio Castellan e, aos 18, se despediu do tempo permitido na ONG, determinado a ser artista. E são justamente a obstinação e as imagens das memórias preservadas, tanto de sua terra natal, quanto das experiências posteriores, que compreendem hoje o viés condutor da obra de Santídio Pereira.

 

A xilogravura atendeu aos primeiros interesses do artista, que desenvolveu procedimentos próprios de trabalho, como a que ele denomina “incisão, recorte e encaixe”, ou seja, a composição por meio da combinação de várias matrizes recortadas, como peças de um quebra-cabeça. Além de proporcionar um jogo de cores através do acúmulo e justaposição de tinta, essa técnica permite subverter a função de multiplicidade, tão característica da gravura.

 

Com o tempo, a materialidade das tintas trabalhadas sobre o papel passou a protagonizar a investigação de Santídio e, até hoje, norteia sua produção artística. A experimentação no estudo das cores tornou-se vetor importante para expressar suas memórias, sentimentos e sentidos, que são inerentes também à cultura e aos fazeres populares dos lugares por onde esteve. Não à toa, o artista sentiu a necessidade de aumentar a superfície de apreciação das cores, aumentando a escala de suas obras.

 

São duas as séries de xilogravuras mais representativas de Santídio: “Pássaros” (2018) e “Bromélias” (2019). A memória afetiva levou o artista a investir numa pesquisa iconográfica sobre os pássaros da Caatinga do Piauí. Além de procurar entender os saberes populares e a relação das pessoas com esses animais, Santídio foi estudar biologia e mitologia. Mais tarde, a partir da residência artística Kaaysá, realizada em Boiçucanga, litoral de São Paulo, surgiu a série de bromélias. Da mesma forma que inspirou Roberto Burle Marx, essa planta tropical tipicamente brasileira também foi um grande objeto de investigação de Santídio, que investiu em viagens pelo país para o exercício da observação, além do estudo científico. Em ambas as séries, o conjunto sensível de conhecimentos populares foi associado à um meticuloso estudo de cores, que normalmente emergem da memória visual e das sensações que o artista preserva das experiências da vida. Para ele, reconhecer a relevância dos saberes populares é tão importante quanto entender a importância da natureza no Brasil, principalmente nos dias atuais.

 

Desde o começo da carreira do artista, a investigação com gravura vem abrindo portas para outras técnicas e suportes, sempre atraindo pela materialidade e sua representatividade nas artes visuais. A série de pinturas “Morros” (2021) surgiu com o sentimento de liberdade ao se deparar com visualidade da paisagem natural de Santo Antônio do Pinhal, Serra da Bocaina e da Cantareira, todas em São Paulo, e como ela resgata reminiscências de cores, imagens e sensações. Utilizando tinta offset, a mesma da produção das xilogravuras, Santídio também parte do princípio de “incisão, recorte e encaixe” para criação das composições em pintura sobre papel Hahnemuhle, traduzindo as sensações através das gradações de cores e justaposições. Ultimamente, Santídio vem pesquisando e desenvolvendo trabalhos em Aquarela, tinta Offset, Xilogravura e Monotipia.

 

Para o curador de arte Ricardo Sardenberg, que assina um dos textos do catálogo da exposição, “sendo um artista ainda muito jovem, sua obra rapidamente amadureceu em um curto período de cinco anos, que vai de aproximadamente 2017 a 2022. Este é um período de experimentação quando o artista decanta, apura e condensa sua técnica, os temas e implicações formais. Do ponto de vista do primeiro, o técnico, Santídio revela um pendor para a experimentação, para o trabalho empírico, quando transforma a xilo em três operações que extraem a complexidade pela simplicidade: são incisões, recortes e encaixes. Ao invés de manter-se na técnica clássica da xilo, as criações de imagens na matriz por meio de incisões utilizando uma goiva, o artista acrescenta seu conhecimento de marcenaria para recortar peças que depois serão encaixadas como em um quebra-cabeça. Estas modificações técnicas e processuais não ocorreram de uma vez, mas em pequenos passos experimentais que podem ser apreciados como num fluxo nas próprias gravuras: das incisões para os recortes, e dos recortes para os encaixes”.

 

“Muitas vezes, as ‘xilos’ em preto e branco de Santídio ainda guardam a lembrança do aprendizado e revelam uma aspereza de que ele sabe tirar partido. Em vez de tentar imitar pequenos detalhes de uma folhagem, por exemplo, ele se aproveita das irregularidades da madeira rachada – lembro ao leitor que hoje em dia muitos xilogravadores, por motivos práticos, lançam mão de madeiras compensadas para realizar suas estampas. E, a meu ver, as melhores gravuras envolvem a presença marcante de cores. Ele as utiliza produzindo séries em que, com um mesmo desenho, tira gravuras em que varia as cores (sobrepondo ao negro uma ou mais cores) em trabalhos que contam apenas com a presença de cores (sem a presença do negro) ou em gravuras cujas figuras são delineadas em preto, mas recebem manchas de cor que modificam a percepção que temos delas. Para o crítico que defronta pela primeira vez com um trabalho tão promissor, torna-se quase impossível não projetar sobre trabalhos iniciais uma trajetória longa e grandiosa”, escreveu Rodrigo Naves para a exposição CORES EM PRETO E BRANCO, realizada na Galeria Estação (SP), em 2016. Naves foi a primeira pessoa que Santídio conheceu ao sair do Instituto Acaia e o apresentou ao mercado da arte.

 

A Fundação Iberê tem o patrocínio de Crown Brand-Building Packaging, Grupo Gerdau, Renner Coatings, Grupo Iesa, Grupo Savar, Grupo GPS, DLL Group, Lojas Renner, Sulgás e Unifertil, e apoio de Instituto Ling, Ventos do Sul Energia, Dell Technologies, Digicon/Perto, Golden Lake Multiplan, Laghetto Hotéis, Coasa Auditoria e Isend, com realização e financiamento da Secretaria Estadual de Cultura/ Pró-Cultura RS e da Secretaria Especial da Cultura – Ministério da Cidadania / Governo Federal.

 

Abertura: 05 de fevereiro.
Visitação: até 1º de maio.

 

São Paulo, Arqueologia Amorosa

 

 

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, uma instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, inaugura no próximo dia 25 de janeiro a mostra “Arqueologia Amorosa de São Paulo”. Com curadoria do diretor-geral do Museu, Emanoel Araújo, a exposição fala dos muitos aspectos artísticos, sociais, culturais e perspectivas diversas dessa grande metrópole, por meio de fotos, manuscritos, objetos, fotografias e design, de renomados artistas, como Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Flavio de Carvalho, Geraldo de Barros, Zanini Caldas, dentre outros.

 

A exposição vasculha a memória da capital paulista, trazendo à luz personagens da vida artística, obras públicas dos grandes arquitetos, desde Ramos de Azevedo, a memória de carnavais antigos da Avenida Paulista e dos blocos de Ranchos da periferia.

 

A grande modista da cidade, Maria Adelaide da Silva, e sua correspondência com a moda feminina dos anos vinte, também está retratada por meio de documentos vindos diretamente de Paris, propostas de croquis e seu retrato pintado pelo grande artista da época, Jacques Leclerc, em 1926.

 

Também integram a mostra objetos da Revolução Constitucionalista de 1932, assim como grandes lembranças do Quarto Centenário e da construção do Parque Ibirapuera, a exemplo da realização da Segunda Bienal Internacional, onde esteve a Guernica, do grande artista Pablo Picasso. Uma instalação mostra fragmentos de uma casa burguesa, numa referência às grandes residências da Avenida Paulista, advindas das riquezas do café. Um dos destaques é uma grande vista da Várzea do Carmo, manipulação tecnológica do artista Floro Freire, que apresenta uma nova visão da paisagem do século XIX de Militão Augusto de Azevedo.

 

Na mesma data, o museu inicia as homenagens ao “Extraordinário Mário de Andrade”, integrando a celebração dos Cem Anos da Semana de Arte Moderna, com a abertura da exposição “Padre Jesuíno do Monte Carmelo aos Olhos de Mario de Andrade”. A mostra traz ao Museu Afro Brasil grandes pinturas provenientes das igrejas das cidades de Itu e São Paulo, onde o padre artista exerceu, com primazia, seu ofício de pintor, músico e compositor. A pesquisa sobre as pinturas das igrejas e conventos da cidade de Itu foi uma das últimas pesquisas de Mário de Andrade, cujo olhar se voltou para esses artistas dos séculos XVIII e XIX.

 

Esta será a maior retrospectiva feita sobre as obras do padre Jesuíno do Monte Carmelo. A exposição conta com 27 obras de grandes dimensões de Jesuíno, muitas delas mostradas pela primeira vez, e tem curadoria de Dra. Maria Silvia Barsalini e Dr. Emerson Ribeiro, e colaboração da equipe do Museu Afro Brasil.

 

Sobre o Museu Afro Brasil

 

O Museu Afro Brasil, localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do Parque Ibirapuera, conserva, em 12 mil m², mais de 8 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros temas ao registrar a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu atual Diretor Curatorial, Emanoel Araujo, o Museu construiu, ao longo de mais de 16 anos de história, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade. O Museu exibe parte do seu Acervo na exposição de longa duração, realiza Exposições Temporárias e dispõe de um Auditório e de uma Biblioteca especializada que complementam sua Programação cultural ao longo do ano.

 

De 25 de janeiro a 30 de junho.

 

 

 

Touch – Regina Silveira

 

Regina - Silveira

 

 

A Galeria Hugo França, Trancoso, Rodovia BA 001 s/n, próximo ao trevo Trancoso/Caraíva, Trancoso, Porto Seguro/BA, apresenta uma instalação em site specific de Regina Silveira que traz marcas de mãos agigantadas e recortadas em vinil ocupando mais de 200 metros quadrados e tem o objetivo de aguçar a percepção do espaço, fazendo as pessoas se questionarem sobre o que está fora de escala: as imagens ou os espectadores.

A emblemática obra, que já passou por São Paulo, Argentina, Alemanha, Curitiba, Rio de Janeiro (Complexo da Maré) e Porto Alegre, chega pela primeira vez à Bahia.

 

Funcionamento normal: Segunda a sábado, das 10h às 17h; domingos, mediante agendamento.

 

Até 13 de março.

A abstração de Samson Flexor

10/jan

 

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, exibe até 26 de junho a exposição “Samson Flexor: além do moderno”. Conhecido como um dos pioneiros da abstração no Brasil, Flexor participou ativamente deste importante movimento de renovação das artes visuais no país na década de 1950. Sua contribuição para a abstração geométrica, tanto em sua atuação como artista quanto como mestre de uma nova geração em seu Ateliê Abstração nos anos 1950, é amplamente reconhecida pela crítica. No entanto, seus desenvolvimentos posteriores, caracterizados pela abstração lírica ou informal e pelo retorno à figuração nos seus últimos cinco anos de vida, permanecem pouco conhecidos pelo público.

 

Segundo a curadora Kiki Mazzucchelli, “… é a primeira exposição que tem como foco o desenvolvimento da obra de Flexor a partir de 1957, quando passa a rejeitar as formas estáticas em pinturas onde gradualmente predominam o gesto, a opacidade e a transparência.” A exposição tem como objetivo trazer à luz a obra tardia de Samson Flexor, que marca sua transição do moderno para o contemporâneo ao confrontar questões éticas e estéticas de seu tempo”.

 

Composta por quase uma centena de obras, foram incluídas pinturas conhecidas na trajetória do artista como “Abstração Barroca n.2” (1949), que combina a geometrização da figura e a temática brasileira; “Aos pés da cruz” (1948), pintura originalmente exposta no MAM São Paulo, em 1950, e que se aproxima de uma abstração total; e “Vai e vem diagonal em três quadrados” (1954), pintura da fase da abstração pura na qual explora as diagonais cruzadas e cria um movimento acentuado pelos contrastes cromáticos.

 

Sobre o artista

 

Samson Flexor desembarcou no Brasil no final da década de 1940 quando deixou a França após a Segunda Guerra Mundial. O pintor realizou sua primeira exposição em São Paulo em 1946 e retornou permanentemente em 1948. Também participou da exposição inaugural do Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1949, contexto em que é convidado e incentivado pelo crítico e diretor belga Leon Dégand a explorar os caminhos da abstração geométrica pura. Em 1951, ano da instauração da Bienal de São Paulo, fundou o Ateliê Abstração, onde lecionou, por mais de uma década, uma nova geração de artistas – entre eles, Jacques Douchez e Norberto Nicola. Ao longo de sua carreira, realizou diversas exposições individuais nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como em inúmeras galerias brasileiras e estrangeiras. Participou de diversas edições da Bienal de São Paulo, e realizou uma grande retrospectiva de sua obra no Musée Rath, em Genebra (1965), cuja versão expandida foi apresentada no MAM-RJ (1968). Flexor faleceu em 1971, aos 64 anos, vítima de um edema pulmonar.

 

Impressões de Lotus Lobo

 

Lotus Lobo 1

 

 

Sob a curadoria de Marcelo Drummond, a mostra “Fabricação Própria”  no Galpão Sesc Pompeia, até 30 de janeiro, traz a abrangente e diversa produção artística empreendida por Lotus Lobo. Com obras históricas e inéditas, produzidas em diferentes suportes, materiais e novas formas de edição e impressão, a exposição compreende os 60 anos de produção da artista, que engloba seu acervo, bem como as formas de pensar a política das imagens no mundo contemporâneo.

A presente proposta busca apresentar, em estreito diálogo com o ambiente da antiga Fábrica da Pompeia (Sesc Pompeia) e com o legado deixado pela arquiteta Lina Bo Bardi, o resgate e a preservação do importante acervo de matrizes litográficas, em pedra e zinco, provenientes da Estamparia Juiz de Fora, Minas Gerais, originárias das décadas de 1930-1960, com que Lotus articula sua vasta produção artística. O recorte curatorial de “Fabricação Própria” destaca a experiência de Lotus em relação ao seu acervo e tem como objetivo dar visibilidade e acesso à produção da artista, demonstrando sua relação com a arte e seu histórico de atuação desde a década de 1960 até suas produções atuais.

A exposição reúne, pela primeira vez, a quase totalidade do conjunto de “Maculaturas”, chapas de acertos de impressão da Estamparia Juiz de Fora (MG), por Lotus apropriadas como obras a partir de 1970, dessa vez montadas na forma de um grande plano suspenso no espaço expositivo. Trabalhos importantes da artista são revisitados, como o caso de “Água Limpa”, obra inédita que retoma os lito-objetos premiados em 1969 na X Bienal de São Paulo. Outra remissão importante se trata da também inédita “Albor”, em que rememora obra marcante do ano de 1970: uma bobina de papel presa na parede de onde os espectadores podiam destacar e levar para casa fragmentos litografados.

Destacam-se também a participação de Lotus Lobo no histórico evento “Do Corpo à Terra” (1970), idealizado pelo crítico Frederico de Morais, e o trabalho “Territórios” (1969), ambos realizados em Belo Horizonte (MG), publicados no Guia de Mediação da mostra, onde se encontra também um encarte-obra inédito, intitulado “Notas Marginais” (2021). Segundo o curador da exposição e artista visual, Marcelo Drummond, “… aqui se deixa à mostra a verdade material e construtiva do galpão que abrigou a antiga Indústria Brasileira de Embalagens (Ibesa), fabricante de tambores metálicos que hoje dá lugar ao Sesc Pompeia e acolhe com familiaridade a fábrica movente de Lotus Lobo”.

 

Sobre a artista
Lotus Lobo nasceu em Belo Horizonte em 1943. Vive e trabalha na capital mineira, onde graduou-se na Escola Guingnard, da UEMG, em Artes Plásticas. Na França, estudou na École Superieure des Art et Industries Graphiques Estienne e na École D’Arts Plastiques et Sciences D’Art de L’Université de Paris. Foi professora de litografia na UEMG e na UFMG em intervalos entre 1966 a 1993. Estas tantas experiências artísticas, inauguradas nos anos 1960, foram seminais na construção discursiva de Lotus Lobo e ainda reverberam na sua produção contemporânea. Na carreira da artista, convém destacar a sua participação na “X Bienal de São Paulo” (1969), quando recebeu o Prêmio Itamaraty ao exibir três objetos-gravuras (lito-objetos) manipuláveis pelo público. Nota-se, ainda, sua participação na emblemática manifestação “Do corpo a terra” (1970), organizada pelo crítico de arte Frederico Morais e realizada no Parque Municipal de Belo Horizonte, onde Lotus propôs a intervenção “Plantação”. Vale mencionar sua participação em mostras individuais e coletivas, nacionais e internacionais, entre elas: Gráfico Grafia, Museu de Arte da Pampulha/Museu Abílio Barreto, Belo Horizonte, 2021; Território Gravado, Galeria Superfície, São Paulo, 2019; Litografia Lotus Lobo, Galeria de arte do Minas Tênis Clube, BH, MG, 2018; Estamparia Litográfica, Lotus Lobo, Caixa Cultural, Brasília, DF 2018; Lobo, Galeria Mendes Wood, São Paulo, SP, 2017; Constelação, Galeria Manoel Macedo Arte, Belo Horizonte, MG, 2016; SP ARTE, Feira Internacional de arte de São Paulo, Pavilhão da Bienal SP, SP, 2017/2016; Marca Registrada, Centro Cultural Usiminas, Ipatinga, MG, 2007 e Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, 2006; Brazilian Contemporary Prints, Conferência e Mostra de Gravura Brasileira, Gallery of The Saint John’s College, Santa Fé, New Mexico, EUA, 1986; Brazilian Contemporary Prints, Gallery Tate Student Center, University of Geórgia, EUA 1987; Ninth British International Print Bienale, Bradford 1986; V Bienal del Grabado Latino Americano, Porto Rico, 1981; Arte Agora MAM, Rio de Janeiro, 1976; Bienal de Tóquio, 1972; Pré-Bienal de Paris MAM, Rio de Janeiro, 1969.

Antonio Parreiras no MAC-Niterói

 

 

Abrindo as comemorações dos 80 anos do Museu Antonio Parreiras (MAP), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ, em parceria com a Fundação de Arte do Estado do Rio de Janeiro – FUNARJ, apresenta de até 23 de janeiro a exposição “Antonio Parreiras: paisagens e marinhas”.
Com curadoria de Vanda Klabin, a mostra reúne 37 telas realizadas pelo pintor, entre 1887 e 1937, e evidencia o pioneirismo do Museu Antonio Parreiras, como primeiro museu de arte do estado do Rio de Janeiro e o primeiro no Brasil, dedicado à memória de um artista.

Reconhecido como um dos principais paisagistas brasileiros, Antonio Diogo da Silva Parreiras nasceu em Niterói, em 1860. Em 1884, quando aluno do artista alemão Georg Grimm, abandonou a Academia Nacional de Belas Artes, acompanhando o mestre e outros colegas para formar o Grupo Grimm, no bairro de Boa Viagem.

 

Realizou diversas viagens de aperfeiçoamento à Europa, pintou paisagens, nus, retratos e quadros de temas históricos, sendo escolhido como o maior pintor brasileiro em votação realizada pela revista Fon-Fon, em 1925. No ano seguinte, amplamente consagrado como artista, publicou o livro autobiográfico “História de um pintor contada por ele mesmo”.

Sobre a obra de Parreiras, Vanda Klabin destaca a forte relação do artista com a paisagem: “Sua sensibilidade pictórica e o constante fascínio que a natureza observada de perto exerceram no seu vocabulário visual traduzem a sua contribuição inovadora para o universo da arte brasileira”.

A intepretação singular da natureza pelo pintor poderá ser conferida, no salão principal do MAC, em telas como “A tarde”, vendida em 1887 para a Academia Imperial de Bellas Artes, para financiar a primeira viagem de estudo do artista à Europa, e “O fogo”, integrante da última exposição de Antonio Parreiras, em 1936, e que denuncia as queimadas nas florestas brasileiras.

Antonio Parreiras faleceu a 17 de outubro de 1937, deixando viúva a Dona Laurence Palmyre Martigué Parreiras, sua segunda esposa. Por sugestão dela, o governo do Estado do Rio fundou o Museu na casa onde o artista morou por 43 anos, na rua Tiradentes, 47, bairro do Ingá. A inauguração, com caráter solene, foi realizada a 21 de Janeiro de 1942. Como primeiro diretor, foi designado o arquiteto e pintor italiano, naturalizado brasileiro, Pedro Campofiorito.

A mostra “Antonio Parreiras: paisagens e marinhas”, que é patrocinada pela SPE Praia de Boa Viagem, conta também com duas obras do artista alemão George Grimm, mestre de Parreiras, e um retrato do homenageado, por Numa-Camille Ayrinhac.

Manifestações no MAR

06/jan

O DJ MAM, artista, compositor, intérprete e ativista cultural, lançou no Centro Histórico, Rio de Janeiro, RJ, o projeto “Sotaque Carregado Artes”, que une música ao universo das artes visuais. A iniciativa é desdobramento do Sotaque Carregado, que em 15 anos de existência vem criando várias ações como festivais, programas de rádio, álbuns e eventos, com mais 500 artistas e blocos, como Elza Soares, Hermeto Pascoal, Gaby Amarantos, Orquestra Voadora e Baiana System. Coordenado pelos curadores Érika Nascimento e DJ MAM,Sotaque Carregado Artes pretende conectar e amplificar as manifestações de música e artes visuais.

 

A primeira ação do Sotaque Carregado Artes é o Festival Demarcação Já Remix no Museu de Arte do Rio (MAR), para celebrar o hasteamento da bandeira “Tajá”, do artista Matheus Ribs, neste domingo, às 15h.

 

Com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio, o Festival Demarcação Já Remix apresentará uma programação musical especialmente criada para o evento. Às 15h, a cerimônia de hasteamento será acompanhada pelo Coral Guarani Tenonderã, e às 16h, nos pilotis do MAR, DJ MAM fará o show Sotaque Carregado, com a presença dos Pernaltas Futuristas, vestidos como orixás e do grupo de carimbó feminino Aturiá. Em seguida eles se integrarão ao Cortejo do Carnaval Remix, com a festa Manie Dansante com as bicicletas amplificadas do Mico Leão Sistema Sonoro. O Cortejo irá até a Praça da Harmonia, onde está a bandeira “Área Indígena”, do artista Xadalu Tupã Jekupé, em sua exposição “TekoaXy – A terra de Tupã”, no Instituto Inclusartiz.

 

Festival Demarcação Já Remix – Programação

15h – Concentração do cortejo na abertura oficial do evento, com o hasteamento da bandeira “Tajá”, do artista Matheus Ribs. Apresentação do Coral Guarani Tenonderã, na Praça Mauá.

 

15h30 – Conversa com o curador do MAR, Marcelo Campos, e o artista Matheus Ribs.

 

16h – DJ MAM – Show Sotaque Carregado, nos pilotis do MAR, com os Pernaltas Futuristas, vestidos como orixás, eo grupo de carimbó feminino Aturiá.

 

17h – Cortejo Carnaval Remix, com Sotaque Carregado, festa Manie Dansante com as bicicletas amplificadas do Mico Leão Sistema Sonoro Ambulante, grupo de carimbó feminino Aturiá. O Cortejo seguirá em direção à Praça da Harmonia, onde está a exposição “Tekoa XY”, do artista Xadalu Tupã Jekupé, no Instituto Inclusartiz.

Duas vezes Tunga em São Paulo

15/dez

 

 

Tunga no Itaú Cultural e Instituto Tomie Ohtahe.

 

A exposição “Tunga: conjunções magnéticas” reúne aproximadamente 300 obras do artista. “Tunga: conjunções magnéticas” celebra a produção artística de Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (1952-2016), o Tunga, dono de um universo imaginativo único e de uma produção refinada, é figura emblemática das artes visuais do país.

 

A exposição tem curadoria de Paulo Venancio Filho e correalização do Instituto Tunga, propõe uma retrospectiva que apresenta a extensão da obra do artista em consonância com sua prática e poética plástica.

 

Esculturas | Arte de não saber e ética do heterogêneo: os palíndromos de Tunga

 

Formado em Arquitetura e Urbanismo na década de 1970, Tunga dialogou com grandes nomes das artes contemporâneas, como Waltercio Caldas, Cildo Meireles, Sergio Camargo e Lygia Clark.

 

Desenhos, esculturas, objetos, instalações, vídeos e performances. A diversidade de suportes revela os seus múltiplos interesses, que percorriam diferentes áreas do conhecimento, como Literatura, Matemática, Arte e Filosofia. A pluralidade também se fez presente no uso de materiais. De maneira notável, Tunga explorou ímãs, vidro, feltro, borracha, dentes e ossos. Sua obra ganhou simbologia e presença, aproximando-o da produção artística em evidência no panorama internacional.

 

A partir da década de 1980, participou da Bienal de Veneza, teve quatro passagens pela Bienal internacional de São Paulo e esteve em mostras no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, e na Whitechapel Gallery, em Londres. No Instituto Inhotim, em Minas Gerais, dois espaços destacam a obra do artista, a Galeria True Rouge (2002) e a Galeria Psicoativa (2012). Tunga foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a expor no Museu do Louvre, em Paris, em 2005.

 

Parte dessa extensa produção está em “Tunga: conjunções magnéticas”, que reúne aproximadamente 300 obras. Além do Itaú Cultural (IC), Avenida Paulista, Paraíso, São Paulo, SP, a mostra estende-se para o espaço do Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, que recebe a escultura Gravitação magnética (1987) – cujos esboços ocupam o espaço de ambos os espaços culturais – e o filme-instalação Ão (1981). Para complementar a exposição e convidar a um mergulho mais aprofundado na história de Tunga, durante a mostra serão publicados no YouTube do Itaú Cultural vídeos que reúnem depoimentos de Paulo Venancio Filho (curador da exposição), Fernando Santana (assistente de Tunga), Paulo Sérgio Duarte (curador e crítico de arte), Waltercio Caldas (artista), Gonçalo Mello Mourão (irmão de Tunga) e Lia Rodrigues (bailarina e coreógrafa) que tratam de temas como quem foi Tunga, a energia da conjunção, suas inspirações, seu processo criativo e a variedade de suportes e materiais em seu trabalho.
Até domingo 10 de abril de 2022.

 

 

 

 

Ione Saldanha: a cidade inventada

13/dez

 

 

O MASP, Museu de Arte de São Paulo, Avenida Paulista, SP, apresenta mostra de caráter retrospectivo de Ione Saldanha apresentando objetos como ripas, bambus e bobinas.

 

 

Ione Saldanha é uma figura pioneira, porém sem o devido reconhecimento na história da arte brasileira do século 20. Embora trabalhasse de maneira intuitiva, o desenvolvimento de sua obra tão rigorosa quanto poética ao longo de quase seis décadas demonstra uma extraordinária coerência. Uma série ou grupo de trabalhos se desdobra e evolui rumo ao próximo – desde as pinturas figurativas iniciais dos anos 1940 até os trabalhos abstratos nos anos 1950 e as pinturas em suportes tridimensionais a partir do final dos anos 1960. Nesse sentido, pode-se pensar na pintura num campo expandido ou ampliado como motivo condutor do trabalho: Saldanha pintava sobre tela, papel, longas ripas de madeira, bambus, bobinas e, por fim, sobre todos de madeira empilhados. A cor e o construtivismo faziam parte do seu idioma – por um lado, suas várias paletas de cores ao longo dos anos são tão singulares quanto arrebatadoras; por outro, a geometria e a verticalidade sempre foram referências muito fortes na construção de seus trabalhos. No centro da obra de Saldanha há uma preocupação com uma certa representação ou invenção da cidade e da arquitetura, fosse ela real ou imaginada, daí o título desta exposição: Ione Saldanha: a cidade inventada. Nesse contexto, a artista passou das paisagens urbanas iniciais a construções arquitetônicas progressivamente abstratas, representadas de maneira fluida, delicada e orgânica, sempre trazendo a marca da mão da artista visível na superfície das pinturas, seja ela bidimensional ou tridimensional. Os Bambus, seus trabalhos mais icônicos, complexos, e verdadeiramente inovadores, são esculturas eretas que evocam a cultura brasileira popular e vernacular. De caráter antropomórfico, fazem referência tanto à cidade e à floresta, quanto ao sujeito que as habita, adquirindo uma qualidade instalativa sobretudo quando expostos em conjuntos.

 

Ainda que seja possível identificar uma série de preocupações em comum em seu trabalho e no de alguns de seus hoje consagrados contemporâneos (como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape), Ione Saldanha nunca se associou a qualquer grupo ou movimento, algo incomum nos círculos artísticos brasileiros de meados do século passado. Em vez disso, a artista desenvolveu uma trajetória bastante reservada que lhe permitiu focar em seu trabalho tanto excepcional quanto prolífico, explorando múltiplas relações, diálogos e cruzamentos: entre abstração e figuração, geometria e paisagem, hard edge  e artesanal, representação e apresentação, pintura e escultura, arte e vida, tudo imbuído de singulares e sutis combinações de cores.
O título desta exposição é inspirado no de uma mostra individual da artista intitulada Cidade inventada , realizada na Galeria Relevo no Rio de Janeiro, em 1962.
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP

 

Fonte: MASP

 

A Natividade no MAS

 

 

Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS / SP, Estação Luz, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, inaugura as exposições que celebram as festividades de final de ano.

 

Na sala de exposições temporárias, abre a mostra “”E Habitou entre Nós – A Natividade segundo os pintores”, sob curadoria de Beatriz Cruz e João Rossi. Composta por 31 telas e relevos que variam dos séculos XVI ao XX, de importantes autores como Fulvio Pennacchi, Paolo Veronese, Jorge José Eduardo Vedras, Samson Flexor, entre muitos, transmite a ótica com que cada qual viu a história do nascimento e da infância de Jesus. Pinturas italianas, brasileiras, chinesas, ibero-andinas, esculturas portuguesas e obras seiscentistas nacionais, um presépio da Ilha da Madeira do século XVIII e esculturas do Menino Jesus e de Maria grávida estarão no espaço da exposição.

 

Na Sala MAS/Metrô – Estação Tiradentes, abriga a individual de Madalena Marques – “Nasceu o Menino – A Natividade em Papel Machê”, sob curadoria de Jeison Lopes Pereira e João Paulo Berto. Os treze conjuntos de presépios em papel machê estão em exibição no espaço, confirmam a paixão e dedicação da artista à técnica a qual optou por se dedicar e que aplica com maestria. Os conjuntos de personagens desenvolvidos nos levam a um passeio por diferentes momentos da História da Arte, utilizando a cena da Natividade como tema central. A partir de pinturas de diferentes autores, tanto nacionais como internacionais, a artista extrai a cena principal e cria reproduções tridimensionais, fidedignas, em papel machê.

 

Abertura: 27 de novembro de 2021 – às 11hs

 

Duração: de 28 de novembro a 9 de janeiro de 2022.